Veritatis Splendor: ¿Uno de los mayores dramas en la historia de la Iglesia?

Introducción: Abajo palabras de Plinio Correa de Oliveira analizando la encíclica "Veritaris Spendor", proclamada por San Juan Pablo II el 6 de agosto de 1993. Plinio habla durante un "Santo del Día" (reunión abierta a todos los miembros de la TFP), el 8 de octubre de 1993. 

La reunión es más larga de lo presentado acá. No trascribo lo que sigue a la introducción del tema, que son varios comentarios de Plinio, no sobre el texto de la encíclica en sí, sino sobre la reacción de la prensa a la misma.

En síntesis, Plinio opina que esta encíclica papal es "uno de los mayores dramas" de la Iglesia Católica, y que "los pecados que pueden ser considerados integrantes de la encíclica ... son tales que deben haber arrancado de Nuestro Señor sus más dolorosas exclamaciones".

Dejo al lector que lea la encíclica, lea los comentarios de Plinio, y saque sus conclusiones.

* * *

Cosas oyeres Sancho que non crederes...


Santo del Día, 8 de octubre de 1993

... tenho minhas dúvidas a esse respeito, porque não é uma encíclica extraordinariamente difícil do ponto de vista doutrinário, ela não levanta questões muito delicadas, que pedissem consultas a muitos teólogos e em que os teólogos consultados discutissem entre si, o próprio Santo Padre ficaria na dúvida também, e como ele não pode pronunciar-se a não ser tendo uma certeza interior de que essa é a verdade, para adquirir essa verdade teria de levar muito tempo, etc., etc. Mas no total nada da encíclica justifica essa hipótese e essas demoras. É uma encíclica plutôt fácil.

Ela é uma encíclica que é importante porque ela afinal repete ensinamentos que ficaram muito tempo dormindo, a respeito dos quais foram ditas coisas por autoridades eclesiásticas, coisas temerárias, pelo menos, em sentido contrário, em que a voz dos Anjos no Céu e das almas justas na Terra bradavam por uma palavra de esclarecimento, e que afinal de contas veio.

A encíclica vem com as roupagens do atraso, ela não vem com as roupagens da pressa, da precipitação, etc. De maneira que essa história da precipitação me deixa com uma certa dúvida.

Houve precipitação? Não sei. Não vejo.

Agora, por outro lado é verdade que sendo a encíclica o que é, e sendo o livro da nobreza o que é, o livro da nobreza em algo atrapalha a encíclica. Mas a gente poderia dizer que também a encíclica atrapalha em algo o livro da nobreza e que a coisa é um a um. Porque não tem dúvida de que o livro da nobreza atrapalha a encíclica porque combate o espírito revolucionário. Mas também não tem dúvida de que a encíclica atrapalha o livro da nobreza no sentido de que a parte dita severa da encíclica chama muitíssimo atenção e leva muita gente amiga do livro da nobreza a acreditar que a encíclica é uma obra-prima de reação e, portanto, deitar em toda a "estrutura" que lançou a encíclica um ato de confiança que desvia o espírito de alguns dos horizontes e das perspectivas do livro da nobreza.

De maneira que é uma espécie de qui pro quo de lado a lado a respeito do qual é prematuro a gente formar alguma positiva interrogação.

É melhor deixar que entrem os que querem...

(Sr. Joao Clá: Eu não sei se já seria oportuno ou não, mas eu gostaria muito que, se fosse possível, o senhor nos desse uma noção bem clara de que estado de espírito nós devemos ter para acompanhar inteiramente o senhor no que diz respeito ao lançamento dessa encíclica. Ou seja, como é que nós devemos estar interiormente para termos uma inteira união com o nosso Fundador?)

Pois não.

Mas eu confesso que tenho uma certa dificuldade de prestar atenção no que eu mesmo estou dizendo quando a movimentação é agradavelmente numerosa no auditório. Agradavelmente numerosa porque é um grande número de pessoas que está chegando. E que se chegue para essas reuniões não pode deixar de me agradar, mas de outro lado o vaivém me atrapalha na exposição. E eu quero ver se esperamos mais um instantinho para depois então nós começarmos a nossa exposição. A nossa reunião hoje é consagrada ainda à encíclica. E como nós veremos, vamos ter logo mais comentários de textos da encíclica ou de comentários sobre a encíclica publicados pela imprensa. E vai ser a matéria dessa reunião. E, propriamente, a pergunta feita pelo meu João, se responderia melhor pelo fim da reunião do que agora. Mas lançada a interrogação, ela é uma interrogação cheia de vida, e é preciso respondê-la logo. Então eu respondo logo.

Como os senhores verão logo mais, tudo quanto se disse no dia anterior a respeito da encíclica se justifica inteiramente com base no que está sendo comentado ou que está sendo publicado a respeito dela. E por causa disso, nós estamos de fato diante de um dos maiores dramas da Igreja Católica. Talvez, exceção feita da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, o maior drama pelo qual a Igreja tenha passado nesses dois milênios de existência.

A atitude normal de um católico vendo a sua Mãe, a Igreja Católica, passar por essa crise, é uma atitude antes de tudo de profunda tristeza, porque é uma vergonha que a Igreja passe por essa crise. É um perigo para incontáveis almas que a Igreja passe por essa crise, e por essa razão nós podemos ter a certeza que quando Nosso Senhor do alto da cruz viu tudo quanto haveria de ser feito de pecados no mundo contra a obra de redenção que Ele estava completando de um modo tão infinitamente doloroso, que Ele sofreu enormemente vendo todos esses pecados.

Mas os pecados que podem ser considerados como integrantes da encíclica ou constituindo como que uma espécie de periferia da encíclica, estes são tais que tem que ter arrancado a Nosso Senhor as mais dolorosas das suas exclamações. E, evidentemente, tem que ter provocado no Sapiencial e Imaculado Coração de Maria que pulsava de dor no peito da Santíssima Virgem enquanto Ela estava de pé aos pés da cruz, tem que ter produzido sofrimentos verdadeiramente inenarráveis.

Pensando em quanto Nosso Senhor, em quanto Nossa Senhora sofreram por causa do que agora está se passando, nós não podemos deixar de ficar consternados muito mais do que em qualquer Sexta-Feira Santa, porque é o ponto mais agudo da Sexta-Feira Santa, quiçá, que se medita e que mostra todo o seu horror nessa ocasião em que nós estamos vivendo.

Agora, também é verdade, por outro lado, que há um pecado especial que se faz notar aqui e que eu gostaria de representar da seguinte maneira.

Nós sabemos que o homem contemporâneo é um adorador do prazer, adorador do gáudio, adorador da diversão, e que ele tem horror ao sofrimento. Ora, nós vemos que a meditação da encíclica convida a um sofrimento agudíssimo, e nós podemos compreender quantas e quantas almas evitam de pensar nisso e evitam de ver a fundo o que está se passando para não sofrer em união com Nosso Senhor no alto da cruz.

Acontece que nesta situação muitas almas procuram então levar uma vida de indiferença, num estado de ânimo parecido com o de numerosas pessoas que já criam em Nosso Senhor como Homem-Deus, mas que durante a Paixão, durante a Via Sacra vendo passar pela via dolorosa, sofrendo alguma coisa pelo que Ele sofria, entretanto, achava melhor não pensar, até sair, ir embora, pensar em outras coisas, etc., para não sofrer algo de parecido com o que Ele estava sofrendo. 

Uma prova disso nós temos no seguinte: Nosso Senhor fez milagres em quantidade, pregou maravilhas em quantidade. Aqueles milagres, aquelas maravilhas têm que ter impressionado aquele povo, pelo menos uma parte daquele povo. Não seria concebível que esta parte santamente impressionada se mantivesse numa atitude tão quieta, tão inerte diante do que se passava que eles não tenham feito nada e que a única pessoa que fez alguma coisa em favor de Nosso Senhor durante a Via Sacra tenha sido a Verônica com o seu véu, no qual ficou estampada, depois, a face sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mais ninguém, mas verdadeiramente mais ninguém tomou essa atitude a não ser ela.

As mulheres dolorosas e Nossa Senhora juntaram-se mais adiante a Nosso Senhor e foram até ao alto da cruz. Nossa Senhora está acima de todo o elogio. As santas mulheres que A acompanharam merecem o elogio que participa do elogio que Nossa Senhora merece. Mas fora disso, inércia. Não que vaiassem a Nosso Senhor, não que atirassem objetos nEle, não que estivessem contentes com o que se passava, mas é simplesmente porque eles não queriam entrar no fato, não queriam beber o cálice de dor de Nosso Senhor, não queriam que aquela dor torturasse o coração deles. Por não quererem isso eles tomaram aquela atitude passiva.

E há incontáveis pessoas da Igreja Católica – já não falo de protestantes, grego-cismáticos et reliqua, mas incontáveis pessoas da Igreja Católica – [que] vendo o que se passa na Igreja estão tomando uma atitude parecida com essa:

"Levem a vida de todos os dias, vamos ver o que vai acontecer. Isto é lá com a Igreja! Isto é lá com Jesus Cristo. Eu, por mim, tenho um automóvel bom e vou fazer uma excursão nesses dias feriados. Não vou pecar durante esses dias, eu vivo no estado de graça, mas eu vou agradavelmente me esquecer de que Ele está sendo torturado, de que Ele está sendo morto, de tudo que está acontecendo e vou cuidar de tomar banho de mar. Que mal há em tomar banho de mar? Só mesmo o feitio de espírito inquisitorial de um Plinio Corrêa de Oliveira é que pode levar a censurar que eu, pelo contrário, que tenho durante a semana tanto trabalho, aproveite meu feriado para gozar tomando um banhinho de mar".

Dirão: "mas e Jesus Cristo, você não se incomoda?"

– Você não entende que eu não agüento levar junto o trabalho de todos os dias e ao mesmo tempo a Paixão e a Cruz de Cristo? 

Se eu não trabalhar, morro de fome; se eu não carregar a cruz, não me acontece nada. 

Então deixo de lado a cruz e eu vou tomar banho de mar. E está acabado.

Esse estado de espírito é um estado de espírito de numerosos católicos. E eu qualificaria assim:

Os senhores imaginem uns católicos relaxados que nesse estado de espírito tenham chegado até o alto do calvário, e não tenham querido abandonar a Nosso Senhor, mas sobretudo não se associaram verdadeiramente à dor dEle. 

Então [é] como estivessem a estrada e a rua muito empoeiradas por toda aquela gente que passava lá, as ruas daquele tempo muitas vezes não eram calçadas e eram, portanto, muito poeirentas e mal cuidadas e, portanto, esse caminho é um caminho difícil, etc., subir o Monte Calvário – subir o monte não é uma brincadeira, sobretudo depois que se atingiu uma certa idade. 

Então alguns católicos subiram, mas entenderam que podiam levar para o alto do Calvário alguma consolação. E, portanto, cada um deles levou num saco portátil, a tiracolo duas ou três garrafas de Coca-Cola bem geladinhas e bem frescas que eles podiam ir bebericando à medida que Nosso Senhor ia morrendo. Isso tornava muito mais fácil a presença ali, porque a Coca-Cola é uma Coca-Cola, é uma bebida do prazer, do riso e do gosto. E auxiliava a agüentar aquele panorama tristíssimo.

E então beber Coca-Cola gelada, fresca, agradável, enquanto Nosso Senhor morre, enquanto a gente foi lá para vê-Lo morrer, simboliza um determinado estado de espírito que infelizmente eu receio que se vá mostrar muito freqüente nos acontecimentos que vêm.

E este estado de espírito constitui a meu ver o pecado maior a que vai dar lugar a publicação da encíclica. 

Quer dizer, esta indiferença diante do pasmoso, do terrível, do inimaginável, daquilo que seria ímpio que nós imaginássemos que era possível e que entretanto acontece em todo o seu horror. É a Bagarre que vem se aproximando, ela vem se aproximando com todo o seu desejo de destruição, é o fruto de um trabalho de autodemolição da Igreja Católica que já por Paulo VI foi definido, e definido em termos de censura. 

Entretanto, aí está, há o Calvário, há Ele que morre, há Ela que sofre, São João Evangelista se reergueu de dentro do pântano de seu medo e chegou até os pés da cruz e a ele foi dada Nossa Senhora como Mãe, e a Ela foi dado ele como filho por Nosso Senhor. O Bom Ladrão já foi perdoado, os últimos momentos estão se aproximando, um diz baixinho para o outro:

"Minha Coca-Cola está acabando, e eu vejo que Ele ainda leva algum tempo para morrer. Não daria tempo da gente descer até o armazém embaixo e comprar mais Coca-Cola para não sofrer sede?"

Quer dizer, Nosso Senhor está no momento de dizer: "Meu Pai, meu Pai, por que é que me abandonastes!" e esse homem embaixo está pensando na Coca-Cola dele. Ele não desertou dos pés da cruz, mas o que nele vive não é o amor a Nosso Senhor, é o amor a si mesmo e à Coca-Cola.

Isto é um horror de estado de espírito. Esse estado de espírito horroroso eu tenho impressão que vai se multiplicar indefinidamente.

Eu pergunto se eu estou claro no que eu disse?

E o que nós devemos mais do que tudo fazer é precisamente pedir a Nossa Senhora que nos liberte da mentalidade da Coca-Cola, nos liberte desse estado de espírito. Se Nosso Senhor está sofrendo, eu quero sofrer o que Ele está sofrendo, e sofrerei isto meditando nas dores dEle. E meditando nas dores dEle sentirei em mim o que Ele sente em Si, e é esse o meu dever dado a união que Ele condescendeu misericordiosamente estabelecer entre Si mesmo e mim. 

E o que não for isto eu considero uma abominação.

Os dias que se aproximam são dias de gravidade, são dias de tristeza, são dias de combate, são dias de luta, e no último fim do horizonte aparece uma alegria incomparavelmente maior do que a alegria da Coca-Cola: é um sol que nasce, é o Reino de Maria que aguarda os últimos instantes, os últimos tormentos, as últimas dores para nascer e encher de luz o céu. É assim que nós devemos considerar esses acontecimentos.

Eu não sei se eu fui claro... [Aplausos]

Agora vão ser lidos trechos de jornal que eu devo comentar para o efeito de perceberem bem quanto são fundados na realidade os nossos prognósticos dolorosos. 

Para quê? Para quebrarmos as garrafas de Coca-Cola que levamos em nossos corações. Para que todo o desejo de nos iludirmos sobre a gravidade da situação desapareça, e para que nós tenhamos diante de nós, nua e gotejando apenas o Sangue precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Cruz em que Ele morreu.

* * *

La reunión continua. Se leen varios textos de la reacción de la prensa europea a la encíclica papal, y Plinio hace sus comentarios a cada uno de ellos.

Comentarios

  1. Pfff!
    El mayor drama de la Historia de la Iglesia desde la muerte de Jesús Ntro. Señor o salvo excepción de la muerte de Ntro Señor, pero no dice POR QUÉ, NO va al meollo de la cuestión siendo que la misma no levanta doctrinalmente cuestiones de calado (dicho por él), donde los estudiosos de Teología, Filosofía que hubiere en el "grupo" etnonces, etcétera bien podrían haberle dado un parecer, una introducción ¿no? ; luego una invención de una fábula de los tiempos de Jesús que ni en los apócrifos está [vaya]; luego carga la conciencia del infeliz que sufridamente le escucha poniéndose en la piel desde Ntro. Señor, pasando por las stas. mujeres, llegando a un hipotético Cirineo, para terminar en Nicolas Cage living in Las Vegas drinking Coke?


    [todos a llorar compungidos porque la Iglesia está siendo conspurcada pero ... no sabemos de qué, por quién, ni por qué] porque Pablo VI dijo que el humo de Satanás se había infiltrado. Muy bien, ya está todo explicado.

    ¡¡TREMENDO!, ROMPEDOR!, muy serio sí señor! bravoooo!
    Saludos cordiales

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  2. Por lo que dice al principio, se ve que no quería consumar la exposición con el auditorio tan lleno (gente demasiado joven o indiscreta, qué sé yo). ¿No será que el quid del asunto haya quedado en otra parte, que haya hecho lo clásico de apagar las gravadoras?

    Saludos,
    C.

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  3. Não vejo gravidade no trecho. É uma descrição até curiosa que revela a concepção de um conservador quanto à crise da Igreja Católica (reconhecida por conservadores e modernistas).
    Por outro lado, confirmo uma observação pessoal, que os textos publicados por este blog também indicam. Qualquer assunto acaba derivando para uma doutrinação repetitiva de desconsideração do mundo exterior, e de insinuação que o membro da TFP é débil na sua militância.
    No caso, creio que a pretexto de falar do espírito-Coca-Cola no âmbito dos católicos em geral, ele uma vez mais falava para o seu público interno.

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  4. Sí, " até curiosa" como preocupante para aquellos que quieren vivir "ordeñando" a la Iglesia y del cuento, creyéndose los paladines de la Fe, los fieles por excelencia que marcan el "rumbo de la Historia" (¿verdad?) ... ¡Ah! y la potestad sin autoridad para fabulaciones de gente DEPENDIENTE ( una de las razones de tantos "Anónimos", que YA me ESTÁN HARTANDO) de gente infantil dependiente -reitero- de intermediaciones, mediadores y canales intermediarios. Sin verdadera Fe ni DECENCIA para ir por la vida mirando de frente porque sabe hacer (o le dejan) algo más ÚTIL para el prójimo y para la propia Iglesia. Quizá más de uno deba ponerse unas gafas (morales) para ver dónde está la GRAVEDAD de todo el "tinglado"

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