Un Disneyland contra-revolucionario
Introducción: Presento el texto completo de una reunión de "MNF" (quiere decir Manifiesto), realizada con Plinio Correa de Oliveira el 11 de octubre de 1974. Durante veinte años más o menos (algún veterano me podrá corregir), éste realizaba dos o tres reuniones semanales de este tipo con un grupo reducido de personas.
Los temas eran variadísimos. En esta en particular, Plinio habla sobre una versión TFP de Disnelyand, para educar a la gente en la historia y valores contra-revolucionarios. Una idea, como tantas, que nunca floreció, ¡pero que tal vez tenga su mérito!
Publico esta para dar al lector que se pueda interesar (y tenga mucho tiempo entre manos) una ventana al estilo de conversación / reunión que era común en la TFP: en el centro Plinio, y (dependiendo de que tipo de reunión eran distintas personas) otros instigando o sugiriendo temas para alimentar la línea de pensamiento.
Estas reuniones no eran (como salta a la vista) estructuradas de ninguna forma. Más bien iban un poco a la deriva en busca de "la gracia" que pueda suscitar algún tema interesante.
El interlocutor ASG es Átila Sinke Guimaraes, un tipo que ahora se mudó a Estados Unidos y tiene un sitio web Tradition in Action. Durante años fue el principal compilador de textos de la serie MNF, y el en grupo se habló durante mucho tiempo de su eventual publicación. No se en que habrá quedado eso. Átila (como salta a la vista en este texto) trata de guiar la conversación y juega el papel de escriba que ordena el asunto.
Un aparte: Átila era despreciado por el sector mas allegado a Joao Clá Dias (que no participaba de estas reuniones), y era objeto de todo tipo de burlas y desprecio por parte de los más jóvenes, incitados por Joao Clá.
* * *
Reunião do MNF – 11.10.74 — Sábado
[...] nós estávamos falando, outro dia, da formação completa de um membro do Grupo do ponto de vista do MNF, etc., etc. Eu queria dar uma comparação que é uma banalidade, mas que pode servir de uma certa utilidade para se compreender o seguinte: como nós estamos habituados a considerar de um modo, assim à maneira de dilaceração, certas coisas que são naturalmente muito unidas e muito conformes entre si.
Vamos imaginar, a idéia que nós poderíamos ter de um oficial da marinha perfeito. Esse oficial da marinha perfeito teria, -- o católico, -- seria um homem capaz de ter um espírito sobrenatural intenso -- e, portanto, colocando o grosso de sua esperança numa intervenção sobrenatural como a que houve em Lepanto, -- mas seria ao mesmo tempo um conhecedor perfeito da arte náutica e da guerra dentro da arte náutica e capaz de acionar perfeitamente estes princípios para a guerra.
Mas seria também um homem de uma mentalidade com alta carga simbólica e com todos os reflexos preparados para o entusiasmo e a coragem de maneira a lutar com o fogo necessário para vencer. E se a gente for imaginar D. João d´Áustria, --- não como ele era, como ele se tornou depois, porque ele decaiu, --- mas como ele era no momento da luta, a gente deve perceber que dentro de uma primeira impostação, impressão de heroísmo denodado que dava e que deveria dar, -- porque é a impressão mais saliente, mais alta aos olhos, -- um exame em profundidade revelaria a presença, mas não presença antitética, algo difícil de acomodar, dos dois outros elementos. E que, portanto, o imaginar a coexistência desses elementos como algo de tensivo, de problemático de inter-relacionar, é uma dessas deformações de espírito que nós não podemos aceitar.
Eu acho que a mesma coisa se pode dizer do cruzado perfeito. A gente vai ver, a decadência das Cruzadas se deve ao desconjuntamento desse tipo. Mas o cruzado perfeito tinha essas três coisas equilibradas, normais, -- São Luís, São Fernando, etc., -- normais, com a mesma normalidade como, por exemplo, vamos dizer, um homem pode ser em casa um muito bom chefe de família e, vamos dizer, o pai de Santa Teresinha, Mr. Martim: - ele ganhou tanto dinheiro na joalheria que ele pode se retirar depois e viver só de renda. Quer dizer, ele na hora do balcão era um homem que conhecia preço, discutia preço, vendia a bom preço, tinha gosto para atrair os clientes, para fazer uma vitrine bem feita. Era um homem de negócios, pequeno, não era um gênio, mas enfim, um pequeno bem sucedido, venceu a sua vida.
Ninguém vai imaginar que havia uma antítese como católico fervoroso ou uma antítese como pai de família extremoso. A gente olha para Mr. Martim a gente vê que está tudo junto nele, normalmente.
Eu teria muito empenho nesse pequeno traço fosse salientado para a gente compreender que o problema é falso.
(ASG: - É um pequeno traço que muda a clave da impostação.)
Muda a clave a impostação e, enquanto tal, indispensável.
... nota muito mais marcada, uma das três notas, são especialistas, que são inteiramente válidos e até preciosos na medida que tenham o espírito voltado para o conjunto. Então seria como, por exemplo, o Alcuíno, Roland e um místico, dentro da época de Carlos Magno.
(Dr. Adolpho: - Aliás, essa volta, que é uma volta para a benevolência, boa vontade, simpatia, etc., é uma coisa que deve ser vivida em toda essa diferença harmônica com a Cristandade. A mesma simpatia que teria o místico para o homem de ação e o homem de ação para o homem contemplativo. Quer dizer, o reconhecimento dos direitos do outro e uma certa admiração.)
Isso, e às vezes sôfrega. Sobretudo quando se trata de um caso muito característico de diferença. ... essa tendência, essa aceitação é tanto mais sôfrega quanto o indivíduo se radicalizou no extremo oposto da gente, não é o contrário.
(Dr. Adolpho: - ... do extremo, quer dizer, além disso precisa ter essa simpatia para com o outro.)
Isso. Vamos dizer o seguinte: - o extremo do guerreiro é mais ávido de encontrar o extremo do asceta do que o guerreiro comum um asceta comum.
(ASG: - Eu perguntaria o seguinte: - mesmo o extremo não teria que ter - por alguns lados da alma - algo do asceta, algo do ...)
É por isto que ele tem essa afinidade.
Agora, isto que debaixo de um certo ponto de vista é muito sabido, a fixação da clave carolíngea como sendo a luz na qual se vê e a afirmação disto como elemento característico do espírito da TFP, quer dizer, dentro da clave carolíngia, isto me parece o espírito da Confraternitas, me parece de uma importância absolutamente fundamental.
(Sr. Gregório: - Uma coisa que o senhor tinha tido na vez anterior, muito importante, que essa clave carolíngia, ela não é nem uma soma nem uma média das outras três, mas ela tem uma unidade própria por onde ela contém, à maneira de síntese, as outras três.)
É, exatamente.
(Dr. Adolpho: - Aliás, o senhor disse também a propósito da Idade Média, que a Idade Média tinha esses três claves como civilização.)
Exatamente, foi uma clave. Aí seria uma longa tirada a respeito do futuro nesse sentido.
Agora, nós entraríamos aqui num plano mais executivo, mas em que -- eu pediria para vocês me ajudarem, -- se reportassem aos tempos em que vocês eram novos no Grupo para perguntar como vocês teriam recebido essa formação, que bem isto teria feito se lhe fosse dado como eu vou dizer agora.
Por uma coincidência curiosa, vocês formam, na ordem das idades, quase uma escadinha. Formam uma escadinha e entraram em época diversa, porque o Adolphinho entrou no fim da Pará. ...
Eu vou indicar um pouco como eu imaginaria que seria uma perfeita formação de um novato à luz disto. O equilíbrio destas três facetas de um modo vivo só pode-se manter se houver um sistema duplo que fosse o seguinte: - alguns dentre nós profundamente conscientes e imbuídos desse equilíbrio e como que impondo, querem (?) os especialistas querem (?) as caricaturas. Quer dizer, suporia um esforço concertado de que nós deveríamos falar, um programa.
(ASG: - Agora, apenas para despolir: - especialista o senhor não está tomando no sentido pejorativo?)
Não. Eu estou tomando no sentido laudatório. As caricaturas eu tomo no sentido pejorativo, mas aos especialistas é no sentido bom da palavra.
Agora, é preciso dizer também que o pessoal novo que fosse entrando, que está entrando, fosse formado nessa direção. Eu tenho a impressão que o verdadeiro seria não fazer o seguinte – seria o contrário da formação que eu pretendo dar: – cursos diferentes, ainda que simultâneos, nas várias pistas. Porque aí em vez de formar a tal unidade carolíngea que eu quereria, já ia mostrando ao indivíduo a associação e não a união da coisa.
Então, aqui eu acho que seria errado. Seria a montagem de um currículo muito especial que seria o seguinte: - na interpretação das vertentes, tomar em consideração que há dois modos pelo qual o indivíduo entra na TFP. Um modo é: - o indivíduo entra para a TFP preocupado sobretudo com a salvação eterna e cristalizado com o horror que está se dando aí fora. Então a ser baldeado, - conscientemente, não subconscientemente, - a ser baldeado para uma posição de idealismo, de heroísmo, de amor à Causa.
Há outro tipo de indivíduos que entram na TFP por amor à Causa, não tão preocupados com o problema de salvação eterna, e aos quais a gente deve fazer compreender que eles só podem servir adequadamente à Causa se cuidarem também da sua salvação eterna. De maneira que isto deveria ser detectado logo no começo e diferenciado. Porque os primeiros não entram com um flash e não têm propriamente um flash para desenvolver. Eles têm antes uma certeza para adquirir, de pedra e cal, e durante esta certeza, o processo de aquisição dessa certeza, a Providência vai dando flashes, que é uma coisa completamente diferente, até que o indivíduo se torne flashoso. Enquanto os do primeiro tipo entram num flash. E eles devem ter então algo que desenvolva neles esses flashes e de vez em quando ir despertando neles a reflexão a propósito dos flashes que eles tiveram.
De maneira que eles fiquem habituados a levantar questões doutrinárias, não no ar, mas a propósito dos flashes que tiveram. Eu não sei se os dois processos estão indicados. Que significariam dois noviciados. A não constituir um clima depreciativo quanto aos da primeira pista.
(Ap: - Agora, no da primeira pista como seria desenvolvido?)
... vocês tomem rapazes de famílias geradas, direitas, que eles mesmo foram educados com restos de constatinianismo e compreendendo que eles têm que ser rapazes direitos e que eles não podem se deixar tragar pela corrupção contemporânea nem perder as próprias almas. E ouvem falar em casas de horrores, a corrupção dos costumes como está, etc. Alguma coisinha de comunismo, mas muito pouca coisinha.
Eles não têm idéia do que os jornais começam a chamar, pitorescamente, chamar “o juízo final”, quer dizer, Bagarre naturalmente.
(Ap: - Essa expressão foi um discurso do Ford.)
Mas já antes e depois dele se tem usado, recentemente. Agora, foi a mais alta afirmação. Agora, o “juízo final”, quer dizer, a Bagarre. Mas eles não têm idéia de um Juízo Final, nem nada. Eles são, antes de tudo, eles têm o intuito de conservar e restaurar a ordem atualmente existente.
(Ap: - São contra o comunismo porque destrói a união da família.)
Isso, mas assim mesmo são contra o comunismo um pouco mais remotamente. São um pouco sujeitos – no sentido bom e não freudiano da palavra – uma espécie de obsessão sexual no seguinte ponto: - ser casto e terá todo o resto.
(Sr. Gregório: - Um pouco são essas famílias que mudaram para o Portugal.)
Isso, exatamente.
Agora, eu consideraria um erro grossíssimo debicar disto ou dar pontapé nisso. Eu considero uma porta de entrada e esta porta tem que estar limpa, convidativa e aberta. Este é o primeiro ponto.
Para essa gente, o problema é um problema, - eles entram não por um flash, mas por uma cristalização. Nosso pessoal que entra do outro tipo entra por uma cristalização e não por um flash. Os primeiros entram por uma cristalização e não por um flash, os segundos entram por um flash e não por uma cristalização.
Então, nós podemos dizer que existe a porta da cristalização e a porta do flash. Na porta da cristalização é preciso haver uma série de conferências que mostrem para eles o seguinte: - que essa coisa assim é muito justa, muito nobre, que eles devem defender os valores que há dentro disso, mas que esses valores estão de tal maneira comprometidos que quase não são salváveis. Segundo lugar, por quê razão? É por uma causa muito profunda, vem há 400 anos, são as Três Revoluções que produziram isso. A esse respeito toma nota ... uma aula de história no colégio, sem perceber nada dos flashes, das Três Revoluções, nem nada.
Depois então mostra a ele o valor sobrenatural e, em geral, os programas adotados para as Semanas de Estudo, SEFACS, problema ideológico corresponde às necessidades desta família de almas.
(Ap: - A outra fica desprovida.)
Fica desprovida
(Ap: - O senhor também está dando uma coisa rombuda. Pode haver uma coisa que seja meio termo.)
Claro. Eu estou dando exemplos rombudos para nós nos tornamos claros. É claro que nas encostas de todos os picos existem as situações intermediárias.
(Ap: - Essa expressão que o senhor disse, que não ter nenhum flash. Pode ser que a pessoa tenha tido algum flash assim pequeno.)
Pode, perfeitamente. Eu estou... O que eu chamo exagero pedagógico – que é indispensável para ensinar, desde que a gente diga que é exagero pedagógico, que não apresente aquilo como realidade – é pintar no quadro-negro uma aranha desse tamanho para os alunos ficarem sabendo como funciona a aranha por dentro. Os alunos sabem que a aranha não tem aquele tamanho. É exagero pedagógico, que é um recurso legítimo de ensino.
Agora, então, para estes a gente deve... Quem tivesse, vamos dizer, eu nem sei se a expressão “mestrado de noviço” seria usável; - se não valeria a pena instaurar outra expressão. Também não gosto de “monitor”. Precisamos escolher outra palavra, mas enfim, o que fosse o abridor das vias, --- nós haveremos de arrumar uma palavra para isso, ---deveria estar atento para o primeiro momento, para [quando] os primeiros flashes aparecessem, ou provocar um pouco esses flashes a respeito do pulchrum.
A partir do seguinte: - esse sujeito tem uma certa noção do pulchrum da pequena ordem doméstica na qual ele se criou. Então, começar, e, vez de apresentar um pulchrum assim que o assusta, para qual ele não tem a vista feita, no comentar a ordem doméstica e social que ele achou bonito e que muitas vezes se confundirá com a alta do milho, que ele não saberá distinguir da alta do milho.
Começar a dizer: - como isto é verdadeiro, bem organizado, como é o belo também.
(Dr. Adolpho: - como se insere o anacronismo criativo?)
Vem do outro lado. “Como é belo, como isto é nobre, como isto é não sei o quê”. Então primeiro diz assim: - como toca ao sentimento. Depois de mostrar que toca no sentimento, mostrar que toca no belo; - que a porta para esse gênero de gente, a porta do belo é o sentimento ... não deve ser sentimentalismo: - “mas tal coisa assim, veja como isto é belo”, etc., etc. Na Idade Média, -- aí anacronismo criativo para esta gente é meio diferente, -- na Idade Média a pequena cidade burguesa, pequena vida de família, etc., depois a pequena unidade, depois o pequeno feudo, introduz um castelo, salvar as almas, o vigário da paróquia, etc., etc.
Depois num degradé chegava até as Cruzadas. “Veja que horror! Os maometanos queriam destruir isto, os hereges queriam destruir isto! Veja os cátaros e os albigenses que queriam fazer poligamia!” Quer dizer, é um anacronismo criativo especial.
(Ap: - Este processo seria para interessá-lo pela Causa, mas ...)
Transferência do problema individual para a Causa, por um processo lógico. Processo lógico, psicológico, no seguinte sentido: - que a partir do que ele admite, levá-lo logicamente ao que ele não admite, que é, a meu ver, o esquema ideal de toda conversão. Todo conhecimento humano é esse: - levar a partir do que admite para o que não admite.
(Sr. Gregório: - Mostrar inclusive que o que ele admite só se sustenta por outras coisas.)
Exatamente. Então ter, por exemplo, a esse respeito, material adequado. Não precisa ser opulento, porque essa gente não deve ser levada a entusiasmar-se logo. A alma deles pede uma persuasão calma antes do entusiasmo. Aos poucos depois então, a cidade, a corporação e sempre pelo contraste. Então, os hereges o que diriam, os cátaros, os albigenses, os judeus, os inimigos do Céu, os muçulmanos, o céu desbragado que os muçulmanos queriam e que é parecido com a boate que tem perto da casa dele e que enche a mãe dele de horror. Então relações deste gênero para criar a idéia do bem e do mal, mas a propósito daquilo que ele vê que é bem e que ele vê que é mal.
Até a idéia da luta está montada. É aí que a idéia da luta é grandiosa, é universal, que abarca por super-eminência a lutazinha que ele viu, mas nunca comparar de pontapé e de desprezo para a lutazinha que ele viu. Isto eu consideraria o erro, coisa que eu não aceitaria.
(ASG: - Eu não sei se é certo, mas eu tenho a impressão que na fase da luta que se põe o duro da entrega dele, porque como ele tem que passar de uma luta que é uma coisa pequena para uma coisa muito maior, ele pode aceitar a causa um pouco platonicamente. )
E aí vem a idéia de uma entrega total, formidável, etc. Eu tenho a impressão que aí devem nascer os flashes e que ele se entusiasma e ele se alegra. E ele passa a ser então, vamos dizer, o Carlos Magno, o par dos pares, o protetor, a muralha da Cristandade contra esta ordem, então, veja Rolando que fez.
Esta seria uma pista. A outra pista...
(Ap: - O anacronismo criativo não tem um papel ...)
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| ¡Walt la tenía clara! |
Tem dois papéis. Há um anacronismo criativo que é a partir de como isto era na Idade Média -- e eventualmente representações, reconstituições de interiores, etc., -- como isto era na Idade Média. O ideal seria quase um Walt Disney disto da Idade Média.
(Ap: - Construir um castelo para nós.)
Isto. E depois chegar ao que nós queremos. Mas se houvesse possibilidade, por exemplo, num grande eremo, numa coisa qualquer, ter, por exemplo, uma casa de camponesa medieval feita, e dentro bem familiosa, inclusive familiares, no sentido bom da palavra, inclusive do lado de fora com gerânios cultivados, que alguém cultiva. Janelinha com o fundo de garrafa, etc., etc. Se o sujeito quisesse passar uma noite nesta casa podia para tomar a degustação, com estes vasos de chope etc., etc.
Agora, o outro entra nestas clarinadas das Três Revoluções e da ... então este seria introduzido o anacronismo criativo como ele é agora, logo de cara. Então, castelos e lutas, Chanson de Roland, ao mesmo tempo crime do comunismo, procurar dar gosto da Revolução Francesa, que é uma coisa inteiramente central dentro disto e que a gente deve fazer compreender. Então, toda montagem desse tipo. Mas o curso intelectual do primeiro ia ser o curso clássico já recebido. No curso segundo seria: “você veja, essas coisas que você está admirando, o ambiente em torno de você” - critica de tal maneira. Por exemplo, monta um rapaz de pagem, etc. - critica de tal maneira; - essa alabarda representa uma ameaça a quem pensa de outra forma, todo o mundo deve ser livre de pensar; - essa roupa cara representa um insulto aos pobres, todo mundo deve vestir-se de modo modesto; - você veja a roupa de hippie e compare com isto. E aí entraria, por exemplo, com o problema da pureza.
O tipo puro, você veja bem que isto aqui fica bem com uma cara pura. Contra isto eles dizem assim; - o que você saberia dizer para defender isto contra as objeções que o ambiente seu dá; - aqui está tal ponto de doutrina católica, aqui está tal outro e tal outro. Então, iria por esta forma remontando ao curso do outro, mas a propósito de um prosseguir de flashes.
(ASG: - Um seria da frente para trás e outro de trás para frente.)
Isto, exatamente. Mas seriam cursos, vamos dizer, em tese, distintos.
(Ap: - Para não apresentar a coisas como uma coisa dividida já, como o senhor falou no início.)
É, isto seria uma parte operativa. Eu digo mais: - para certas almas meio de posição intermediária, a gente compor um currículo que tivesse ora uma, ora outra. Isto deveria haver um orientador com senso psicológico, mas fazendo com que o indivíduo que entra pudesse ele ser colocado diante das duas modalidades e ele optar. Ainda que ele batesse um pouco a cabeça, primeiro fosse para um curso, depois para outro, até ele mesmo se instalar bem, eu creio que seria interessante. Para o sujeito poder seguir e sua própria via sem pressão, sem demais canalização.
No início haveria uma pequena conferência sobre isto. Uma pessoa, eu creio que deveria ser até numa conversa individual, deveria estar habilitada a dizer isto. “Tem tais pontos, tais outros, etc.; - você, como você entrou, o que você mais deseja ver na TFP; - me conte a história da sua vocação, como você sentiu a vocação. Ah, está bom. Eu proponho que você veja isto assim, mas você querendo veja também um pouco para ver também como é”. O que não se deve fazer uma coisa tal que um curso seja secreto e hermético para uns e outros.
Mas dar essa impressão de boa casa de família que tem a TFP, em que tudo é aberto, em que tudo se conhece e que não é assim uma espécie de “bram!”, você para lá, você para cá. Não é nossa tradição carolíngea. É fleurismo (?) moderno, mas não é nossa tradição carolíngea.
(Aparte inaudível)
Não, de nenhum modo. Agora, outra coisa, não tenhamos a ilusão que seria um happy end tecnicolor -- e que por isto não é verdadeiro, -- que todos os indivíduos da primeira linha acabariam na segunda, porque não é verdade.
Em alguns acabaria, em outros eles ficariam completos com todos [os] aspectos, mas com uma nota tônica própria de seu espírito da primeira linha.
Agora, eu concebo também que houvesse alguma coisa que poderia se difundir com o curso da porta da cristalização. Algumas cristalizações são levadas pela falta de religião e não propriamente pela moralidade, mas poderiam se fundir, imbricar aí o ateísmo, etc., imbricar criteriosamente. Nós poderíamos fazer um curso, outro curso: - seriam duas famílias de almas então – eu volto a dizer – dos cristalizados e dos flashosos.
Os flashosos às vezes tiveram flashes a propósito de uma cristalização, mas a cristalização o flash indica outro rumo para a coisa. Vocês não acreditam que se vocês tivessem sido formados num desses dois métodos teria facilitado a formação enormemente, enormemente, ou não?
(Dr. Paulo Brito: - Os flashosos correspondem à família de alma da outra vez, ou não?)
Não. Essa é a porta por onde se entra numa daquelas família de alma.
(Dr. Paulo Brito: - São duas portas então? Quer dizer, os cristalizados o que é que são?)
Os que entram para a TFP mais horrorizados com a imoralidade moderna, que vai destruir o próprio lar, a própria família e ...
... é evidente aqui para nós que é pela porta do flash que a TFP recebe a sua mais alta graça, o seu mais esplêndido dinamismo. Mas nós seríamos igualitários se nós quisermos afirmar a impossibilidade da existência de uma modalidade esplêndida e, no entanto, menos alta. Daria um igualitarismo para cima e nós também não podemos aceitar.
Agora, vocês acham que isto lhes teria facilitado se fosse assim, ou não? O que não dá propriamente um noviciado, não é propriamente o que se chama noviciado.
(ASG: - Eu tenho a impressão que entrei pelo flash.)
Entrou.
(ASG: - Agora, o problema era depois saber se aquilo não era uma ilusão, porque tudo dizia o contrário. Então tem aquele dirigido espiritual, então chega na direção espiritual: você tem problema de orgulho porque você é alemão ... até arranjar clima para sobreviver, o flash levou na cabeça.)
Ah, muito! Muito! A tal ponto que você poderia me fazer a pergunta seguinte: -por que eu não fiz isto há muito tempo? Por que não fiz desde o começo? É uma pergunta que poderia me fazer.
Quer dizer, aí a gente vê os tais progressos da TFP, que por alguns aspectos parece que não está progredindo, mas está.
(Dr. Adolpho: - Até o problema do flash não tinha muita base...)
Não tinha base criteriológica, não tinha nada. Há dois anos atrás, por exemplo, um ano atrás, sem as reuniões do MNF, sem o simpósio do progresso humano, essas coisas todas, essas coisas cairiam no maior descrédito, a gente não poderia fazer semelhante. Eu procurava fazer isto no contato pessoal, muito; me adaptando a cada um etc., etc. Mas era sozinho, eu não podia fazer isso.
Representa um grande progresso a gente poder na TFP instalar isso. É uma porta de ouro!
(ASG: - Agora, com as fitas que os três eremos recebem, a gente vê isto. O senhor tem aqui uma espécie de eco, mas depois dizer lá fora que ... eu digo, os eremos formam uma outra caixa de ressonância maior, que a gente vê que os que estudam em Jasna Gora, em vários lugares a gente vê direção espiritual. O senhor Umberto em “Itaquera”, de repente sai uma coisa em “Itaquera”.)
E que é o melhor modo de preparar. É por filtragens inopinadas, mas em geral profundamente adequadas para a realidade, é o caso concreto.
(ASG: - Eu não sei se existia antes, mas o pessoalzinho do Grupo, em geral, chega e pergunta: - hoje vai ter reunião do MNF? Eles seguem os dias do MNF, quer dizer, há uma expectativa em torno do MNF.)
Mas que há agora, antigamente não houve. Agora, um elemento precioso para isso é exatamente o que você disse: - está circulando nos eremos. A tal ponto que já me passou pela cabeça de arranjar um jeito de começar a circular em todos os eremos, metodicamente.
Agora, aqui eu gostaria de entrar num pormenor que é o seguinte: - isto suporia uma equipe dirigente, profundamente, que tivesse feito um simpósio, e profundamente compenetrada disso. E um currículo por onde não fosse lícito aos formadores, qualquer nome que eles tivessem, deixar de dar uns elementos standars a respeito disso.
Quer dizer, tem que dar tais pontos, ilustrar tais pontos com tais pontos característicos, padronizados, de maneira tal que o indivíduo pode acrescentar algo, mas um certo essencial ele não pode deixar de ter dado.
Vamos dizer o seguinte: - eu não acho nem um pouco que, já que eu falei de Marinha, seja extraordinário e seja o caso de impor, - talvez não seja, - mas a questão do Carlos Magno tem que impor. Não pode deixar de falar da coisa carolíngea. Se em vez de coisa carolíngea foi falar de Charrete, ou de ... não pode, é uma infidelidade.
Embora o sujeito tenha lido um livro sobre Charrete e dissesse coisa engenhosíssima sobre Charrete, mas não pode. Tem que ser Carlos Magno.
(Dr. Adolpho: - ... um trapista que está por trás do muro, está passando uma procissão maravilhosa, ele pode, ele não deve subir no muro para ir ver. Deve defender, morrer pelo princípio de que aquela posição deve existir, e a procissão tem que estar entusiasmada ao saber que atrás daquele muro existem homens que não estão olhando. Estes fatinhos assim, eu acho que são ...)
Isso. Estes fatos fazem parte do currículo.
Outra coisa, eu tenho a impressão que tem que haver folhas impressas, ou mimeografadas, sobre cada aula que o sujeito preencheria depois o que deu. Se tratou desse, desse, daquele ponto. De maneira que a gente tivesse certeza do que tratou. Do contrário nós caímos no terreno das maiores extravagâncias de talento. O que eu acho é o seguinte: - depois, em cursos de, por assim dizer, pós-graduação, seria a hora de se abrir os talentos. Aí o sujeito diria tudo quanto lhe vai na alma, etc. Seria outra coisa.
(ASG: - Os talentos também, quer dizer, não é tanto talento assim, a pessoa segue o negócio de maneira, o que tem de talento aí.)
É. Depois, vamos dizer, ... obediência, o indivíduo tem voto, tem obrigação de dar esse jeito.
(Dr. Adolpho: - Nós devíamos caminhar para ter um manualzinho que a pessoa também tivesse. ...)
É. E eu tenho a impressão que na conferência das Três Revoluções inclusive de ir apagando no quadro-negro o que cai, -- é indispensável, -- num quadro negro e apagando. Do contrário não se tem idéia.
(Dr. Adolpho: - As conferências que eu dei sobre a sociedade orgânica eu me lembro que fazia aquelas exposições, cada ano variava e era uma certa variação mista, mas precisaria ter um esqueleto...)
Digo mais, de vez em quando ter uma reunião em que se reexaminavam esses padrões para ver se aparecia uma frase feliz, uma impostação diferente, etc., mas tinha que ser aquilo. Um pouquinho Santo Inácio de Loyola com os exercícios espirituais. Eu queria estabelecer isto com os exercícios espirituais, como verdadeiros exercícios espirituais sui generis. Medite tal ponto, medite tal outro, pense assim, conclusões, etc., etc., mas com outra técnica, porque não é a mesma matéria. Mas, quer dizer, com aquela sadia uniformização.
(Sr. Gregório: - Isto que o senhor diz parece um pressuposto e a base sem o qual não há curso, não há nada, não há formação simplesmente. ...
Não há instituição. ...
Agora, outra coisa que está nessa linha e que eu gostaria. Mas aí de mudar violentamente de assunto, porque eu tenho a impressão que aqui se chegou ao que é razoável tratar na reunião do MNF. O resto seria entrar no prático-prático, que estaria errado.
(ASG: - Eu fico sempre com uma questão de consciência, isto eu tenho a impressão que deveria ser passado para a Comissão do Movimento, porque eles podem manusear isto.)
É claro. Mas, por enquanto, eu quero encaminhar a coisa da seguinte maneira: -espalhar isto e ver como em concreto isto entra. Depois a gente organiza, porque é assim, fica mais ....
(Sr. Gregório: - O senhor acha que nesses cursos de formação, o senhor acha que a graça aturaria como atua nas reuniões do MNF? Como o senhor vê do ponto de vista profético?)
Não, acho que ela aturaria como atua na entrada do indivíduo na TFP. Quer dizer, apenas facilitaria o jogo da graça. Algo da graça do MNF acabaria filtrando. Naturalmente deve se tornar o bem comum da TFP. O MNF é uma espécie de árvore frutífera, florífera e odorífera implantada no centro da TFP.
(Dr. Paulo Brito: - Esse curso de formação o senhor suporia uma certa distinção entre as famílias de almas dos cristalizados e dos flashosos, ou não?)
Ah, sim. Poria uma distinção nos dois cursos.
(Dr. Paulo Brito: - Dois cursos, agora com programas diferentes?)
Quer dizer, não com conteúdo diferente, mas com uma seriação, com uma técnica de ensino diferente.
(Dr. Paulo Brito: - Agora, o curso dos flashosos, que certamente é o mais difícil de ser dado, suporia algo que iria na linha de comentários, simbólicos, ambientes – costumes, etc., que a seu modo precisaria antes de entrar no grupo?)
E depois juntamente a polêmica contra os que objetam contra aquilo. Então precisa assente aqui, senão poesia, senão entusiasmo, como é que você responde, os que objetam contra isto dizem que é paternalismo, como é que você responde. Quer dizer, fazer o sujeito raciocinar e estudar em defesa do flash, que é como o flashoso estuda. Ele não estuda de outra maneira.
Eu não sei se estão percebendo aqui também, como isto é diferente de um padrão comum de ordem religiosa. Há pontos de se poder duvidar se é mesma coisa.
(Ap: - Aí também nasceu algo novo.)
Nasceu algo novo, que se inspira em boa medida aqui, tem mesmo solo, mas não os mesmos frutos.
Vamos agora passar para outro ponto, -- são dois pontos que são muitos caros -- para completar um pouco o périplo disso. Um ponto é o ponto de equilíbrio e o outro é o problema da instituição.
Eu gostaria de mostrar que em uma família e outra, quer dizer, quer dos flashosos, quer dos cristalizáveis, quer considerando as três famílias de almas que eu considerei da outra vez, há uma distinção entre, há um conceito de contemplação que é, -- vamos dizer, há duas maneiras de contemplação. Quer dizer, aqui também nós deveríamos distinguir, entra um pouco o problema da vida interior no meio, entram várias coisas no meio, mas que eu acho que a gente pode destrinchar.
Ponto de equilíbrio, vamos dizer, contemplação. A primeira coisa é o seguinte. A heresia branca costuma apresentar como ideal o seguinte: - o indivíduo faz todo dia uma meia hora de meditação. E são 30 minutos contados, não tem mais nem menos. Faz 30 minutos de meditação. Agora, quando ele se habitua naqueles 30, por uma espécie de faquirismo, ele vai aumentando para 35, 40, 50, que é uma espécie de termômetro para provar que ele está aumentando em virtude. O colosso seria ele ser capaz de fazer um dia de recolhimento, ou de três dias de retiro, que seria aquilo ininterrupto, então isto seria o perfeito. Ele alcançou o triunfo de sua vida interior.
Agora, nossa escola de meditação é uma escola completamente diferente no seguinte sentido: - ela deve acender no indivíduo determinados pontos de interesse nos quais, pelos quais o espírito volta prevalentamente porque corresponde às mais profundas tendências da alma e que faz com que o indivíduo tenha gosto de ler e estudar sobre aquilo e tenha gosto de relacionar a vida quotidiana com o que ele fez, com que ele leu, estudou sobre aquilo. Então, ele lê, estuda, reflete.
Vamos dizer, ele lê e estuda. Depois, nas horas vagas ele reflete a propósito das coisas que ele tem em mãos e pode também ter uma meia hora por dia em que ele reflete mais concentradamente sobre este assunto. Uma meia hora, 40 minutos, se quiserem duas meias horas por dia. A mais importante de tudo é a vida de reflexão.
(Ap: - E relacionar com a vida concreta.)
E relacionar com a vida concreta, de maneira tal que o indivíduo seja capaz de a propósito de qualquer fato concreto que se relacione com os seus grandes pólos de interesses, ele seja capaz de fazer aquelas aplicações.
(Sr. Gregório: - Isto o MNF dá, quer dizer, dá os interesses por esses assuntos para depois...)
Exatamente. E que corresponde à verdadeira vida espiritual que é a contemplação – porque isto é contemplação, nós chamamos isto de contemplação – é uma oração, elevar a mente a Deus a propósito da luz primordial que encontrou os temas que a alimentam; - e que com isto faz do indivíduo, a vida do indivíduo antes de tudo, uma vida de reflexão.
De maneira que o verdadeiro orientador não deve proceder da seguinte maneira: - leia tal coisa, depois leia outra e outra, -- mas deve fazer uma outra coisa: - “pelo que você se interessa? Eu quero ajudar a você a encontrar o seu ponto de reflexão dentro da luz primordial”. Quer dizer, é um outro passo além da questão da luz primordial, mas outríssimo. É dentro da luz primordial encontrar os pontos de reflexão pelos quais o indivíduo naturalmente se interessa, e que constituem a vida interior dele, em função da qual ele vai encontrar os fundamentos para sua dedicação, os fundamentos para sua vocação, etc., etc., ele vai encontrar aqui.
E que é, dentro do curso que eu falei, uma espécie de especificação individual. Então, não há apenas cursos, mas há as especificações individuais dentro do curso, em que o indivíduo vai encontrar no curso o de que ele gosta de fazer.
Leituras paralelas ao curso, reflexões paralelas ao curso e ele pode, deve-se promover a interlocução de pessoas do mesmo gênero para que nas conversas tenham material para falar a respeito disso. Isto seria conversa como elemento complementar para a formação da TFP.
(Dr. Paulo Brito: - Aí restabeleceria o velho papel das conversas que sempre foi uma coisa que não foi para frente.)
Exatamente.
(Dr. Adolpho: - Uma preocupação dos orientadores.)
Um dever. Portanto, tarefa de orientador muito delicada.
(Aparte inaudível)
Isto. Outra coisa, o diretor espiritual entre nós: - “Senta aqui. Você pecou contra a castidade? Não pecou? Ah, pecou? Passou perto de tal cinema... Ah, está bom, então agora você não passa perto daquele cinema”. O resultado: - passa perto do outro. Por aí você não resolve o caso. “Marcou hora de meditação? Não marcou? Então foi por isto. Está vendo? Você fez 25 minutos de meditação em vez de meia hora, por causa disto passou em frente ao cinema e você olhou para o cartaz”.
Eu estou caricaturizando tudo isso. Ainda é caricatura pedagógica, mas não tão distante do real em alguns casos.
... Agora, vamos ao caso. Isto suporia também que o indivíduo visasse nas suas reflexões normalmente um estado de alma, -- seria um estado de alma ótimo, -- onde ele se sentisse inteiramente senhor do seu tema, mas aberto para os temas correlatos, nunca os bitolados fanáticos.
Vamos dizer, por exemplo, um sujeito que vá estudar a guerra dos Cristeros e que começa a bocejar quando alguém conta para eles uma Cruzada, este ... que é meio se mostrar, meio falta de distância psíquica, isto é uma coisa errada. Quer dizer, a verdadeira formação se constitui de uma série de pontos de equilíbrio, em que o indivíduo tem -- esta fórmula é muito grata, -- de repouso contemplativo e atuoso. Quer dizer, capaz de gerar atos. Não é um repouso preguiçoso. É o tal repouso em que o indivíduo gosta do cantochão, gosta da batalha, gosta da história dos Cristeros; - é alto mirante no qual ele tem seus pontos de atenção preferidos, mas abarca com o olhar o horizonte inteiro, de pensamentos e de ação; - que eu creio que o cantochão, -- eu sei que isto pode não encontrar adeptos uniformes, não sei o que é que pensam, -- eu creio que o cantochão é, - e até certo ponto o polifônico - são as músicas – bem interpretadas – do repouso contemplativo e atuoso.
Aquilo para quem sabe interpretar, é isto. Eu creio que na boca de um ... vazio, vamos deixar de lado, vamos falar de nossas coisas.
(Aparte inaudível)
E estas coisas a gente deve ir conduzindo a dar exatamente o varão perfeito nosso.
Agora, eu gostaria de introduzir aqui as “Itaqueras”. A “Itaquera” é uma coisa que deve ser conjugada com o anacronismo criativo, mas não se confunde com o anacronismo criativo. É um exercício de vivacidade e uma criação de reflexos que se podem dar sob a cor do anacronismo criativo, mas que se distinguem, no seguinte sentido: - que o anacronismo criativo é feito para inalar a atmosfera da Idade Média e a “Itaquera” é feita para criar no indivíduo a vivacidade na luta de hoje.
Agora, para a “Itaquera” eu tenho a impressão que nós devemos pensar nas “Itaqueras” dos grandes tempos, cheias de surpresa, de sacudidelas, etc. Agora, o meu ideal é que em vez de serem coisas diferentes se imbricassem. Esse seria o meu ideal.
Por exemplo, aquela coisa antigamente do Umberto e do João Clá de fazer uma turma que nunca pensou nisto acordar às duas da manhã e rastejar, subir no alto de um mastro, fazer não sei mais o quê, todos esses exercícios de vivacidade, eu considero ótimo. E neste sentido gosto também das tais descidas da serra, outras coisas assim.
Isto seria, portanto ...
(ASG: - Agora, em que tônica se imbricassem. O senhor estava dizendo das descidas da serra, do rastejamento. Nisto tem algo de medieval?)
Eu acho uma espécie de necessária contradição entre o medieval e “Itaquera”, que é uma das razões por onde as duas coisas devem imbricar, mas não devem ser a mesma coisa.
É que a “Itaquera” deve preparar o indivíduo para todas as brutalidades desumanas e surpresas horrorosas do mundo moderno. A Idade Média deve preparar o indivíduo para uma luta mais lógica, mais elevada, mais nobre, para ambientes mais coerentes, mais capazes de pensar, mais calmos.
Então, o que eu imagino, por exemplo, o seguinte: - você imagina, por exemplo, uma descida da serra, por exemplo, super-itaquerizada. Com surpresa – quando chegasse em baixo – encontrar uma tenda medieval com rapazes tocando aquelas coisas, e uma cena medieval que viesse a constituir o oposto da brutalidade que viu, mas com caráter heróico, porque são dois heroísmos diferentes.
O heroísmo do ... de hoje é um heroísmo necessário para hoje, mas não é nosso heroísmo ideal.
(Sr. Gregório: - O senhor introduziu a itaquerização e a medievalização; o senhor disse então que seriam complementos necessários para o curso de formação, é isto?)
Isto. Seriam exercícios indispensáveis para a formação. Quer ver outra coisa que eu acho? É o seguinte: - para hoje faz bem guiar motocicleta. Olha que eu tenho horror à motocicleta, mas para hoje eu acho que faz altamente bem. Entre outras coisas porque é um exercício de vivacidade tremendo, porque ou o sujeito se engaja ou fica obrigado a decidir, e sai de dentro de um certo mingau.
De maneira que o porquê eu quis pára-quedismo, -- e um oceano de megalice impediu, -- o porquê eu quis o pára-quedismo torna obrigatório, torna útil o motociclismo.
(Ap: - O senhor sabe que quebra o nhonhozismo da gente.)
Quebra. O sujeito olha, tara-tata e tem um que vai de um lado e outro do outro e tem que entrar.
(ASG: - E depois se Nossa Senhora não protege com um milagre como me protegeu, a pessoa acaba mesmo.)
Acaba, e aí você tem a idéia do milagre junto com apetência, atenção, etc.
(ASG: - E a gente vê que é isso.)
Outra coisa, tira o gosto da temeridade. A motocicleta é uma crítica à temeridade, uma coisa tremenda! Porque o sujeito percebe que se ele passar da conta e viver uma coragem não raciocinada, ele se estatela.
(LFA: - É curioso, coloca o geração nova muito mais – me falha a palavra – mas raciocinando melhor, ponderando melhor o perigo e faz uma eliminação natural.)
Natural, de maneira que eu considero o uso da motocicleta uma coisa anti-nhonhô. Eu vou dizer mais: - aquele estampido da motocicleta que eu odeio de um ódio pessoal, mas odeio a punhal, aquele estampido está bem, para nhonhô faz bem. Papa – papa- pa, sacode o nhonhô, eu acho isso. Aquele capacetão que deve ser pesado na cabeça, o sujeito tem que manter o pescoço meio em dia, etc. Eu acho que motocicleta é um veículo horrendo, itaquerizante, não anacronismo criativizante.
(ASG: - Já estive pensando em fazer um capacete lá, mas não dá.)
É outro mundo.
(LFA: - Quando eu saí agora do Eremo de Elias, minha motocicleta sai muita fumaça pelos canos de escarpamento e o senhor Jerônimo Beccari viu e disse “será que é possível fazer sair fumaça colorida?” Se fosse, ele disse que seria bonito para um desfile. Eu achei que foi uma idéia interessante.)
Muito boa, muito bonita idéia. E que, por exemplo, a fumaça da motocicleta do membro da TFP fosse bonita, seria uma raiva para eles do outro mundo!
Ainda que soltasse bonita que não fosse do escarpamento, mas dando ilusão que fosse do escapamento...
Vamos para frente. Por exemplo, não reputo medievalizante habituar o indivíduo a rastejar o karatê, que é uma coisa meio ligada a Itaquera, da linha itaquerizante.
(Ap: - Uma coisa assim, que é na linha do maravilhoso, um pouco na linha do Robin Hood. Mas não sei se seria factível uma coisa dessas. Por exemplo: - a pessoa desce a serra, tem lá embaixo um acampamento medieval etc., mas depois todo o mundo tem que botar uma roupa para participar, vamos supor, de um leitão assado, que se poderia fazer à la medieval e depois um torneio de arco e flecha, que é uma coisa que não tem nenhuma utilidade hoje em dia, mas que eu tenho impressão que a pessoa entrar na prática do arco e flecha sai do contexto.)
Muito bom, mas você está vendo que é um complemento, mas não é uma confusão das duas coisas, são diferentes. A descida da serra tem que ser itaquerizante mesmo, com material insuficiente, roupa de briga, etc., uma coisa brutal. Até vou dizer mais: - para algumas almas de muito thau, Itaquera poderia não servir. Porque certas formas de brutalidade e certas almas de muito, muito thau, podem superar e até podem arranhar, mas isto se saberia ver, saberia discernir.
Não sei o que acham disto. Eu estou aproveitando um pouco o MNF para planejar a Confraternitas, mas me parece que é uma coisa boa, se vai assim.
(Dr. Paulo Brito: - Na questão de curso, formação etc., o senhor se recorda que numa Reunião de Recortes ...)
... mas mesmo nas reuniões de sábado, saem umas perguntas quadradas, você vai ver que penitência que está faltando. Agora, o brasileiro é muito mais propenso ao flash.
(Ap: - Um problema que pode acontecer também, que é uma coisa meio heresia branca – ao menos comigo se dá isto – um diretor espiritual que chegasse para mim e me dissesse que a minha vocação era esta, e definisse as pistas, eu me sentiria com ... fogueira, quer dizer, dividir demais a coisa pode dar claustrofobia em certas pessoas.)
E é por isto que eu disse que o indivíduo deve ser autorizado a mudar um pouco, a escolher ele mesmo, portanto a voltar atrás, não escolha irretratável; - pedir para freqüentar uma coisa e outra durante algum tempo, etc., até fixar-se bem.
(Ap: - Quer dizer, deve-se ter estas duas famílias de almas, mas quase não se deve apresentar isto, para se levar em consideração no apostolado, mas não chegar em ...)
Não, não. Ajudá-lo a dizer “eu sou de tal”, ou dizer, explicitar, não classificá-lo, ainda mesmo quando a gente esteja vendo no que ele especifica, a gente deve mais ajudá-lo a classificar.
(ASG: - O senhor falando da segunda família de alma, do flash, e a gente vê que a ser tomado ao pé da letra daria praticamente um curso, mas muito difícil de hierarquizar por ano ou por estágio de aproveitamento, etc., e cada pessoa iria ficar numa pista própria. Agora, como em conjunto isto se pode fazer? Eu pergunto isto por interesse prático que as pessoas que ouvem as fitas, ouvem as fitas e as fitas são portadoras de muitas graças e em geral flashes, etc. Agora, depois no estudo, ele já não vai na linha do flash, vai na linha da análise racional. Então como estudar as coisas do flash.)
Como estudaria, que problema do flash?
(ASG: - Não, como estudaria, como método na segunda, um curso para a segunda família de almas.)
Vamos ver se minha resposta responde a sua pergunta. Deveria, a pessoa que orienta o curso, deveria ajudar a pessoa, deveria ensinar o que é o flash, ajudar a pessoa a encontrar e a descrever o seu próprio flash. E depois suscitar os problemas, ou que a pessoa tem curiosidade de conhecer, ou as objeções as quais a pessoa tem que responder.
(ASG: - Mas haveria uma matéria que seria dada, quanto possível flashosa, mas que seria dada para todos. Isto seria colateral.)
Seria colateral. E esta matéria de início seriam as Três Revoluções e a RCR em geral. Aliás, na outra matéria seria também a RCR, porque é a espinha dorsal do nosso estudo, mas dado já a partir de um ângulo e de outro.
(ASG: - Eu não sei, parece que correu por aí, ouvi um boato que as revoluções, as conferências das Três Revoluções estariam superadas porque as pessoas não conseguem prestar mais atenção, não tem mais ... porque pediram-me para dar as coisas da Idade Média como processo da Idade Média. Pediram-me para dar essa reunião e tem o seguinte, realmente o pessoal está caindo muitíssimo quanto à cabeça, mas que seguindo aquela ordem que o senhor deu, se colocar mais exemplos, mais exemplos, ... eu não constatei, por isso não posso dizer, mas eu tenho a impressão que está se dando uma forma quebrada.)
Ah, quebrada! Eu acho que em vez de mexer agora, entrar com uma coisa completamente nova em que isto entra também.
(Sr. Gregório: - Para a instituição desse curso, etc., isto supõe – me parece – que o senhor tenha uma equipe de pessoas, não do ponto de vista natural capazes, mas eu digo do ponto de vista sobrenatural, que tenham o mínimo de participação do profetismo do senhor e tudo o mais. Agora, a pergunta é o seguinte: - o ser vê no Grupo, no conjunto, que algo disso se possa fazer, que há uma certa participação no profetismo do senhor que dê para isso?)
Eu aqui pretenderia seguir o que eu sempre fiz na TFP, é o método. Eu lanço sempre um ideal e difundo. Esse ideal cai nas almas e passa por frutificações e decepções e dá numa coisa “X” que é a metade do que eu queria ou um décimo do que eu queria. Agora, depois eu faço uma adaptação do que saiu e sai uma coisa mais bonita do que o primeiro ideal.
Por exemplo, os eremos nasceram, esta é minha teoria, --- teoria, é o modo de conduzir da Providência, por onde a Providência permite, é o modo dela lutar contra nossa crônica falta de seriedade, que está no fundo de tudo --- os eremos nasceram de uma série de fracassos de vida espiritual e algumas fidelidades exímias. Saiu uma coisa que nós nunca pensamos realizar antes da Bagarre, porque se criou uma situação, eu tentei adaptar a situação, saiu, saíram os eremos, quer os itinerantes, quer os de clausura.
Depois nos eremos de clausura houve desapontamentos; - os desapontamentos deram nos votos, os votos deram desapontamentos. Há sempre uma teoria, uma prática inferior à teoria, uma adaptação da qual gera uma coisa que excede à teoria primeira. É sempre isto. Não deve ser, mas por misericórdia de Nossa Senhora acaba sendo. É uma descrição do rio chinês, se você quiser, o meu martírio.
Está bom. Desde que seja um martírio frutífero, bem-aventurado martírio! Aqui também, eu tenho a impressão que vai se espalhar, que não vai ser tomado a sério a não ser por uma metade de gente, que vão milecanizar a esse respeito, vão conspurcar isso, vão babar em cima disto, vão criar caso a propósito disso. Isto vai ser entregue às feras. Isto eu tenho certeza, vai ser entregue às feras.
Depois de terem sido entregue às feras, de repente começa a perceber que de cá e de lá floresce algo. Esse algo floresce, a Providência aproveita e toma para alguma coisa mais alta.
(Sr. Gregório: - Eu tinha dificuldade em aceitar que estas coisas tão altas fossem jogadas às feras.)
O amor que a gente tem a elas se aplica aí. A gente ama o templo, que ... há umas pedras do templo que a demolição dos admiradores reduz o que eu digo. Depois ama a poeira que o tripúdio deles reduz estas pedras. Nossa Senhora abençoa esta perseverança e daí sai alguma coisa. Mas a gente vai ver outra coisa, é mais bela que o templo. E no total, isto é de uma beleza de comover, como uma paciência coromotiana de Nossa Senhora, porque Ela é Nossa Senhora de todas as paciências, das inimagináveis.
... porque dizer o seguinte: - o Coromoto quis dar nela. Mas quem é Coromoto? E aqui se poderia pôr: - quem somos nós? Quer dizer, o que Nossa Senhora tem posto de paciência na TFP é uma coisa memorável como eu não sei igual.
(Sr. Gregório: - O senhor fez um simpósio sobre nós do ponto de vista da vocação. O senhor poderia fazer um outro “o que são vocês?”)
Isto eu não faria. Isto fica escrito com lágrimas e com sangue. Mas, enfim, eu por isso não desanimo, porque eu sei que esta poeira é como o sangue dos mártires, gera cristãos. É a tal história: - você é do tempo dos mártires, recruta rapaz, um velho, uma velha, uma moça, uma família, e funda uma paróquia num lugar. Está bem, vem o imperador e desbarata tudo, um procônsul qualquer e desbarata tudo. Está liquidada a sua obra, mas o sangue que fica no chão frutifica em outros. Assim também você constrói uma coisa, a falta de seriedade dos outros se apodera disto aos aplausos, com exclamações. E depois começa no próprio comentar a coisa, há milecanismo, há vilipêndio, há deterioração, etc., etc. Depois ainda transmite isto para outras bases ainda mais conspurcadas e se transforma na poeira dos enjolras.
Está bem, mas esta poeira é fecunda. Chega ali, alguma coisa sai. Tanto sai que vocês vão visitar, se Deus quiser, das realizações da TFP, para sair a inauguração da sede, e vocês vão ser esta coisa inimaginável: quebra. Agora, quem é que faz isto? Afinal de contas essa gente.
Quer dizer, isto é esta poeira, se você quiser, poeira radioativa.
Agora, nós devemos ter conformidade e por amor ao templo levar o zelo pela poeira a esse ponto, achado, acumulado um pouco de poeira nas mãos e fazer com a poeira uma pedrinha. Nossa Senhora abençoa a pedrinha e sai uma construção. A nossa vida não tem sido outra coisa, o que é nossa vida?
(Sr. Gregório: - O Reino de Maria de alguma forma tem que ser o reino da vingança, de um modo vingativo; tem que se afirmar na sua totalidade, não basta esta poeira.)
Depois, esta falta de seriedade precisa ser punida, isto precisa. Não sei como Nossa Senhora fará, mas precisa. Não sei como é, porque é uma coisa inimaginável que coisas destas possam estar sendo ditas e comentadas e recebidas com entusiasmo e que depois se vá conspurcar isto com casinhos, com coisinhas! É inimaginável, simplesmente inimaginável. ...
Eu formulo apenas a questão para a semana que vem. Eu tenho a impressão seguinte: - que também não se pode cuidar, ter em vista a Confraternitas nem nada, se não houver uma compenetração de que com isso se funda uma instituição, e que uma instituição é incomparavelmente mais do que uma soma de homens. E quando os homens se integram numa instituição, que é uma instituição no sentido pleno da palavra, algo neles tem que mudar sob pena de que a instituição não nasça.
Vamos dizer, por exemplo, uma corte – vamos dizer num país que sempre foi república se faça uma monarquia, mas não vamos ver uma monarquia de caricatura como a de Napoleão, – se faz uma corte. O indivíduo que é rei tem que se compenetrar que ele ficou rei e os que participam na corte têm que se compenetrar que ficaram ministros, que ficaram generais, que ficaram diplomatas, que ficaram tanta coisa, e que têm que entrar nos respectivos papéis; e que têm que fazer um só com os respectivos papéis. Mas o indivíduo não pode pôr a farda de ministro e viver, por exemplo, como vive um simples homem de sociedade. Não pode pôr a farda de general e viver como um jogador de xadrez, mas ele tem que entrar... Uma instituição se compõe necessariamente de papéis desempenhados por homens. É algo como uma peça, uma peça de teatro, mas com uma realidade que a peça do teatro não tem.
Mas de tal maneira que o indivíduo não pode ver naquilo simplesmente um ele mesmo que continua, mas ele tem que compreender que nasceu uma realidade mais alta que não é uma mera convenção, mas uma coisa aos olhos de Deus. Em toda instituição entra Deus. Qualquer instituição, a seu modo e no seu grau, tem qualquer coisa por onde ela é acompanhada por uma vigilância, por uma graça e de algum modo por uma presença de Deus especial. E ofende a Deus quem transforma a instituição em chanchada, levando-a, conduzindo estes papéis como se eles não fossem autênticos ou como se eles fossem apenas semi-autênticos. E, portanto, fazendo da instituição uma coisa que ao mesmo tempo meio é meio não é.
Eu reputo isto um elemento constitutivo da virtude da seriedade. Eu não admito que haja virtude da seriedade sem isto e praticando isto se treina a virtude da seriedade. Quer dizer, o assumir o papel numa instituição é uma renúncia. A gente não pode mais ser o manequinho que era na casa própria, mas não pode! Ou a gente, no fundo, está ofendendo a Deus.
Exatamente a instituição que não é assim, que não foi assim, foi a corte de Napoleão. Que eles se compenetraram que eram generais, estavam compenetrados, por isto aquilo era um exército. Ninguém pode dizer que o exército de Napoleão não era um exército. Se quiser, o exército de satanás, estou de acordo, mas era exército.
Uma tirada assim numa conferência “aquilo nem era exército” o sujeito responde “o que você está fazendo nem é conferência”, é a resposta que atrai sobre si. Mas a corte de Napoleão que era uma coisa diferente. A corte todo mundo declarou que não era corte, porque ele era um imperador que todo mundo não tomava a sério como imperador, tomava como general, não como imperador; - a tal ponto que ele perdeu a batalha e perdeu o trono com as batalhas.
Não sei se conhecem o que aconteceu com Francisco II depois de Austerlitz. Ele foi tão ovacionado na Áustria para consolá-lo de ter perdido a guerra, que Napoleão teve um comentário assim: - “que trono, que solidez ... compare com o meu”. Por quê? Aquilo é uma instituição.
... ela comenta a corte de Napoleão e diz o seguinte: - ele está assim, assim, porém não era uma corte. Por que? Porque a corte é uma instituição que está marcada, ela tem uma certa missão diante de Deus e os homens, aceitando os papéis, aceitam a missão. E entram dentro daquilo, mas entram inteiramente. Se não há isso, não há instituição e houve uma ofensa contra Deus.
Isto se diz da Igreja. O indivíduo é batizado, passa a ser um membro do Corpo Místico de Cristo; - ele assume certos deveres, ele reconhece um outro como bispo. O outro se tem em conta de bispo, e por causa disto que eu acho, por exemplo, o seguinte: - quase não se pode dizer que a Igreja protestante seja uma instituição. Da Igreja Ortodoxa, dizer que aquilo nem é uma instituição é a mesma coisa que dizer que o exército de Napoleão nem é um exército, -- é uma besteira. Eles são uma instituição. São péssimos, uma sinagoga de satanás, mas é uma instituição; - a maçonaria é uma instituição.
Eles tomam papéis e desempenham esses papéis. Eu noto uma espécie de horror de nossa gente no assumir, fazer essa imolação de deixar de ser o Manequinho e assumir o papel. Com um recurso infantil de se cobrir cada vez mais de símbolos para ver se arranca do Manequinho a aceitação de assumir o papel, mas não é aceitação desse papel.
... formar a pessoa para esta aceitação, isto é uma coisa que eu não sei como fazer. Mas vejam, por exemplo, a Igreja com os cruzados. Ela armava Cruzada, Ela punha um papel. Ele assume a cruz, ele entrou dentro de uma instituição. Que aquela Cruzada, aquilo era uma instituição ambulante, um exército, e ele tomou um papel, uma obrigação perante Deus, e ele desempenha aquela missão. Mas que já não são indivíduos, é uma alienação. Não é mais a vantagem individual, não é mais a vida individual, não é mais nada de individual, mas é uma alienação.
Quer que eu diga uma coisa terrível? Aqui há qualquer coisa que nós temos que extirpar, tão grave, eu não sei como extirpar. Nós poderemos ver se Nossa Senhora nos dá uma graça para a próxima reunião ou não. Toma o caso do Silvio Dalla Valle. Ele chega a fazer o seguinte: - os pais proíbem de ir ao grupo de São Bernardo, a sede da TFP. Contaram-me que ele fica passeando em frente à sede da TFP, em São Bernardo, na rua, sem entrar, para olhar um pouco para ver o que se passa do lado de fora. Este rapaz, eu creio que longe da TFP, e vendo a TFP de fora para dentro, vai tomando uma noção da instituição que seria erodida se ele a visse de dentro para fora.
(Dr. Paulo Brito: - Uma coisa semelhante se deu com aqueles dois Francisco, de Madri. Progrediu, passou na frente de muitos que estavam dentro do grupo de Madri, - 4 anos encontrando-se na rua!)
Ele vê de fora para dentro algo que de dentro é a recusa obstinada do Manequinho de ser o sicambro que queima o que adorou e adora o que queimou. E aqui eu tenho a impressão que é uma dessas coisas que ou a Confraternitas nos abre um caminho para isso, ou nós vamos ter um projeto de Confraternitas, qualquer coisa assim.
(Sr. Gregório: - Um problema que se pode pôr, -- não quero dizer que seja importante nem fundamental, -- mas um problema que se põe é o seguinte: - a dificuldade de ver dentro o que é assumir o papel numa instituição de modo autêntico e o que é assumir de modo abstrato? Por exemplo, esse quadro aí, a gente vê que o Francisco José ele está assumindo o papel, mas ele está inteiramente autêntico no papel dele. Os outros, a gente já não poderia dizer a mesma coisa? Quer dizer, estão fazendo uma força para representarem algo que eles não são inteiramente.)
É no Império no qual eles não acreditam, Império imposto pelo Bismark que eles contestam.
(Sr. Gregório: - O que é que está no fundo. Muitas vezes, pelo menos para mim, eu vou fazer uma coisa. Digo, força para uma coisa que fica artificial, mas é melhor não fazer ...)
Ponha-me a mesma pergunta no começo da próxima reunião.
(ASG: - ... uma dificuldade que eu, pelo menos, tenho, que com relação à Confraternitas como em relação ao Grupo em geral. Eu vejo que o senhor tem esta compenetração, eu vejo que outras pessoas têm noutro grau. Agora, eu vejo que há um escalonamento orgânico, normal, pessoas (?) e que eu faço com que ao mesmo tempo a gente saiba como é a estrutura do Grupo e ao mesmo tempo, pelo fato de não ser muito fixo, ele se presta a todo tipo de sarandagem. Então, por exemplo, tem a Martim, eles têm autoridade sobre os eremos Agora, a gente telefona para um pedindo licença, a gente sabe que aquela licença vai ser dada, a gente percebe muitas vezes, nem sempre, a pessoa a quem a gente se dirige pergunta com todo zelo para saber o porquê, mas a maior parte das vezes as licenças são dadas meio assim. Então nasce o problema: - esse negócio não é sério, mas eu estou vendo, no meu caso, eu fiz o voto do silêncio, eu tenho, ... eu percebo que se vou pedir licença, a licença vem com a maior facilidade, ...)
Sem a menos suspicácia de que você está querendo abusar na hora que faz o pedido.
(ASG: Sim, esse é um caso. Mas, além disso, ... mas isto se dá na TFP inteira. Então agora eu me coloco na posição de um membro da Martim, que tem mil coisas para fazer e que tem, além destas outras coisas, uma recomendação que dá uma certa orientação. Quer dizer, quando vier algum pedido, dá esta questão. É uma dificuldade muito grande para se colocar, para ele se colocar, colocar aquilo dentro da alma dele. Quer dizer, já tem tanta coisa pendurada...)
E, às vezes, nem ele tem tempo nem as coordenadas, de maneira que eles sentem que se eles pedirem uma explicação, ele tem que se contentar com a explicação que for dada porque não tem os elementos para perguntar. Mas não é um superior imediato suficientemente informado.
(ASG: - Eu acho que o senhor pegou bem no ponto, porque o que eu queria dizer é isso. Se no Grupo fosse, a Confraternitas fosse -- no meu modo de entender, sem nada de nazista e hirto, -- mas uma coisa com uma hierarquia, mais fixa, a gente podia saber em tal caso a quem se dirigir, em tal outro a quem se dirigir. Então, eu sei que sou, o outro sabe que é, quer dizer, todo mundo sabe mais ou menos o que é. Quer dizer, isto se dá em todas as partes. Agora, sei que há o problema da megalice, há outros problemas, mas eu sinto dificuldade, talvez por vício, eu tenho dificuldade em ter um superior. Agora, eu prefiro mil vezes a ter um superior, a ficar nesta questão, ficar neste negócio chove não molha. Agora, para mim se põe este problema, eu vejo. Uma das coisas que mais me impressionam no senhor é isso: - é autenticidade da missão que o senhor tem e autenticidade, a adequação sua perfeita com a missão. E eu vejo isto, admiro muito e agradeço a Nossa Senhora a graça dEla me mostrar isto. Agora, eu vejo que deveria ser assim, não sei, não tenho força, não sei o que é, se vou fazer uma coisa assim, passo três anos fazendo uma coisa assim, mas... acabou, quer dizer, não consigo nada.)
Aí é todo um complexo de circunstâncias que eu exporia na próxima reunião também. Mas que tem como partida o seguinte: - que, graças a Deus até, encontro em você, pelo menos em boa medida, mas é uma apetência de obedecer que habitualmente as pessoas não têm e que faz com que elas peçam a ordem num clima de tentabilidade, que dá --- um superior que tem, um bom superior que tem um bom discernimento dos espíritos --- muitas vezes hesitação de chegar perto ou não. Quanto mais um que não tem obrigação de menos discernimento dos espíritos.
(Dr. Paulo Brito: - Isto é uma coisa que funciona muito com os dirigentes ...)
... aí é um apelo da Providência para os fidelíssimos, para os que queiram manter a fidelidade com mau exemplo dos outros. Não tem outra saída.
Bom, meus caros, isto são perguntas que vocês me poderiam fazer na outra vez, que já está muito tarde e eu estou morrendo de fome. E, além do mais, preciso ser recebido em audiência por um certo Senhor, de maneira que...

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