A TFP comporta-se como uma seita paralela à Igreja
por Albuquerque
Foi em busca da promessa de uma vida eterna que os evangelhos fazem àqueles que abandonam pai, mãe e irmãos por amor a Deus que me aproximei da TFP com meus 17 anos. Sobretudo por que via nela um reflexo perfeito da santidade da Igreja. Aquela consonância com a doutrina duas vezes milenar da Igreja, a aderência às práticas de devoção antigas, a missa segundo a forma tridentina, a modéstia e a piedade me faziam crer que estava ali o que eu procurava para preencher um grande espaço vazio da minha vida.
Aderi à doutrina da TFP por que não me parecia dela, mas uma projeção perfeita da doutrina da Igreja.
Paulatinamente, já dentro do grupo, pude perceber que a doutrina e a moral católica eram apenas argumentos para sustentar uma doutrina particular da TFP. Recorria-se à moral católica para sustentar as teses da ortodoxia da Sempre-Viva, a liceidade dos cultos prestados à Plinio, sua mãe e alguns membros do grupo já falecidos. Buscava-se na doutrina da Igreja argumentos para defender a existência de mosteiros clandestinos dentro do grupo, a "inerrância" do fundador e tantas outras teses que ao comum dos católicos e homens de bom senso, pareceriam absurdas. Também se buscavam nelas os argumentos dos livros publicados pelo grupo, afinal eles eram porta-vozes de uma linhagem de papas e doutrina segura.
Curiosamente, para a defesa daquilo que chamávamos "A causa" por antonomásia, era permitido transgredir todas as regras de civilidade e honestidade. Em nome dessa entidade intangível a que chamávamos Contrarrevolução, estávamos autorizados a mentir, fraudar, enganar e praticar qualquer outro repleto cheio de sordidez, afinal a razão era justa. Era em favor da Causa.
Lembro-me um dia em conversa com um membro do Grupo da Europa que mencionáramos o nome de um ex membro que se reaproximava. Me foi dada a nefasta missão por este membro de sabotar o arrependido egresso junto aos responsáveis do grupo em minha cidade, pura e simplesmente por que aquilo favorecia o grupo, mantendo distante alguém desagradável.
¿Como não lembrar nesse momento do processo aberto pelo atual padre Walmir Bortoletto contra a TFP, em que este lhe reclama direitos trabalhistas, afirmando ter sido explorado em sua Mais-Valia? ¿Como não lembrar aqui deste documento em que afirma que seu trabalho de coletor de donativos era para "retirar dinheiro dos tolos"? ¿Ou que a TFP seria "verdadeiro símbolo do que há de mais retrógrado e reacionário em nosso país, que se auto-intitula defensora dos interesses dos quatrocentões proprietários de terra improdutiva – verdadeiro baluarte do embuste, da Mais-Valia, da miséria e da exclusão social"? ¿Será que o atual padre Walmir Bortoletto ainda sustenta essa mesma posição que manifestou no processo que moveu contra a própria TFP?
Isto não prova que o atual padre Walmir tenha posições marxistas ou mesmo que considere a TFP como um baluarte do embuste. Ao contrário! Provavelmente foi orientado pelos seus superiores a sustentar essa posição por ser favorável à Causa naquele momento, por ajudar a enfraquecer financeiramente a TFP sob a direção dos provectos via processos trabalhistas.
A defesa da doutrina e moral católicas parecem ser recursos disponíveis parar sustentar uma doutrina e moral internas, diferentes uma da outra.
¿Até que ponto um católico pode transigir com seus princípios morais em favor de seu pertencimento a grupos paralelos?
Essa é uma boa pergunta a se fazer aos atuais padres arautos que assinaram processos trabalhistas contra a TFP e hoje são os seus diretores.
¿O que nos teria a responder o padre Walmir sobre sua posição do passado e sua condição atual de sacerdote dos Arautos, que reclamam uma herança espiritual de Plinio Corrêa de Oliveira?
Tudo isso endossa a tese de que a TFP comporta-se como uma seita paralela à Igreja, na medida em que sustenta uma estrutura de pensamento própria, bem como seus rituais, sua doutrina e agora, sua própria moral e doutrina, que vagamente ganha respaldo no tradicional ensino da Igreja e dos papas.
É sequestrando essas posições que ela ganha entre a opinião pública católica o prestígio que vem ganhando no seu formato Arautos do Evangelho.

Soy testigo de que la idea del regreso de Plinio hasta hoy es libre entre los miembros del IPCO.
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