A origem dos ohhhs!, Noooossa! Fenonemal! etc...

por Macanudo

A memória é traiçoeira, por mais afiada que ela esteja, ela pode sempre pregar peças ao mais bem intencionado dos homens. E, havendo dúvidas, a honestidade obriga o indivíduo a declarar o quanto ele está seguro do que diz, onde pode estar a dúvida etc. Isso dito, tendo testemunhado os fatos, digo contudo que não estou a 100% seguro do que vou contar. Afirmaria que entre 80 e 90% a história foi como segue. 

Vivíamos os idos tempos do final da década de 70. O desastre foi em fevereiro de 75, Dr. Plínio lançou a grande campanha do livro "A Igreja ante a Escalada da Ameaça Comunista - Apelo aos Bispos Silenciosos" em 76, em 77 e 78, o livro "Tribalismo Indígena, Ideal Comuno-Missionário para o Brasil no Século XXI", duas obras que analisaram fatos que indicavam o que realmente se passou, e se passa, no Brasil (e na AL) daqueles tempos e de hoje. O Tribalismo foi um livro profético, pois foi uma denúncia tão inesperada quanto confirmada mais tarde. Tivemos, portanto, anos a fio de campanhas, coisa que sempre foi motivo de entusiasmo, empenho, dedicação e adesão aos princípios Contra-Revolucionários. Infelizmente as TFPs hispano-americanas ficaram de fora dessas denúncias e campanhas, o tema era brasileiro, não houve da parte das outras TFPs do continente (salvo no Perú, creio) motivo para fazerem pesquisas e divulgação de trabalhos similares. 

Entusiasmado!
Internamente, nascia o São Bento II com um grupo de jovens recrutados por João Clá no "Praesto Sum dos domingos", aquilo que um pouco mais tarde passou a se chamar "Jour-le-Jour", a primeira tribuna encontrada por JC depois do desastre e sua suposta eremitização em São Bento. Eu me lembro bem daqueles domingos, seria capaz de contar detalhes daquilo... A popularidade sempre foi um fraco de João Clá e ele alimentava isso sem nenhuma prudência, inflando seu ego e capitalizando adesões à si, usando o nome do SDP. 

Entre os primeiros de São Bento II, havia um bastante peculiar. Seu nome é bem conhecido, Pedro Julião Ribeiro Aguiar. Filho do Ceará, ele tinha dois outros irmãos na TFP, o mais velho de temperamento bastante parecido com o dele, o mais novo, seu contrário. Como todo nordestino, PJ era expansivo, falador, comunicativo; não suportava ouvir algo errado sem protestar, nem algo entusiasmante, sem aclamar. Nas SEFACs daqueles anos, ele sempre participava dos teatros, tinha dotes para aquilo. 

No começo de São Bento II, os eremitas não frequentavam as reuniões chamadas Santo do Dia, nem a Reunião de Recortes. Não tinham idade para esta última, não eram autorizados à assistirem as primeiras por razões de clausura e formação. Mas isso aos poucos foi se afrouxando, devagarzinho conseguiram autorizações parciais, depois totais para frequentarem ambas. Primeiro tomaram conta do SDS - Santo do Dia do Sábado, onde começaram a fazer proclamações e encenações antes de Dr. Plínio começar a falar, sugerindo temas para serem tratados. Depois, começaram a vir às reuniões do meio da semana, onde, pouco a pouco, transformaram-nas em reuniões SDS.

Foi nesse contexto que Pedro Julião, com toda sua expansividade, deu início à prática dos "oohhhs".

Acontece que com o advento da invenção petrojulianina, apareceram outros personagens, alguns pitorescos, outro francamente patiosos, outros ainda, os dois. Por exemplo, o primo de Pedro Julião, Pedro Henrique, era um caso típico da junção de pátio e pitoresco. Ele esclamava algumas vezes por pátio, outras vezes com autenticidade e, nessas últimas, dizia coisas pitorescas. O Fenomenal! nasceu com um indivíduo de nome Nivaldo Moretti. Era um sujeito calado, introspectivo, mas começou a reagir com um "Fenomenal!" discreto mas pronunciado (por alguém que quase não abria a boca) de um modo muito engraçado. Ficou até apelidado de "Fenomoretti". Já o "Impressionante!" surgiu da boca de um super patioso, o infeliz Luiz Henrique, hoje padre. E assim por diante. 

Essas reações aos ditos do SDP surgiram expontaneamente, fruto do entusiasmo de uma nova geração que já estava no grupo, fruto de diferentes apostolados, mas que João Clá reuniu no Jour-le-Jour dos domingos. Não foi ele quem inventou isso, ele apenas começou a:

1. Tentar controlar isso, manipulando de modo artificial aquilo que era expontâneo. Essa manipulação acabou dando nos exageros, na manipulação individual de alguns assistentes que começaram a exclamar para aparecer diante do João Clá e serem notados, em abusos mesmo (houve um SDS em 79 em que isso foi a um limite tão insuportável que o SDP comentou que aquilo parecia uma sessão da Revolução Francesa. Disse que se aquilo se repetisse, ele não faria mais aquela reunião, o que provocou a ira do organizador da coisa, JCD, contra o Pedro Julião, que foi obrigado a pedir desculpas públicas ao SDP na reunião seguinte).

2. Usar esse fato contra seus adversários. JCD percebeu que aquela agitação irritava alguns mais velhos ou os de sua idade. Especialmente aqueles que tinham tido (com razão ou sem razão) diferenças com ele. Como por exemplo, Átila (que na briga com os mais velhos foi - pasme! - como Cosmim, seu aliado). Então ele começou a dizer que quem não reagia daquela maneira era sabugo, não tinha entendido nada do que o SDP tinha dito ou querido dizer que isso, e aquilo. Fazia arengas sobre isso nos lugares onde podia fazer sem ser repreendido (claro que na frente do SDP ele fazia-se de santo, desmentia quando alguém o acusava de promover a revolução etc.), começou a inculcar nos mais novos a revolta contra um grande número de pessoas. Engraçado, diria La Fontaine, essas pessoas... reagiam! E como diz JC nesse vídeo, colocando-se humildemente na mesma situação que Nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador, "Quem não está comigo, está contra mim!", todos os que o atacavam estavam contra ele, contra o SDP, contra..., sei lá, ele diria em um momento de entusiasmo e loucura, que estavam seus adversários "contra a ordem do universo", ou outra baboseira qualquer. 

Eu assisti tudo isso e dou fé. Me lembro que analisava as pessoas que, atacadas pelo moleque João Clá, reagiam contra ele e contra seus manipulados. Eles tinham seus defeitos, mas estavam ali, dispostos a dar muito ou pouco de si pela TFP. Pouco importa o quanto cada um estava disposto a dar, a política do SDP foi sempre de aceitar o quando cada um queria dar de si e fazer daquela doação motivo para a pessoa, na sua própia velocidade, melhorar e entender mais, dando mais. Em todo caso, estávamos todos dentro do mesmo barco, havia provas, no passado e naquele presente, de sobra para provar isso. Não justificava a agressão que JC fazia continuamente e, dissimulado que era, negava diante do SDP. 

Comentarios

  1. Macanudo,

    Totalmente de acuerdo!!! Pero mi experiencia era que los "noooosssaa" no eran meramente un asunto "do temperamento de cada um". Habia una presión patiosa, y "quedaba bien" ante JCD y su clique, manifestar admiración con ese tipo de exclamaciones, aunque no fueran naturales de la persona. Como vos decis, a mi muchas veces me impresionaron o tocaron muchos comentarios de PCO en reuniones varias... no por eso me ponía a exclamar "nooosssa" como Pedro Julian...

    Lo que empezó como una presión, termió manifestandose como hostilidad hacia los que no se plegaban a esa griteria.

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  2. Definição alaranjada. As exclamações eram claque mesmo. Eram orquestradas pelo João Clá. Eram hinos do "pátio" para se opor aos "Tiroleses". E o articulista deixou de exemplificar a exclamação "divino" ditas por alguns dirigidas ao Dr. Plínio.

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  3. Si... es una definición "alaranjada"... pero no olvidemos que Macanudo es, pese a ser un crítico severo de Joao Clá, un admirador a ultranza de Plinio. Por lo que sus críticas tienen que ser medidas no vaya a ser que al criticar demasiado a uno no se critique un poco al otro.

    Es un equilibrio muy difícil para los "provectos" que rescatan incondicionalmente a Plinio mientras que condenan totalmente a Joao Cla!

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