La transición de la misa tridentina a la "nueva"

por Alfonso


Transcribo abajo, sin comementario alguno, el texto completo de una reunión realizada por Joao Clá Dias el 13 de junio 1999. "Jour a Jour" era el nombre que se le daba a las reuniones realizadas por esta persona para sus seguidores de las casas de San Bento y Praesto Summ, que se fueron expaniendo a otros miembros de la TFP brasilera y de distintos países. El nombre "Jour a Jour" nace del hecho que, la idea inicia, era contar el día a día de Plinio durante la semana. 

El tema de esta reunión en particular es la postura de la TFP, después de la muerte de Plinio, sobre la "Misa Nueva", es decir, el rito de la misa introducido en los años '60 como resultado del Concilio Vaticano II. 

Un sector de los seguidores de Plinio afirma que éste nunca aceptó la nueva liturgia, mientras que otros (con Joao Clá el más conocido de ellos) tiene otra interpretación de los hechos.


Esta reunión fue importante internamente el el grupo ya que marcó uno de los puntos de diferencia de pensamiento entre los otrora unidos discípulos de Plinio.

El conferencista es Joao Clá Dias. La reunión se transcribe en su portugués original.

* * * 

“Jour le Jour” (Estritamente Confidencial) — 13/6/99 — Domingo

Relembrar o que nosso Fundador pensava exatamente sobre o concreto-concreto da Missa nova * “A minha participação na elaboração do livro da missa foi das menores” * “Fiz um ato de fé no que dizia D. Mayer, mais do que qualquer outra coisa” * “O resultado é que, se formos travar uma grande batalha neste terreno, não posso garantir qual será o resultado” * Sem um bispo nos apoiando, ficamos num estado de dúvida que cria uma possibilidade de divisão das mais perigosas e lamentáveis entre os próprios da TFP, se o assunto for manuseado sem cuidado * Evitar ao máximo apresentações em Missas novas * Por que não partimos de lança em riste contra a Hierarquia? — Pouco antes do falecimento de nosso Pai e Fundador, um estrondo em formação no próprio Vaticano contra a TFP * Com esse fundo de quadro, nosso Pai e Fundador pretende pôr as 26 TFPs à disposição da Igreja, ao invés de se consumir em fricções internas que não adiantam de nada * Dois casos ilustrativos na História Sagrada: David e Judite * Devemos conservar o espírito pliniano, dentro da fase que ele mesmo indicou que nós devêssemos entrar, sem amolecer * A advertência do Fundador: “Nós estamos esbanjando os primeiros dias do que se poderia chamar a era Eliática da TFP”.



* * * 

* Relembrar o que nosso Fundador pensava exatamente sobre o concreto-concreto da Missa nova

Eu já tive oportunidade de fazer uma reunião minuciosa, detalhada, com os mais antigos que diz respeito ao problema da missa.

Eu quero mostrar aos senhores todos — para que nós possamos agir juntos e não separadamente, e que nós saibamos o que é que nós estamos fazendo — o que o Sr. Dr. Plinio pensava exatamente sobre o concreto-concreto da missa. A teoria para nós está claríssima. É o que está, aliás, no livro do AX, que foi pedido pelo Sr. Dr. Plinio que fosse feito, e ele mesmo diz aqui. Nós não temos dúvida nenhuma quanto à teoria.

O problema nosso — e é o que o Sr. Dr. Plinio mais temia de levantar dentro da TFP — é a casuística: pode, não pode? como é que é, como é que não é?

E isto é tão complicado, que os próprios que fizeram conferência aqui, Dr. Paulo Brito e Dr. Vivanco Lopes, [proibiram fazer perguntas]. Os dois doutores fizeram uma conferência aqui e foi pela primeira vez na história proibido neste auditório fazer qualquer pergunta. Eles não fizeram outra coisa, senão ler o que estava escrito.

Quase que dava vontade de dizer para eles o que o Ademar de Barros fazia com os discursos durante os banquetes. Ele roubava o discurso do sujeito que se levanta e dizia: “Pode deixar, eu vou ler em casa. Sente aí e vamos comer!”.

Dava vontade de dizer para eles: “Deixe-me o texto aí que eu vou ler em casa”, porque eles não fizeram outra coisa senão ler.

O problema não está na teoria. Nós todos concordamos com a teoria perfeitamente, porque ela está no concreto-concreto do dia-a-dia.

Podemos comungar numa missa nova, sim ou não? Podemos estar presentes numa missa nova, sim ou não?.

Já na fase final da vida dele, 13 de junho de 1995, o que o Sr. Dr. Plinio diz? Hoje faz quatro anos. Quatro anos atrás, de hoje a hoje, diz ele:


* “A minha participação na elaboração do livro da missa foi das menores”

"Sobre o livro do Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, vocês devem ter uma certa surpresa de que eu dou alguma autoridade ao livro do AX."

Sobretudo em 95 já ele media palavra por palavra do que ele dizia, tudo nele tinha peso, conta e medida. E tinha de ser, pois se ele é o Fundador, nele não pode haver falha, a Providência não quer que haja falha.

Ele vai explicar por que ele dá “alguma” autoridade ao livro do AX.

"É o seguinte: eu não trabalhei no livro do AX, mas vi muito D. Mayer e ele trabalharem porque passamos uma temporada grande em Serra Negra, ainda naquele hotel antigo. Eu disse a eles que estava fazendo outro trabalho — nem me lembro que trabalho era — e que eu, portanto, não podia entrar nesse trabalho, mas que como a matéria era muito interessante, muito bonita, eu gostaria de assistir algumas reuniões para as quais eu tivesse tempo. De maneira que eu vi como é que eles trabalhavam lá."

Ele está lavando as mãos: “Não tenho parte no livro do AX”.

"Como era natural — você se lembra que os dois estavam união e comunhão com o Grupo naquele tempo —, o Arnaldo tinha algumas boas leituras, mas não tinha o estudo sério feito na Gregoriana pelo D. Mayer. De maneira que em geral quando o D. Mayer entrava com uma objeção e o Arnaldo não encontrava argumento, ele se dobrava de bom grado às coisas de D. Mayer.
"As coisas de D. Mayer me pareciam habitualmente sérias, vindas de um padre — eu creio que já era bispo até — e que tinham uma cultura canônica boa, séria. Eu vi inúmeras vezes isso. Quantas e quantas vezes eu publiquei coisas sob a chancela dele e só porque ele tinha firmado? E nunca tive o menor aborrecimento com isso.
"De maneira que tinha um certo peso, daí um certo peso que eu atribuo ao livro da Missa." (Despacho Pe. Palau — 13/6/95 — 3ª feira).

Os senhores estão percebendo que ele não está dando um aval completo, total e absoluto.


* “Fiz um ato de fé no que dizia D. Mayer, mais do que qualquer outra coisa”

Em 9/2/93, num grafonema que o Sr. Dr. Plinio manda ao Fernando Antúnez Aldunate, ele diz:

"A minha participação na elaboração do livro da missa foi das menores. Não fiz estudo especial nenhum sobre o assunto, e participei de algumas das últimas conversas que Arnaldo teve com D. Mayer a respeito da questão. Portanto, fiz um ato de fé no que dizia D. Mayer e mais do que qualquer outra coisa.
"Naturalmente, eu tinha certeza absoluta da iliceidade desta missa, muito mais pelo ambiente péssimo que nela reina, e o manifesto mau espírito que a domina por assim dizer de ponta a ponta, do que por uma consideração teológica do assunto." (Gfn do SDP para Sr. Fernando Antúnez — 9293)

É exatamente o que eu senti ontem, por exemplo, naquela missa de Santo Antônio. Eu me sentia mal, eu sentia o sangue girar pelo avesso. E sobretudo me senti mal quando aquele provincial dos Capuchinhos, em São Paulo, toma a palavra para falar dos namorados!

Eu não agüentei, eu pensei: “Eu não vou fazer aqui uma apresentação musical em louvor a Santo Antonio casamenteiro. Francamente!”. E pisei no pé dele. [Aplausos]

Ele ficou muito mal à vontade, estava contrafeito, fez umas caretas, e antes da última música ele tirou a batina, vestiu uma jaqueta e saiu com uma fassura. Era dia dos namorados...

Aqui vem uma carta do Sr. Dr. Plinio ao Revmº. Pe. Piero Cantoni:

"Minha participação na elaboração do livro de Arnaldo V. Xavier da Silveira — escrito em considerável medida com a lúcida colaboração do falecido Dom A. de Castro Mayer, então bispo diocesano de Campos — foi pequena e meramente ocasional, dado que meus estudos e minha produção intelectual têm versado sempre sobre temas bem outros." (Carta do SDP ao Revmo. Pe. Piero Cantoni, acompanhando um estudo dos Solimeos respondendo uma refutação que este padre fez do livro do AX)

Comissão Pe. Anchieta, 29/12/92:

* “O resultado é que, se formos travar uma grande batalha neste terreno, não posso garantir qual será o resultado”

"O livro do Arnaldo em algumas coisas tornouse meio velho, porque algumas daquelas exposições já mudaram e nós não temos quem tenha acompanhado. Pegar aquele livro e dar é muito difícil." (Comissão Pe. Anchieta — 29/12/92 — 3ª feira)

Grafonema do Sr. Dr. Plinio para Fernando Antúnez de 9/2/93. Diz o Sr. Dr. Plinio:

"Recentemente, o Gustavo Solimeo chamoume à parte para dizer que, ao livro do Arnaldo que ele andou lendo, ele tem várias objeções especiais a apresentar.
Evidentemente, como sempre foi no Grupo, nos assuntos especificamente teológicos, que não tive e nem tenho tempo de estudar, não assumo a responsabilidade pela opinião do Solimeo. Mas ela me parece muito digna de atenção, porque tudo quanto eu os tenho visto fazer em matéria de estudos, é sério e bem fundado.
O resultado é que, se formos travar uma grande batalha neste terreno, não posso garantir qual será o resultado.
Isto posto, pareceme necessário que eu converse com o Gustavo, logo que esteja um pouco aliviado das múltiplas tarefas extras que me pesam sobre os ombros, para discutir com ele e tentar fazer uma avaliação exata das ponderações que ela merece." (Gfn do SDP p/Sr. Fernando Antúnez — 9293)

Isto vem de um Despacho da Comissão Pe. Anchieta de 31 de outubro de 94:

* “Reconhecemos que a autenticidade do sacrifício se celebra na Missa nova, mas temos algumas perguntas que nos deixam perplexos”

[A apresentação do “status questionis” não ficou gravada. O Sr. Emetério diz que os Solimeos disseram que o livro do Arnado está desatualizado. Sugeriram fazer um apanhado de umas 30 págs. expondo nossa posição, mostrando que várias personalidades (cardeais, bispos, etc.) também foram contra a missa nova, etc... e as mudanças havidas nesses 20 anos. Aí, o Senhor Doutor Plinio deu essa resposta:]


"Eu acho o seguinte: essa observação do Luís Solimeo é perfeitamente verdadeira. Seria o caso de perguntar a ele se ele não podia, juntamente com o Gustavo, preparar o seguinte: tirar do livro do Arnaldo aquilo que fosse indispensável para responder este ponto com acréscimos. Nós poderíamos fazer disso um folhetozinho, mas que desse a idéia que nem era para publicação, que era para uso doméstico.
Este folhetozinho assim concebido deveria ter as ressalvas necessárias, quer dizer, que nós reconhecemos que a autenticidade do sacrifício se celebra na missa nova, mas que temos algumas perguntas que nos deixam perplexos e põe isto."
Portanto, dizer que a missa é sacrílega e dizer que ela se equipara a um culto idolátrico, vai além do que o Sr. Dr. Plinio achava. Isto de saída.
"Não dizer formalmente que somos contra, mas dizemos que há algumas perguntas que nos deixam perplexos." (Despacho Comissão Pe. Anchieta — 31/10/94 — 2ª feira)

Vem aqui agora um Despachinho do dia 8 de abril de 1993.

PRC — Parecer dos srs. Gustavo e Luís Solimeo sobre a liceidade de assistir à Missa nova em certas circunstâncias. (118 — portugal) (...)
É lido o parecer para o Sr. Dr. Plinio e o Sr. Dr. Plinio diz:
SDP — "Estas coisas são terríveis porque por exemplo, eu fico muito, numa dúvida pavorosa, não vale a pena espalhar para os outros porque só vai causar mau estar, mas este raciocínio de que nós não podemos nos dispensar dos sacramentos, etc., é um raciocínio que eu perfilei durante muito tempo (...) eu acho que era preciso fazer aos Solimeos, uma outra pergunta: para debelar qualquer dúvida a esse respeito, eu acho que isso traria dificuldades, etc., etc. no seio da própria TFP."

Quer dizer, ele queria evitar o assunto missa no seio da própria TFP porque traria dificuldades no seio da própria TFP. Foi o que os provectos não obedeceram e fizeram o contrário.


* Sendo D. Mayer bispo da Santa Igreja e conhecido como excelente teólogo, isto concorreu muito para a união dos espíritos em torno do que foi resolvido em relação à Missa nova

E é preciso lembrar que a união de todos em face da atitude diante da Missa nova foi em boa parte assegurada pela presença de D. Mayer na TFP.

Claro! Tinha um bispo que chegava e dizia: “Não, isto é assim e está acabado!”. É um bispo, acabou.

Morrendo o Sr. Dr. Plinio, quem é que tem categoria suficiente na qual a gente possa confiar inteiramente, que chega aqui e diz: “Não, a coisa é assim!”.

Nós pedimos a eles que fizessem uma reunião para nos esclarecer e eles o que fizeram? Eles fizeram uma reunião lendo o que estava perempto, porque o Sr. Dr. Plinio disse que estava perempto, e lendo um trabalho que o Sr. Dr. Plinio disse que não colaborou.

O Sr. Dr. Plinio continua:

"E é preciso lembrar que a união de todos em face da atitude diante da Missa nova foi em boa parte assegurada pela presença de D. Mayer na TFP. Presença essa que era muito menos longínqua e muito menos rarefeita e perturbada por muito menos névoas do que foi se tornando com o tempo. E ele sendo bispo da Santa Igreja e conhecido como excelente teólogo, isto concorreu muito para a união dos espíritos em torno do que foi resolvido."

O Sr. Dr. Plinio diz que se não tivesse havido um bispo para dar uma norma genérica sobre esse assunto, e assim mesmo uma norma doutrinária, não uma norma concreta, mas uma norma genérica e doutrinária, o Sr. Dr. Plinio não teria feito.

Claro, porque tem gente que só acredita em bispo.

Eu posso depor nesse sentido porque eu mesmo não estudei a questão a fundo, porque me parecia que ele era competente para resolver. E por causa disto eu aderi, achei a coisa de bom espírito, direita, etc., etc. e aderi.


* Sem um bispo nos apoiando, ficamos num estado de dúvida que cria uma possibilidade de divisão das mais perigosas e lamentáveis entre os próprios da TFP, se o assunto for manuseado sem cuidado

"Mas, agora que nós não temos um bispo, e no momento em que eu não posso, nem quero ostentar uma segurança doutrinária numa matéria em que eu não sinto o mesmo carisma do que para outras matérias, eu acho melhor levantar uma outra pergunta: posta a dúvida e o fato de que durante eventualmente mais um ano, dois ou três, ainda teremos que ficar neste estado de dúvida, o que é que devemos fazer? qual é a nossa obrigação? Eu acho que esta é a questão que corresponde a realidade de nossa situação concreta e que é sobre ela que nossa mais imediata questão deve versar."
PRC — Então, não só para resolver o caso concreto como Portugal por exemplo, mas da TFP toda.
SDP — "Me parece. E eu pediria então aos meus caros Solimeos que me estudassem esta outra pergunta. Para ser mais claro eu formulo:1. Há um estado de dúvida muito grande a respeito desta questão de que fala o relatório deles."

É uma pena que eu não tenha o relatório deles. Talvez tenha nos arquivos de microfilmes, não sei, precisaria ver.

"2. Há uma dificuldade muito grande em depor esta dúvida por meio de estudos, etc., etc. da parte de pessoas que precisariam ter uma formação cultural que não as habilita sem um esforço também cultural enorme a entrar em todos os meandros do problema, para formar uma convicção inteiramente exata.
3. Este estado de dúvida cria uma possibilidade de divisão das mais perigosas e lamentáveis entre os próprios da TFP, se for manuseado sem cuidado."

Não podia ser mais claro.

Bom, os senhores dirão: “Eles não conheciam isso!”.

Não é verdade, porque eu esfreguei no nariz deles isto o quanto eu pude! Não é verdade. Eu mostrei a eles, fiz reunião com eles, depois mandei textos para eles, eles sabiam perfeitamente que isso era assim e eles quiseram. Porque quiseram eu não sei.

Então, perguntase para manusear com cuidado essa situação, perguntase: qual a obrigação diante deste estado de dúvida invencível no momento, daqueles que querem agir segundo a lei de Deus.


* Ante as inúmeras casuístas, quem se sente com segurança para dizer o que deve e não deve ser feito?

É uma pessoa que está, vamos supor, fazendo peregrinação com a imagem na Itália. Vamos supor o Sr. Mikel com a dupla dele. Ele não tem missa São Pio V para assistir. Essa missa é válida — está dito pelo Sr. Dr. Plinio que ela é tida como válida —, mas eu não sei se devo cumprir o preceito assistindo a missa ou não devo assistir. Eu não sei resolver esse caso.

Alguém aqui sente segurança para dizer: “Não, não deve”?

Eu sigo a minha consciência. Ele que siga a sua. Não há uma norma a respeito disso.

Os senhores têm uma norma a respeito disso?

Depois, eu preciso comungar, não posso abandonar os sacramentos, eu não posso viver sem os sacramentos. Acontece que eu não posso chegar na hora da comunhão todos os dias, porque senão cria um problema. Eu o que devo fazer?

São todos problemas de casuística que devem ser resolvidos dentro de um... quase que dentro de um confessionário — nós não temos confessionário, mas quase dentro de um confessionário — e não sair com uma norma taxativa como foi lido aqui por Benoit, depois chancelado por EB e não sei mais quanto.

(Sr. –: Uma vez e. M. conversando com o Sr. Dr. Plinio, dando um jornal-falado, usou a expressão “pseudomissa”, a respeito da missa nova. Ele falou: “Meu filho, `pseudomissa´ não, ela é válida”. Ele corrigiu na hora.)

O senhor vai ver aqui as conclusões dele.

O Cônego lhe diria: “Não, pseudo não; sacrílega!”.

Como é que eu vou aceitar isto? Assim não!

Me parece que é o mais modesto, mais humilde e mais... aonde se pode chegar a uma coisa certa, para se pegar com a mão.

Paulo Campos que está com o problema de Portugal diz:


* É lícito a presença em missas do rito Paulo VI para evitar mal maior

PRC — “Mientras tanto” em Portugal ficam tocando como estão tocando até agora.
SDP — "É verdade, ficam tocando, porque a pergunta é sobre o que eles devem fazer mientras tanto, enquanto não resolve."
PRC — Enquanto não resolve, esta sugestão de uma bagunça organizada...
SDP — "Não, a sugestão da bagunça organizada como solução mais provável, e portanto não definitiva, mas provisoriamente suscetível de ser encarada se essa solução [estarem presentes às missas de rito Paulo VI] é lícita? Eu seria propenso a dizer que sim, para evitar mal maior."
Então, que os membros de Portugal deveriam estar presentes à missa para evitar mal maior, dito pelo Sr. Dr. Plinio.
PRC — Portanto podese mandar ao sr. José Mário esta sugestão.SDP — Ao José Mário podese mandar essa sugestão depois de ouvido os Solimeos, eu falando com o José Mário pelo telefone.(...)PRC — Nessa linha, o Sr. Mário Beccar e o Sr. Pedro Paulo também, queriam saber como orientar a Madre Maria Amor que tem perguntado sobre isso, e então como responder...SDP — Aonde estão as perguntas dela.PRC — Não, apenas o Sr. Mário Beccar dizia que o Sr. Pedro Paulo falando com ela por telefone e...SDP — "É dizer ao Mário Beccar para dizer ao Pedro Paulo que evite com todo cuidado qualquer conversa sobre esse assunto e evite sobretudo de agravar o assunto, chamando mais ainda a atenção dela sobre o tema, porque há alguns dados novos a considerar na questão que estão sendo estudados. Antes de nós estudarmos, não vale a pena eles mexerem no caso." (Despachinho de 8493 — Assunto [03])

Está claro isso?


* Não impomos a adesão ao livro da Missa como condição para pertencer à TFP


Despacho do Sr. Dr. Plinio a um fax do CX de 10/8/93 — assunto: M. Verspieren:

FA — Despacho assunto M. Verspieren: fax de dr. Caio de 10893 (...)SDP — "Dizer ao M. V. sem as coisas que eu disse, sem falar do assunto do livro da Missa e ao Gustavo, deixar bem claro que nós não estamos partindo para a defesa do livro da Missa. Nós estamos procurando calibrar adequadamente a posição dos que tomaram oposição ao livro da Missa, mas não estamos dizendo que impomos a adesão ao livro da Missa como condição para pertencer à TFP. Nunca fiz e não se pensou no caso. Mas é bom pôr isto assim." (Despachinho de 10893 Assunto [01])

Entrevista com um professor de Brasília de 8/3/90.

(Professor: Mas ele [D. Mayer] continuou contestando certas inovações na liturgia, chegando a ponto de entrar em colisão com o Vaticano. A TFP, ela teria recuado, ou preferiu evitar apenas um conflito...)"Não, não. Nem uma coisa nem outra. Eu me lembro que pouco tempo antes de D. Mayer romper com a TFP, conversávamos a respeito de alguns pontos de Sociologia e de doutrina católica, mas também de Teologia, em que ele e eu tínhamos dúvida a respeito da atitude da Santa Sé. E eu disse naquela ocasião a ele que, para eu formar uma opinião pessoal, e tomar uma atitude pessoal, eu precisaria fazer estudos para os quais a minha condição de leigo não me habilita inteiramente. Eu precisaria fazer muitos estudos. E portanto, não tomaria posição por não ter a segurança na matéria que ele como Bispo tinha." (Entrevista com professor de Brasília — 8/3/90 — 5ª feira)


* Evitar ao máximo apresentações em Missas novas

Oops.. contraorden!

Há muitos outros textos, mas eu queria deixar um pouco relembrado o assunto. Mas eu acho que mesmo estes textos — exceção feita dos mais antigos — os senhores mais jovens não os conheciam, não é verdade?

(Todos: Sim.)

Então o assunto missa está visto.

Eu queria dizer o seguinte:

De fato, nós devemos evitar ao máximo ter de cantar em missa.

Naquela que fizemos na Penha, nós estávamos fora e nós sabíamos a hora que tínhamos que entrar. Saíamos para fora para tomar ar ali na sacada externa e alguém nos avisava quando devíamos entrar. Então, nós entrávamos, depois saíamos novamente, e com isso se dissolvia.

Mas ontem naquela posição, ali atrás, e sendo obrigado a ouvir aqueles absurdos, não dá! Vão os senhores, eu não vou. Não tenho sangue, meu sangue gira ao contrário. Eu nem quis olhar para o homem porque eu tinha receio de cometer algum sacrilégio, alguma coisa qualquer.

Eu não posso encontrar um gângster que está enforcando uma criancinha e assistir com naturalidade. Aquilo é pior do que enforcar criancinha, aquilo é matar alma, aquilo é uma heresia. É uma heresia não formal, mas, enfim, é uma heresia das piores possíveis, porque aquilo destroça a alma daquela gente. É uma coisa incrível.

(Sr. Pedro Morazzani: O senhor fez questão de dar as costas para ele todo o tempo.)

Ah, o tempo inteiro. Não os olhei, não quis vê-los.

Agora surge um outro problema que é o seguinte...

Está claro, nós estamos com o problema da missa que deve ser estudado, deve ser analisado, deve ser aprofundado. Nós não temos gente para fazer isso. Enquanto isso, vamos manter as normas que o Sr. Dr. Plinio nos deixou, e as normas são: quando é inevitável não tem jeito.

O grupo de Portugal já tem normas específicas, o grupo da Espanha também, e aos vários grupos do Brasil foram dadas as normas que o Sr. Dr. Plinio deu. Os Êremos Itinerantes eu creio que tem normas também. Isto tudo foi deixado por ele, fica assim.

Nós devemos ao máximo evitar que nos façam convites como o de ontem. E fazendo convites como o de ontem, dar um jeito de tirar o corpo, inventar uma desculpa e dizer:

— Que horas é a missa?

— Cinco horas.

— Às cinco horas nós temos uma apresentação. Podemos chegar aqui no finalzinho da missa, correndo, etc., porque nós temos uma festa interna que não dá para adiar? É às cinco, nós podemos chegar às seis, sem falta. Dez para às seis mais ou menos estamos chegando.

Pronto, e tiramos o corpo completamente porque não dá, pura e simplesmente é asqueroso.


* Por que não partimos de lança em riste contra a Hierarquia? — Pouco antes do falecimento de nosso Pai e Fundador, um estrondo em formação no próprio Vaticano contra a TFP

Bom, assunto missa fica resolvido, mas não fica resolvido um ponto, que é o seguinte: por que nós não partimos com lança em riste em luta contra eles?

(Sr. –: Em luta contra quem?)

Contra a Hierarquia.

E começamos a levantar o problema: problema da missa nova, problema da liturgia. Por que nós não tomamos uma lança e vamos [atacá-los]?

Já durante o estrondo do Rio Grande do Sul, em março de 1995, o Sr. Dr. Plinio me deu um telefonema, estando eu nos Estados Unidos, em que nós conversamos sobre uma série de assuntos da saúde, não sei quanto, etc., e às tantas ele me diz que o D. Pestana tinha estado no Vaticano, tinha voltado do Vaticano e contado para o Cônego que nos corredores do Vaticano se comentava que estava se preparando uma condenação da TFP.

Isto porque, entre outras coisas, o livro do Sr. Dr. Plinio sobre a nobreza foi apresentado aos três cardeais que aprovaram sem o prefácio de D. Luiz, que o prefácio de D. Luiz não foi aprovado pelos cardeais e nós estávamos usando as cartas dos cardeais para dar base ao que D. Luiz dizia contra concílio, contra não sei quanto, que isto era um absurdo e que viria uma condenação contra a TFP.

O Sr. Dr. Plinio me disse isso no telefone e disse o problema era mero pretexto, mas que ele há muito tempo já estava sentindo, pelo discernimento dos espíritos dele, que estava se armando um estrondo grande contra as TFPs no mundo inteiro, partindo de Roma.

Isso foi em março de 95.

Março e 95 ele já estava enfrentando o estrondo interno sobre Bem-aventurado Palau, estava enfrentando o estrondo do Rio Grande do Sul e depois estoura o caso do Sr. Santiago Canals, que era a ponta do icebergue, era a ponta da bomba atômica do Vaticano.

* O apoio do cardeal de Barcelona ao estrondo do Sr. Santiago

Mais tarde nós soubemos — isso nem foi transmitido aqui aos senhores — que um advogado de uma seita tomou o livro do Sr. Santiago como base e abriu um processo-crime contra a família do Sr. Santiago, porque o que tinha sido feito ali era um crime categorizado.

A senhora mãe do Sr. Santiago foi chamada a depor em juízo e em juízo ela é apertada pelo advogado da parte contrária a ela. Ela foi sem advogado, nomearam um advogado de defesa para ela na hora, um advogado de defesa. E o advogado, então, caiu por cima dela, começou a fazer perguntas e ela foi respondendo o que estava na cabeça.

Às tantas o advogado faz a pergunta a ela na frente do juiz: se ela tinha agido de livre e espontânea vontade, fazendo isso, ou tinha sido orientada por alguém. Ela disse: “Não, eu procurei cardeal aqui de Barcelona e o cardeal foi que me instruiu tudo o que eu deveria fazer. Ele é que me pôs em contato com o movimento anti-seita, com a tal fulana, Llansà, e não sei mais quanto”. Depois conta a história do médico, como é que o médico entrou no caso, etc.

Portanto, um estrondo movido pela parte eclesiástica e ligada ao Vaticano.

Bem, no meio disso o Sr. Dr. Plinio estava percebendo, quando estourou o caso do Sr. Santiago, Rio Grande do Sul, Bem-aventurado Palau e mais ainda Vaticano... [Vira a fita]


* Com esse fundo de quadro, nosso Pai e Fundador pretende pôr as 26 TFPs à disposição da Igreja, ao invés de se consumir em fricções internas que não adiantam de nada

Eu sugeri: “Diga ao Sr. Dr. Plinio que seria muito interessante nós fazermos um trabalho em Roma, em Espanha, de visitas, contatos intensivos, etc., a partir de meados de setembro”.

Perdão, 8 de agosto de 95. Portanto, mais ainda adiante do que julho. Já perto do momento em que ele entrava para o hospital.

Eu sugeri essas visitas todas para serem feitas na Itália e na Espanha, para ir molhando a pólvora. O Sr. Dr. Plinio disse:

"Nem tem dúvida."

É o que ele disse, “nem tem dúvida”.

(Sr. A. Dantas: E usando uma argumentação na linha de dizer que nós agora, nessa hora em que a hierarquia está sofrendo todo o tipo de ataques, nós não queremos nos somar a esse coro e atacar a hierarquia também agora. Porque seria fazer o jogo dos inimigos da Igreja. Mas estamos sendo postos na contingência de nos defender por parte desse Mons. Corso, etc. e...)

"A idéia eu acho muito boa, mas deveria ser — tenho eu a impressão — melhor se fosse apresentada assim:
Agora os senhores vão ver como ele vai apresentar. Eu sugeri algo muito aquém do que vai ele [sugerir].
Esse episódio, essa situação nossa no Vaticano, como outras situações, não podem a nosso ver, e no interesse da própria Igreja, ser consideradas com a esplêndida tranqüilidade com que eram consideradas, por exemplo, há alguns anos atrás, em que a unidade da Igreja era muito mais definida e os seus próprios inimigos, mais ferrenhos, eram muito mais cheios de respeito e veneração para com Ela e de cautelas para com Ela, do que hoje em dia.
[Dizer] que hoje em dia, Ela está sendo muito atacada de vários lados. Ela está sendo atacada por igrejas não católicas, que não querem saber de unirse a Ela, que recusam o movimento ecumênico." 

Ele é que está dizendo.

Ela está sendo atacada por causa do desagrado que causam fatos como o Mons. Gaillot e, depois, Hume e Áustria etc. etc., Alemanha, e que portanto, nós vemos que isso tudo são ataques de fora para dentro, terríveis, e que visam nada menos, nem nada mais, do que uma espécie de ofensiva geral contra a Igreja Católica. Talvez em oposição ao plano da Igreja, de um grande movimento unitivo por ocasião da descida do Monte Sinai.

Querem que eu releia a frase?

Talvez em oposição ao plano da Igreja, de um grande movimento unitivo por ocasião da descida do Monte Sinai.

E que neste momento, em que a TFP — como nunca, nunca teve, mas [agora] menos do que nunca — [não] tem a idéia de fazer qualquer ataque à Igreja.

E ele termina:

"Era melhor a Igreja procurar utilizar a dedicação e o esforço indiscutível: 26 países são 26 países, que a TFP tem em vários lugares para pôr tudo isto ao serviço da Igreja, do que consumir a relação entre uma coisa e outra — entre TFP e Igreja — em fricções internas que não adiantam nada."

Ele mandou fazer visitas por toda Itália e por toda Espanha nesse sentido.

Isto está bem claro?

(Todos: Sim.)


* Com este objetivo, dois filhos do Sr. Dr. Plinio percorrem a América Hispana em visita a 29 dioceses


Foi até com esse objetivo que o Sr. Patrício Amunátegui e Fernando Larraín fizeram uma viagem por quase toda a América Hispana e visitaram vinte e nove dioceses.

O senhor ficou de dar um jornal-falado para os mais antigos e não deu ainda, o senhor está devendo. É que os mais antigos não sabem disso.

Eu que disse que não viajaria mais, me aconteceu de eu ter que viajar amanhã aqui no Brasil mesmo por uns dois, três dias. Então nós temos a noite de segunda, terça e quarta meio ajustáveis — se o senhor terminou o assunto do Equador, eu não sei — para poder fazer uma reunião para os mais antigos. Os mais novos não entendem dessa matéria, podem fazer apostolado nesse dia sem problema nenhum. Mas o mais antigos gostariam muito de saber o meandro de cada país, como aconteceu aqui, lá e acolá.

Mas, em duas palavras, se o senhor pudesse dar um resumo do que os senhores fizeram.... O senhor ou o Sr. Fernando.

(Sr. Patrício Amunátegui: Foi uma visita primeiro ao Chile e depois por vinte e nove dioceses. Em síntese, era essa argumentação dada pelo Sr. Dr. Plinio, mais os fatos novos da divisão, que tornava mais forte a argumentação.Nós notamos no conjunto — resumindo muito rapidamente — que apareceram três tipos de situações.
De um lado uns bispos modernistas, comunistas, “enragé”, furibundos contra a TFP, que era muito difícil abrir. O caso do Equador era típico, o comitê permanente do episcopado lá era feroz. Mesmo assim acabaram entrando em diálogo. Esses bispos “enragé” eram apoiados por grupos de ex-teólogos da libertação jesuítas que mexiam neles.
Depois havia uma gama enorme de bispos silenciosos, e nessa gama enorme nós notamos que dando toda a argumentação, havia um setor que se abria realmente para o Grupo e que passava a pedir o apoio do Grupo e a colaboração para enfrentar o desastre do apostolado atual da Igreja.
E se nota -- uma coisa que depois no jornal-falado pode-se ver mais claro -- que o caos está entrando de tal maneira, que cada um dos bispos está agora com posição própria e meio livres da sujeição férrea que antes tinham à Hierarquia. O que facilita muito o êxito da coisa.
Depois havia alguns bispos ligados normalmente à Opus Dei, conservadores, que se opunham também a nós, alegando que nós estávamos querendo driblar a Hierarquia, que nos dizíamos sociedade civil, mas atuávamos no campo religioso. Mas era um caso específico deles. Os demais foram de uma abertura absolutamente inesperada.Em todos os lugares em que haviam passado o coro e a fanfarra, esses bispos silenciosos se lembravam com saudades da visita, como sendo uma graça histórica na diocese dele. E pedindo colaboração mesmo. Um pediu até o “fax” de São Bento para poder estar informado do que se passava na Igreja e receber qualquer conselho, qualquer sugestão que viesse do Sr. João.
Chile talvez foi onde a reação política foi mais acentuada. Porque como a TFP havia atacado muito a Hierarquia, e quase como um todo, a maior parte dos bispos já não são os mesmos de antes, mas para eles, neste momento que a TFP se aproximasse deles, significava uma facilidade enorme. Então se abriram e essa abertura provavelmente chegou ao Vaticano, porque a atitude do arcebispo de Santiago foi constante.Apenas conto um fato.
Agora, depois de ir o Sr. João e a fanfarra, o Sr. Felipe foi chamado por um vigário que estava perguntado:
— Como é a coisa, está Fiducia ou não está Fiducia atrás da peregrinação?
O Sr. Felipe lhe explicou:
— Aconteceu isto, nós falamos com o Sr. Arcebispo.— Então me deixe um tempo e depois falamos.
Ele foi consultar e o arcebispo disse:
— Sim, realmente falaram comigo e temos que apoiá-los. Porque houve uma divisão na TFP e eles estão tomando posições muito boas. Têm que se abrir as portas e estimulá-los.)
Está muito bom.

Os senhores mais antigos vão ter um jornal-falado minucioso a respeito. É bem interessante para quem consegue acompanhar essas coisas. Eu quando tinha a idade deles não conseguia acompanhar isso assim, mas os senhores vão conseguir mais facilmente.


* Tomamos as atitudes que estamos tomando, para evitar que o que vem nos leve na enxurrada, e podermos com isso manter a Obra de nosso Fundador

Nós então chegamos ao ponto que é o seguinte:

Esse ataque que ia ser feito à TFP ficou em suspense. É verdade também que eles receberam um golpe duríssimo com o livro do Sr. Santiago, com a ação do Sr. Dr. Plinio, sobretudo a carta do Sr. Dr. Plinio a Mons. Corso. Isso fez com que eles sentissem que um golpe na garra deles tinha sido dado, e violento, mas eles não tinham desistido.

Houve a divisão e nós tomamos contato com gente muito de dentro do campo adversário que queria esmagar a TFP, e esse pessoal nos garantiu que eles vão liquidar a TFP na Europa e no mundo, e nos deram provas. Eu não posso aqui dizer mais do que isso.

Bem, em face disso, nós tomamos as atitudes que estamos tomando, de descaracterizar um tanto a nossa atitude como TFP, para evitar que o que vem nos leve na enxurrada, e podermos com isso manter a Obra do Sr. Dr. Plinio até o momento em que isto aqui se verifique, isto que eu li para os senhores agora de manhã se verifique.

Isto aqui se verificando, é libertas quae sera tamen.

Então, nós temos de saber, cada um no seu campo, cada um na sua atividade, agir em consonância. Se alguém quiser agir da sua própria cabeça, fazendo...

(Todos: Nossa!)

Eu não sou dirigista, nunca fui dirigista, os senhores me conhecem perfeitamente. Aliás, uma ou outra vez eu tive uma atitude dirigista e me arrependi muitíssimo. Não sou dirigista, se um quiser tocar uma política própria, eu lavabo inter innocentes manus. Não vou brigar com ninguém, faça o que quiser.

Agora, eu julgo que é suicídio. Porque se nós conseguirmos passar este mar vermelho a pé enxuto, quando chegarmos do outro lado, a gente fecha as águas. [Aplausos]


* Aos objetantes que dizem que estamos fazendo concessões que dão idéia de alaranjamento, dizemos que se conseguirmos passar a pé enxuto o “mar vermelho”, no outro lado vamos tomar as atitudes que a consciência indica que devamos tomar

Alguém dirá: “Mas isto não é legítimo. Onde já se viu?! Porque nós estamos fazendo concessões, dá idéia de que nós nos alaranjamos!”.

Eu não tenho senão esses documentos do Sr. Dr. Plinio. Tenho outros ainda, eu já li aqui para os senhores um documento claríssimo do Sr. Dr. Plinio, que foi uma refeição na qual eu estava presente, um almoço no 1º Andar, em outubro de 94, em que ele dizia que queria transformar a TFP numa associação privada de fiéis, e que ele não via outro meio,. Isso eu li para os senhores aqui, isso é outro tema. Porque ele dizia que senão vinham outros estrondos, outros estrondos e outros estrondos.

Se nós conseguirmos passar a pé enxuto, depois, no outro lado, nós vamos tomar as atitudes que a nossa consciência indica que devamos tomar. Isso é outra história.


* Dois casos ilustrativos na História Sagrada: David e Judite

Alguém dirá: “Mas isso não é legítimo. Porque isto no fundo é tapear, é ocultar uma parte da verdade e ocultar quem nós somos”.

David se encontrava em situação difícil, porque David está sendo perseguido por Saul. Saul tomou-se de um ódio preternatural contra David porque ele... no fundo é inveja da graça fraterna, ódio contra da David, porque David era o verdadeiro rei, já que tinha sido ungido por Samuel para ser o rei. Mas ele, legitimista, sustentava Saul, e enquanto Saul não morresse, ele não tomaria conta do trono jamais. Mas Saul vendo que as bênçãos de Deus se tinham retirado dele, e viver nessa humilhação, ele se via na contingência de ser asserenado nas suas infestações pela harpa de David.

David vai, vence Golias e começa a pegar fama. Foi um homem que se tornou mais afamado do que... a tal ponto que as mulheres gritavam nas ruas — eu li aqui outro dia um texto para os senhores, [dizendo que] as mulheres faziam isso no fundo para picar Saul e para ver se entusiasmavam David consigo mesmo: “Saul matou mil, David matou dez mil!”.

Compreendem que um jovenzinho ao lado do rei que é Saul... Saúl era o mais alto, um espadaúdo a mais não poder, um sujeito forte, e um jovenzinho de 18 anos que realiza uma epopéia magnífica face àquele grandalhão que não fez nada?! Ele ficava como uma espécie de pigmeu perto do outro, apesar da altura.

Ele tinha oferecido a primeira filha dele para quem vencesse Golias e ele acaba não dando a primeira filha. Fez mil e uma.

Tentou atravessar David com uma lança e David pulou de lado e conseguiu sair-se dessa. Depois perseguiu David a mais não poder por aqui, por lá, por acolá, e David fugindo. E Jônatas — filho de Saul — indicando para David o que deveria fazer: “Fuja para cá, fuja para lá. Cuidado, meu pai está com tal intenção contra você”. E ele está fugindo.

É primeiro Livro dos Reis, capítulo 21, versículo 10 em diante.


* David foge para junto do rei Aquis

10. Levantou-se, pois, David e fugiu naquele mesmo dia da presença de Saul e foi a (refugiar-se em casa) de Aquis, rei de Get. 11. E os criados de Aquis, tendo visto David, disseram ao rei: “Porventura não é este aquele David (respeitado como) rei do seu país?

Porque ele era tido como rei.

Não é este aquele, a quem cantavam nas danças. dizendo: «Saul matou mil, e David dez mil»”?

Como que dizendo: “Cuidado, esse homem é perigoso!”.

12. Considerou, porém, David estas palavras no seu coração, e teve muito medo de Aquis, rei de Get.

Ele disse: “Ihh, esse rei vai me decapitar, vai me pegar”.

13. E demudou o seu rosto diante deles,...

Ele mudou a fisionomia.

Puxa, mas isto é uma falsidade! David não podia ter feito isso, mudou a fisionomia!

... e deixava-se cair entre as suas mãos, e dava com a cabeça nos batentes da porta,...

Ia passar na porta [e batia a cabeça]. [Risos]

... e deixava correr saliva na barba. 14. E Aquis disse aos seus criados: “Vistes que este homem está louco, por que o trouxestes à minha presença? 15. Porventura faltam os loucos, por que introduzistes este, para fazer loucuras na minha presença? Deve ele entrar em minha casa?”.
Cap. XXII. — 1. David, pois, partiu dali, e fugiu para a cova de Odolon.
Quer dizer, ele se fez de gagá, ele se fez de louco, por quê? Porque não tinha outro meio, senão ele era morto. É legítimo isso?

(Todos: Claro.)

É santo, está aí como exemplo. Mas não basta isso.


* Assédio de Holofernes a Betúlia

Eu não vou contar a história toda de Holofernes, não vou ler tudo isto aqui, porque senão terminamos a reunião nisso só, eu quero apenas dar a idéia aos senhores.

Holofernes foi tomando conta de vários povos, até chegar onde estavam os judeus localizados naquele tempo em umas montanhas. Os judeus estavam nas montanhas, porque era um lugar de mais difícil acesso e, portanto, muito mais vantajoso para vencer qualquer invasor que os procurasse. Mas, estando numa montanha, tem-se que receber água de fontes. Porque não dá para fazer poço no alto de uma montanha, tem que perfurar, perfurar, e não se consegue água.

E Holofernes chega a essa região com 120 mil soldados, 35 mil a cavalos, um exército arrasador. Ele vinha destroçando todos os povos até onde tinha chegado. Chega ali, vê que os judeus fazem resistência e não querem se entregar. Então ele chama um tal de Aquior que vivia por aquela região e Holofernes queria saber quem eram os judeus que estavam pondo essa resistência a ele.

E Aquior conta a história dos judeus: “Eles não são grandes militares, mas o que tem é que ele fizeram um pacto com um Deus, é um Deus único que eles adoram, e esse Deus os tem protegido assim: Sempre que eles andam bem na vida espiritual, esse Deus dá toda proteção para eles; se eles cometerem algum pecado, esse Deus os abandona. De maneira que para vencê-los é preciso saber se eles cometeram alguma falta contra Deus. Se eles não cometeram, não vá por cima deles, porque esse Deus destroça”.

Holofernes fica uma fera, e os oficiais de Holofernes também ficam furiosos porque aquele homem miserável estava garantindo que os judeus iam vencê-los. Onde já se viu isso?

Pegam o Aquior e dizem: “Agora você que tem essas suas convicções vai ser levado para o campo dos judeus, ser entregue lá, e quando nós entrarmos para destroçar os judeus, você vai ser morto junto com eles”.

Tomaram o Aquior, levaram-no, e quando os soldados judeus estão percebendo que tem qualquer movimentação começam correr atrás com pedras, com não sei quanto, eles amarram o Aquior numa árvore e saem correndo. Aí pegam o Aquior, levam para dentro da fortaleza dos judeus e o Aquior conta a história toda, conta quanto eram os soldados. Imaginem o que deve ter acontecido com os judeus.

Aflitos, lançam-se no chão, choram, não sei mais quanto, e fazem pressão sobre o rei, para que se entreguem. Tanto mais que o miserável deste Holofernes percebeu onde é que estavam as fontes onde os judeus iam pegar água e colocou cem soldados em cada fonte. Com isso os judeus começaram a passar sede e, com o senso securitário que tem o povo judeu, começaram a fazer pressões tremendas sobre o rei para que fizesse as pazes com Holofernes.

O rei pede cinco dias. Se nestes cinco dias Deus não interviesse, eles então se entregariam.


* Judite face às palavras inconsideradas do povo Judeu

Judite ouve isso. E vem então a história de Judite, que era lindíssima, que tinha família numerosa, tinha possessões, que tinha feito na casa dela um quarto para viver em contemplação, ela vivia em oração, etc.

Judite chama a atenção do rei e dos mais velhos daquele tempo, dos provectos, dizendo que era absurdo, que não deveriam se entregar de jeito nenhum, que não deveriam chegar a isso, que não deveriam tentar a Deus, porque dar prazo para Deus, era tentar a Deus. Deus tinha direito de castigá-los, mas que era preciso que eles se tomassem com humildade e que confiassem em Deus.

Então ela pede que não perguntem nada a ela e que rezem por ela, porque ela ia tomar uma atitude, mas queria a confiança deles. Eles percebem nela — porque era uma santa e era tida como santa — a voz do Espírito Santo, a voz de Deus, e aceitam tudo o que ela propõe.

À noite, ela, então, toma os seus melhores vestidos, os mais penetrantes perfumes, se atavia da melhor forma possível, pega uma garrafa de vinho, um pouco de farinha, algumas coisas assim, e sai com a empregada dela. Chega na porta, estão ali os oficiais que a vêem, se encantam com ela porque estava extraordinariamente bela, e deixam-na sair.

Agora eu faço questão de ler, porque os senhores vão ver o que é que se passa, e os senhores vão ver se uma inspiração de Deus num determinado rumo tem validade ou não tem validade.

Eu não vou ler a oração que ela faz também.

Vejam só até o modo com que ela se arruma:


* Judite enfeita-se e sai de Betúlia

2. Chamou a sua criada, e, descendo à sua habitação, tirou o seu cilício, despiu-se dos hábitos da sua viuvez, 3. lavou o seu corpo, ungiu-se de preciosos cheiros, entrançou os cabelos da cabeça, pôs uma coifa sobre a cabeça, vestiu-se com os vestidos de gala, calçou as suas sandálias, pôs braceletes e jóias do feitio de açucenas, arrecadas e anéis, (numa palavra) ornou-se com todos os seus enfeites.

Alguém diria: “Ihhh, foi demais!”. [Risos]

Sim, porque o “terceira força” sempre acha que isso é demais.

(Todos: Que horror!)

Mas vem uma palavra da Escritura:


4. O Senhor aumentou-lhe ainda a gentileza, porque todo este adorno procedia, não de algum mau desejo, mas de virtude; e por isso o Senhor aumentou-lhe a formosura, a fim de que parecesse aos olhos de todos de incomparável beleza, 5. mandou à sua criada que levasse uma garrafa de vinho, uma almotolia de azeite, farinha, passas, pão, queijo e partiu.6. Ao chegar à porta da cidade, encontraram Ozias e os anciãos da cidade, que a estavam esperando. 7. Eles, ao vê-la, ficaram estupefatos e maravilhados de sua beleza. 8. Não lhe perguntando, contudo, coisa alguma, deixaram-na passar, dizendo: “O Deus de nossos pais te dê graça e corrobore com a sua fortaleza todas as resoluções do teu coração, para que Jerusalém se glorie em ti, e o teu nome seja colocado no número dos santos e justos.

Isto mostra que Deus tinha posto no coração dos judeus também um discernimento e uma certeza de que ela ia ajeitar tudo. Uma confiança nela.

9. Os que estavam ali, disseram todos a uma voz: “ Assim seja, assim seja”. 10. Judite, orando ao Senhor, passou as portas com a sua escrava.

Agora vem algo que é de arrepiar. Eu confesso que no começo eu tentei encontrar uma restrição mental: “Bom, aqui ela deve ter feito uma restrição mental”. Mas tem outros trechos que não dá para fazer restrição mental, não tem jeito, não dá. [Risos]


* Judite é presa e levada à presença de Holofernes

11. Aconteceu que, quando ela descia do monte, ao amanhecer do dia, lhe saíram ao encontro as guardas avançadas dos assírios e prenderam-na, dizendo: “Donde vens tu? e para onde vais?”. 12. Ela respondeu: “Eu sou uma das filhas do hebreus. Fugi da presença deles...

Aqui, claro, é restrição mental: é fugir no sentido de que eu os deixei, os abandonei, eu preferi não estar com eles para poder salvá-los.

... porque previ que eles vos hão de ser entregues ao saque,...

Puxa, mas como é que ela previu? Está certo, é evidente, ela imaginou que se ela não tomasse a atitude que estava tomando, eles iam fazer um saque contra os judeus. Perfeito, está bom.

... porque, desprezando-vos, não quiseram render-se a vós, voluntariamente,...

Aqui está perfeito, eles não quiseram mesmo, eles desprezaram e não quiseram se render. Perfeito.

... para encontrarem misericórdia em vossa presença.

Sim, claro, porque com isso eles estavam postos a salvo e encontravam uma espécie de alforria da parte dos outros. Perfeito, não tem mentira nenhuma, não há nada.

13. Por esta causa pensei comigo, dizendo: “Irei à presença do príncipe Holofernes, para lhe descobrir os seus segredos...

Puxado, ela vai contar os segredos dos judeus para Holofernes.

... e para lhe mostrar por que entrada os possa tomar...

Bom, aqui ela deve ter feito uma restrição que eu não sei qual é, mas, enfim... [Risos]


... sem que pereça um só homem do seu exército”.

Sem que pereça um assírio?! Puxa, então ela vai mostrar onde é que podem entrar para matar todos.

14. Ora, tendo aqueles homens ouvido as suas palavras, contemplavam o seu rosto e nos seus olhos estava o pasmo, porquanto admiravam-se muito da sua formosura.

Eles estavam completamente tomados por ela.

15. E disseram-lhe: “Tu salvaste a tua vida, porque tomaste tal resolução de vir ter com o nosso príncipe; 16. e podes estar certa de que, quando te apresentares diante dele, ele te há de tratar bem, e lhe hás de ganhar o coração. Levaram-na, pois, à tenda de Holofernes, declarando quem era.17. E tendo entrado à sua presença, logo Holofernes ficou cativo de seus olhos. 18. Os seus oficiais disseram-lhe: “Quem poderá desprezar o povo dos hebreus, que tem mulheres tão belas? Não temos nós razão de combater contra eles para as adquirir?”.

Os senhores estão vendo que... No fundo ela não visou isso, mas ela está sendo objeto de pecado. Mas ela não visou isso.

19. Judite, vendo Holofernes assentado debaixo de um dossel feito de púrpura e tecido de ouro, de esmeraldas e de pedras preciosas, 20. depois de ter olhado para o seu rosto, fez-lhe uma profunda reverência, prostrando-se por terra. Os criados de Holofernes levantaram-na, por ordem do seu senhor.


* Judite anuncia a Holofornes a vitória sobre os judeus

1. Então Holofernes disse-lhe: “Tem ânimo e não te assustes em teu coração; porque eu nunca fiz mal a homem algum que quisesse servir ao rei Nabucodonosor. 2. Se o teu povo me não tivesse desprezado, não teria eu levantado contra ele a minha lança. 3. Mas, dize-me agora, por que motivo os deixaste e te resolveste a vir para nós?”.

Agora não tem restrição nenhuma aqui.

4. Judite respondeu-lhe: “Ouve as palavras de tua serva, porque, se seguires as palavras de tua serva, o Senhor completará a tua empresa. 5. Viva Nabucodonosor, rei da terra, e viva o seu poder, que está nas tuas mãos para castigo de todas as almas desencaminhadas; porque não somente os homens por ti o servem, mas até os animais do campo lhe obedecem. 6. Porque a sabedoria do teu espírito é celebrada em todas as nações, e por todo o mundo se sabe que tu és o único bom e poderoso em todo o seu reino, e por todas as províncias é exaltada a tua perícia militar.7. Não se ignora o que disse Aquior, nem o que tu ordenaste que lhe fosse feito.

Quer dizer, Aquior contou a história dos judeus perfeita. Ela concorda com o que disse Aquior.

8. É manifesto que o nosso Deus está de tal sorte irritado pelos pecados, que mandou dizer ao povo, por meio de seus profetas, que o entregaria por causa das suas ofensas.

Então ela diz que o povo judeu vai ser entregue nas mãos de Holofernes, por causa das ofensas que ele fez, e que isto foi profetizado. Puxado!

9. Porque os filhos de Israel ofenderam o seu Deus, o temor de ti está sobre eles. 10. Além disso, a fome aperta-os e pela falta de água estão já como mortos. 11. Eles finalmente resolveram matar os seus animais e beber o seu sangue; 12. e as coisas consagradas ao Senhor seu Deus, que Deus mandou que se não tocassem, no pão, no vinho e no azeite, resolveram gastá-las e querem consumir o que não deveriam nem tocar com as mãos; por isso, procedendo assim, é certo que serão abandonados (por Deus) à perdição.13. E eu, tua serva, tendo sabido isto, fugi deles, e o Senhor enviou-me a descobrir-te estas coisas. 14. Porque eu, tua serva, adoro a Deus, ainda mesmo agora, estando diante de ti. A tua serva sairá, orará a Deus, 15. o qual me dirá quando os hás de castigar pelo seu pecado. Eu to virei dizer, de modo que eu te levarei pelo meio de Jerusalém; terás todo o povo de Israel, como ovelhas que não têm pastor, e nem um só cão ladrará contra ti; 16. porque isto me foi revelado pela providência de Deus. 17. E porque Deus está irado contra eles, eu fui enviada para te anunciar estas mesmas coisas.

É puxado, é puxado.

Eu vejo os orientais mais movimentados, porque os orientais compreendem esse drama todo melhor do que nós.


* Alegria de Holofernes

18. Ora, todas estas palavras agradaram a Holofernes e aos seus servos. Admiravam a sua sabedoria e diziam uns para os outros: 19. “Não há sobre a terra mulher semelhante a esta no aspecto, na formosura e na prudência das palavras”. 20. Holofernes disse-lhe: “Bem fez Deus, que te enviou adiante do teu povo, para o entregares nas nossas mãos; 21 e, visto que a tua promessa é boa, se o teu Deus me fizer isto, será ele também o meu Deus; tu serás grande na casa de Nabucodonosor e o teu nome será célebre em toda a terra.

E ele dá liberdade a ela, dá uma tenda para ela, liberdade plena para ela.

Ela, então, sai à noite para rezar — e ela reza mesmo, imaginem que orações ela devia fazer —, depois volta para a tenda, e estava levando uma vida de inteira liberdade, com todo apoio e com toda proteção perto de Holofernes.

Holofernes quando chega no quarto dia manda, por um escravo dele, dizer a ela que ele a convidava para estar com ele. Um convite péssimo, porque era humilhante para ele ter estado com uma mulher tão bela e não fazer este convite. Então ele faz um convite para ela estar num banquete que ele ia dar a toda a corte. Era um superbanquete e que depois, então, ela estaria com ele a sós.

Ela vai, toma as coisas dela, o vinho, o trigo, etc., e se senta ao lado de Holofernes. E Holofernes, tomado pela presença dela, vai se alegrando no vinho e se embriaga.


* Judite corta a cabeça de Holofernes

1. Ora, quando se fez tarde, os criados de Holofernes retiraram-se apressadamente para os seus quartos. Vagão fechou por fora as portas da câmara e foi-se. 2. E estavam todos tomados do vinho. 3. Judite estava só na câmara.

Todo mundo estava bêbado, ela estava sozinha com ele na câmara.

4. Holofernes estava deitado no leito, profundamente adormecido por causa de extraordinária embriaguez. 5. Então Judite disse à sua criada que estivesse de fora à porta da câmara e vigiasse.


* Um ponto importante a ressaltar: tanto David quanto Judite não se deixam amolecer internamente

Isto é que eu queria chamar a atenção dos senhores! E meu objetivo com a reunião era, sobretudo, este: tanto David quando se faz de louco, quando Judite que se deixa chegar a essa situação, em nenhum momento eles amoleceram internamente. [Aplausos]

Em nenhum momento eles acharam bonitas as roupas de Holofernes, em nenhum momento ela ficou encantada pelas esmeraldas, em nenhum momento ela achou interessante a comida de Holofernes. Ela levou comida sua, para não comer carne de porco, para não comer as coisas proibidas por Moisés. Ela foi com os seus alimentos, fez vigílias de orações, ela se manteve em oração permanentemente, sempre com o fogo da alma aceso.

De modo que se nós tenhamos de passar — que Deus nos livre e guarde — por outra situação como a de ontem, por exemplo, é preciso internamente estar com o fogo aceso e com uma vontade enorme de ... [Aplausos]

Quer dizer, Judite não foi para o campo dos adversários julgando: “Eu vou ser uma como eles, vou viver com eles e, pronto, minha vida está arranjada. Eu depois vou fazer o seguinte: eu me uno a Holofernes, com jeito eu vou convencendo a ele de não atacar os judeus e deixar os judeus à vontade. Com isso eu terei conquistado a vitória para o meu povo, e meu povo vai viver. Eu serei sacrificada, serei levada por esses bárbaros, por esses vândalos, mas eu estou disposta a entregar [o sangue]”.

Em nenhum momento! Ela estava ali rezando para que chegasse a hora que ela pudesse cortar a cabeça do outro. Que negócio é esse de entregar o sangue? Coisa nenhuma! Interessa o sangue do outro, não o meu.

Vejam que ela não tem pressa, ela não tem nervosismos. Não, não, ela está calma:

6. Judite estava em pé diante do leito, orando com lágrimas, e, movendo os lábios em silêncio, 7. disse...

Essas lágrimas vinham de um fogo, vinham de um ódio, vinham de um desejo de vingar a Deus. Não era de outra coisa.

Ela não vai dizer: “Tende pena de mim”. Não é isso, não.


... “Senhor Deus de Israel, dá-me força e favorece neste momento a empresa das minhas mãos,...

Claro, ela é dama, ela é delicada, ela tem que pegar uma espada e cortar a cabeça de um gorila como aquele?

... a fim de que, como prometeste,...

Era uma voz interior, era uma voz mística, uma voz da graça que dizia a ela que deveria chegar a isso.

... levantes a tua cidade de Jerusalém e eu acabe o que julguei que se podia fazer com o teu auxílio.

Ela julgou que podia chegar àquele momento, ela sonhou com aquele momento, ela anteviu aquele momento por uma ação mística.


8. Dito isto, encostou-se à coluna, que estava à cabeceira do leito de Holofernes, desprendeu o seu alfange, que estava pendurado e preso nela. 9. E, tendo-o, desembainhado, agarrou nos cabelos da cabeça de Holofernes e disse: “Senhor Deus, dá-me força neste momento”. 10. Feriu-o no pescoço por duas vezes, cortou-lhe a cabeça, desprendeu das colunas o cortinado e deitou por terra o seu corpo decapitado. [Aplausos]

Pouco tempo depois, saiu, entregou à sua escrava a cabeça de Holofernes e mandou que a metesse no seu saco.


* Entra triunfante em Betúlia

11. Pouco tempo depois saiu e entregou à sua escrava a cabeça de Holofernes, e mandou que a pusesse no seu saco. 12. Saíram ambas, conforme o seu costume, como se fossem para a oração, passaram além do campo, e, rodeando o vale, chegaram à porta da cidade. 13. Judite disse de longe aos guardas dos muros: “Abri as portas, porque Deus é conosco, ele fez uma coisa maravilhosa em Israel”. 14. Sucedeu que, tendo os homens ouvido a sua voz, chamaram os anciãos da cidade. 15. Todos correram a ela, desde o menor até ao maior, porque já não esperavam que ela voltasse. 16. E, acendendo luminárias, juntaram-se todos ao redor dela. Judite, subindo a um lugar mais alto, ordenou que se fizesse silêncio.

Porque estavam todos: “Ohh, fenomenal, fenomenal!”.

Estando todos calados, Judite disse: 



“Louvai o Senhor nosso Deus, que não desamparou os que esperavam nele. 18. Cumpriu por meio de mim, sua serva, a misericórdia que tinha prometido à casa de Israel; matou esta noite pela minha mão o inimigo do seu povo.19. E, tirando do saco a cabeça de Holofernes, mostrou-lha dizendo: “Eis aqui a cabeça de Holofernes, general do exército dos assírios, e eis aqui o seu cortinado, debaixo do qual ele estava deitado na sua embriaguez, onde o Senhor nosso Deus o degolou pelas mãos duma mulher. 20. Juro-vos pelo mesmo Senhor que o seu anjo me guardou, tanto ao sair desta cidade, como ao demorar-me lá e como ao voltar para aqui. O Senhor não permitiu que eu, sua serva, fosse manchada, mas fez-me voltar para vós, sem nenhuma mácula de pecado, cheia de alegria por sua vitória, pela minha salvação e pela vossa libertação.

Isso é um milagre extraordinário.

Louvai-O todos, porque é bom, porque a sua misericórdia é eterna. Então todos, adorando o Senhor, disseram-lhe: “O Senhor te abençoou com a sua fortaleza, porque ele por ti aniquilou os nossos inimigos”.

Bom, o resto os senhores estão vendo o que é que acontece.

Quando os assírios se dão conta de que Holofernes foi decapitado, há um pânico tremendo.


* Terror dos assírios ao saberem da morte de Holofernes

7. Logo que apareceu o dia, penduraram sobre os muros a cabeça de Holofernes. Cada um tomou as suas armas e saíram com muito estrondo e alarido. 8. Vendo isto as sentinelas avançadas, correram à tenda de Holofernes. 9. Ora, os que estavam na tenda, indo e fazendo ruído à entrada da câmara, a fim de o despertar, procuravam com arte que Holofernes acordasse sem ser despertado, mas sim pelo ruído que faziam. 10. Porque nenhum ousava abrir ou bater à porta da câmara do general dos assírios.

Deveria ser um tipo com um mau-humor do outro mundo e mandava matar quem batia na porta.

11. Mas, tendo vindo seus capitães, tribunos e todos os oficiais maiores do exército do rei dos assírios, disseram aos camareiros: 12. “Entrai e acordai-o, porque saíram os ratos das suas cavernas e tiveram o atrevimento de nos desafiar para o combate”.13. Então Vagão, tendo entrado na câmara de Holofernes, pôs-se diante da cortina e bateu com as mãos; porque imaginava que ele dormia com Judite. 14. Porém, aplicando o ouvido e não percebendo nenhum movimento de quem dormia, aproximou-se mais da cortina, levantando-a, e vendo o cadáver de Holofernes sem cabeça, que jazia estendido sobre a terra, banhado no seu próprio sangue, gritou em alta voz com lágrimas e rasgou os seus vestidos.15. Tendo entrado na tenda de Judite, não a encontrou, correu fora para o povo, 16. e disse: “Uma mulher hebréia pôs a confusão na casa do rei Nabucodonosor, porque eis aí Holofernes estendido por terra e sem cabeça o seu corpo. 17. Tendo ouvido isto os chefes dos exércitos dos assírios, rasgaram todos os seus vestidos, e um insuportável temor e susto os surpreendeu, e os seus ânimos perturbaram-se em extremo. 18. E levantou-se um clamor espantoso no meio do seu acampamento.

* Fuga dos assírios

1. Quando, pois, todo o exército soube que Holofernes tinha sido decapitado, perderam a razão e o conselho, e, agitados unicamente pelo temor e pelo medo, buscaram a salvação na fuga, 2. de sorte que nenhum falava ao seu companheiro, mas de cabeça baixa, tendo abandonado tudo, apressavam-se a escapar dos hebreus, os quais ouviam vir armados sobre eles, e fugiam pelos caminhos dos campos e pelas veredas dos outeiros.3. Os israelitas, pois, vendo-os fugir, seguiram-nos. Desceram (o monte), tocando trombetas e gritando atrás deles. 4. E, como os assírios desordenados iam fugindo precipitadamente, os filhos de Israel, que os perseguiam juntos em um só batalhão, destroçavam todos os que podiam encontrar.5. Ozias mandou mensageiros a todas as cidades e províncias de Israel. 6. Assim cada província e cada cidade mandou em seu alcance uma juventude escolhida e armada, e perseguiram-nos a fio de espada até a extremidade de seus confins. [Exclamações]

* Triunfo e glória de Judite

9. O sumo pontífice Joacim foi de Jerusalém a Betúlia com todos os seus anciãos, para ver Judite. 10. Tendo ela saído a recebê-los, abençoaram-na todos a uma voz, dizendo: “Tu és a glória de Jerusalém, tu a alegria de Israel, tu a honra do nosso povo; 11. porque procedestes varonilmente e o teu coração foi cheio de força; porque amaste a castidade, e, depois do teu marido, não conheceste outro homem; por isso não só a mão do Senhor te fortaleceu, mas também serás bendita eternamente. 12. Todo o povo respondeu: “Assim seja, assim seja”. 13. E durante trinta dias, apenas pôde o povo de Israel recolher os despojos dos assírios. 14. Mas tudo aquilo que se soube ter pertencido a Holofernes, deram-no a judite em ouro, em prata, em vestidos, em pedras preciosas, em toda a sorte de móveis, e tudo lhe foi dado pelo povo. 15. Todos os homens se alegravam com as mulheres, com as donzelas, com os jovens, tocando órgãos e cítaras.


* Devemos conservar o espírito pliniano, dentro da fase que ele mesmo indicou que nós devêssemos entrar, sem amolecer

Bem, eu chamo atenção novamente para este ponto: que de forma alguma, na atual fase — que eu julgo ser curta, não será longa — nós não podemos deixar nosso espírito amolecer. Não podemos deixar nosso espírito amolecer, porque nós devemos conservar o espírito pliniano, dentro da fase que ele mesmo indicou que nós devêssemos entrar.

Está dito por ele. Agora, se ele indicou, é porque ele via que poderia, com a ação de presença dele, com a orientação dele, segurar os espíritos para que não amolecessem.

Ele não está aqui, está na eternidade, e da eternidade ele age sobre nós. Mas nós devemos tomar cuidados para que este amolecimento não se dê.

Porque, em primeiro lugar, nós não temos o olhar dele, e o olhar dele é santificador, o olhar dele põe nos trilhos, põe nos eixos. À margem do que estamos fazendo, temos uma necessidade maior... Por exemplo, há vários que estão faltando aqui hoje de manhã, porque estão em funções fora. São eremitas de clausura, mas estão em apresentações. À tarde tem outra apresentação. Ontem já tivemos uma. E é preciso ter contato com o povo constantemente.

Isto pode trazer AMOLECIMENTO! E se os senhores amolecerem, a responsabilidade será dos senhores, porque eu estou advertindo. [Exclamações]

Nós, pelo contrário, devemos nos endurecer muito mais nessas circunstâncias do que se estivéssemos em circunstâncias normais.

O demônio já tentou fazer estragos entre nós. Haja visto o que foi de onda preternatural nos ambientes dos Êremos Itinerantes. Algum dia ainda nós contamos o que houve de concreto. O demônio tentou destroçar os Êremos Itinerantes, por quê? Porque esse contato com o público ele não quer.

Assim como ele tentou destroçar os Êremos Itinerantes, ele vai tentar destroçar os Êremos de clausura. E com os Êremos de clausura na seguinte linha: viagem, então vai-se para o Titicaca, sai-se do Titicaca e vai-se para Puerto Montt; em Puerto Montt tem ali um mar maravilhoso, e chega a hora de subir no ônibus, aparece um eremita de calção de banho, está todo molhado, porque meteu-se na água.

Com autorização de quem? Com a orientação de quem?

E um outro está abordando uma jovenzinha de quinze anos que vai entrar em contato com ele por Internet e vão se corresponder por Internet.

Depois o mar atrai não sei quanto, o mar não sei o quê, o mar não sei quanto, e deixam, esquecem, penduram num cabide, penduram num prego a virtude da obediência.

Isto traz como conseqüência a introdução de um espírito de moleza, de um espírito de falta de disciplina dentro das nossas hostes.

Isso não é fazer o papel de Judite, isso não é fazer o papel de David. Esse é o papel de Patu, esse é o papel de traidor, é de Judas.

Quer dizer, nós devemos pendurar num cabide, pendurar num prego nosso amor-próprio — melhor ainda, devemos calcar aos pés nosso amor-próprio — e devemos estar com um desejo...

Sair junto à opinião pública, ótimo, porque nós estamos cumprindo uma missão. Mas nós devemos sair com um desejo enorme de voltar à disciplina, de voltar à vida comunitária dentro do êremo, de voltar ao cântico do ofício, de voltar à contemplação do Sr. Dr. Plinio, de voltar ao silêncio, ao recolhimento.

Se não for isso, nós estamos amolecendo. Porque Judite não via a hora de voltar para o seu povo com a cabeça de Holofernes.

Se não for isso, nós estamos fora da pista e estamos dando mau exemplo. Além de deteriorar nossas próprias almas.

Eu lhes mostro um trabalho feito pelo Sr. Queiroz, um trecho desse trabalho que ele tira do MNF do dia 30 de novembro de 1994. Vem uma citação que está na Escritura do profeta Elias ao rei Acab. Elias diz a Acab dele mesmo isso:


* Como Elias, o Fundador está aderido, para a vida e para a morte, à sua missão contra-revolucionária

“Eu sou inimigo de todo aquele que não diz a verdade sobre Deus”.

E o Sr. Dr. Plinio comenta na Comissão Médica de 22 de maio de 94 o seguinte:

Como Elias, o Fundador está aderido assim, para a vida e para a morte, à sua missão contra-revolucionária.
Quer dizer, nós não podemos pendurar nossa missão contra-revolucionária, de jeito nenhum.
Nem a angústia, nem as incompreensões, nem a tribulação, nem a confusão ou os mistérios mais impenetráveis, nada os separa dessa luz da sua vocação.
In diabulus diabulorum há segredos puramente psicológicos, de modos de tratar, de modos de fazer, etc., segredos puramente... por exemplo, na linha ambientes e costumes, na linha arte real, etc., etc., que são mais importantes até do que este. E que são os segredos mais altos de mover a alma humana. Esses segredos, eu penso que o demônio acha que eu não tenho.
Talvez eu não tenha todos, mas tenho um certo número deles e naturalmente emprego esse certo número que tenho no detrimento deles.


* Quando o bem se apresenta em causa íntegra tem uma capacidade de ação que a causa que seja um pouco nãoíntegra não tem — O exemplo do Fundador

Agora, eles percebem esse detrimento deles,....

Quer dizer, o demônio, as FFSS percebem a ação do Sr. Dr. Plinio e percebem o mal que ele faz.

... mas percebem uma coisa que é mais,...

E é por aí que nós nos unimos a nosso Pai e Senhor.

... e que está mais ou menos em tudo quanto eu faço. Que é o seguinte: Bonum ex integra causa, malum est quocumque defecto.

É aquela integridade do Sr. Dr. Plinio, é aquela perfeição completa, total, sem mácula nenhuma, é aquele fundo de alma de desejo de adorar a Deus, de desejo de lutar pela glória de Deus, de desejo de implantar a glória de Deus na face da terra. Mas com uma totalidade tão total, que isto é algo que produz mais estrago na Revolução do que todas as técnicas e todos os segredos que ele conhece. É ser.

De maneira que nós podemos perfeitamente nos desculpar de não conhecer as regras, nós podemos perfeitamente nos desculpar pelo fato de não ter o discernimento dos espíritos que tinha nosso Pai e Senhor, porque não nos foi dado. Eu não tenho, eu não conheço, eu não sei qual é a arte real que é empregada do outro lado, eu não estudei isso, eu não tenho idéia, e mesmo que estudasse, eu não assimilaria isso porque me falta um dom. Eu não posso ser condenado por não ter um dom. Esse dom não me foi dado.

Entretanto, foi-me dado um dom, e esse dom eu vou ter que prestar contas a respeito dele no dia do meu juízo. Esse dom é um dom de integridade tão grande, tão perfeito, tão extraordinária, tão sem mancha, tão sem sombra, que eu bati os olhos, vi esse dom em toda a sua integridade e fui convidado no meu interior: “Meu filho, seja como eu”. [Exclamações]

E eu não posso dizer que eu não fui convidado, eu não posso dizer que eu não recebi forças para isso, eu não posso me eximir com desculpas diante do meu juízo de que “não foi bem assim, que foi de uma outra forma”. Eu fui convidado a ter essa integridade e eu devo manter essa integridade em qualquer circunstância em que eu me encontre: quer seja num êremo itinerante, quer seja numa coleta de donativos, quer seja dentro de um êremo de clausura, quer seja fazendo uma apresentação em Paris, na catedral de Notre Dame, e saindo de Paris me vem a tentação de não sei o quê. Ou então numas praias magníficas de não sei onde, que eu de manhã cedo acordo bem de madrugada, vou e passo o dia dentro da água, sem pedir licença, sem comunicar a ninguém e fazendo da minha própria conta. Pior ainda é usar a piscina de um hotel.

Eu fazendo isso estou pecando contra aquela integridade que me foi pedida pelo meu Fundador.

O ato ainda de entrar, de escapar, de fazer a coisa da sua própria cabeça, este ato é ruim. Mas o pior do ato é o espírito de falta de obediência, do espírito de falta de disciplina, do espírito daquela coesão eremítica, interna, que é a semente da ordem de cavalaria de nosso Pai e Senhor.

Eu estou tomando essa semente, pisando sobre ela e esmagando essa semente, por quê? Porque pouco me importa a ordem de cavalaria de MSS, o que me importa é o meu prazer, o que me importa é o meu delírio, o que me importa é o meu desejo de dar vazão às minhas apetências.

Homem, olho, porque isso pode levar para o Inferno. Cuidado!

Eles percebem que na menor coisinha deles que eu ataque, eu ataco o fundo, e o fundo onde se relaciona muito freqüentemente com o fundo da arte real, dessas coisas, mas muito freqüentemente. E eles percebem aí que essa possibilidade de atacar tão a fundo e de entrar tanto em pormenores, tem como corolário uma proteção especial da Providência. E tem algo que só se pode conceber assim, não se pode conceber de outra maneira, e que se diria do seguinte modo: quando o bem se apresenta em causa íntegra,...

Ele não diz que é preciso conhecer as artes, que é preciso ter o discernimento, o que ele diz é que é preciso ser íntegro. Nós precisamos ser varões íntegros.

... ele tem uma capacidade de ação que na causa um pouco que seja nãoíntegra ele não tem. A integridade tem por si uma força de ação que a não íntegra não tem.Um eremita que deixou de ser íntegro em matéria de disciplina num ponto, ele não tem aquela carga que é a carga pliniana. Nele falta o impacto, e ele deixa de fazer o apostolado que deveria.
E esta força as nossas coisas têm.
(Sr. J. Clá: É a onipotência da integridade)
É isso. A onipotência intrínseca da integridade enquanto tal.Seja íntegro e serei omnipotente.E isso deixa a eles exacerbadíssimos.
Nós precisamos ter essa integridade de fundo de alma, esse desejo de perfeição, esse desejo de santidade, esse desejo de praticar as virtudes em grau heróico. Esse desejo nós precisamos ter, e isso é que deixa os adversários exacerbadíssimos.
Não é fazer um livrinho contra a missa. O que importa é ser assim.
Porque dirseia que se nós fizéssemos uma TFP mais laranja e mais concessiva, viria mais gente.
Quando o contrário é que é verdade.
Viria menos gente e de muito menos categoria.
(Sr. J. Clá: E gente que nos arruinaria.)
Que nos arruinaria. Levaria não sei para onde. Porque só a integridade dá a possibilidade de conseguir a derrota do demônio.

* Integridade enquanto contrarevolucionária como a que tem o Fundador, só um número muito reduzido de santos tiveram — Não tolerar o menor laivo de Revolução

No fundo, eu preciso reconhecer, por mais ingrato que seja, que a integridade enquanto ContraRevolucionária, essa integridade um número reduzido de pessoas tem tido.

É uma integridade levada a não permitir que em nenhuma coisinha fique um grão de poeira tolerado. Se se notar, eu vou tirar o grão de poeira, mas alarmado como se fosse desmontar uma bomba atômica.

É exatamente o que eu faço: é pegar uma coisinha qualquer, vamos dizer:

— Bom, então eu deixo para depois do almoço...

— Não, vamos agora.

— Não, mas para daqui a quinze minutos.

— Não senhor, vamos já e agora.

— Então nós desmontamos na metade da coisa que ...

— Não senhor, nós vamos desmontar as peças, destruir as peças, e fazer desaparecer a matériaprima de que essas peças constavam.

Vamos dizer que fosse de níquel. Vamos pegar todo o níquel que isto é feito, derreter, ferver, arranjar e jogar no rio uma poeira de níquel, no fundo, que ninguém possa recolher e que de vez em quando um pouquinho passe, um pouquinho passe, para acabar deixando, tanto quanto é possível a um homem — que não é criador e que, portanto, não pode reduzir nada ao nada — reduzir ao nada, a esse nada a coisa vai reduzida.

Em todas as gamas, a todo o momento, a toda a hora, e de todos os modos!

O que não for pecado, é assim. Esta integridade exaspera além de todo o limite.

É preciso ter esse espírito, sobretudo agora nessas circunstâncias: primeira, ausência do Sr. Dr. Plinio; segunda, uma necessidade de nós não mostrarmos as garras.

Nessa hora nós devemos apertar ainda muito mais nosso espírito de dependência, nosso espírito de obediência, nosso espírito de disciplina, nós devemos ter o interior o mais possível apertado no sentido de uma perfeição plena, total, à espera do dia de Judite. Porque aí sim.


* Pelo fato de operar constantemente no campo metafísico, o Fundador opera no que a realidade tem de mais profundo

Por exemplo, eu gosto muito desses fundos de garrafa, dourados, amarelos, como queiram... Mas eu gosto por uma razão que é também e principalmente uma razão metafísica. O colorido dourado ou como que dourado desses círculos, desses discos, e contrastando com o vermelho — com o vermelho, no fundo, claro — mas que em comparação com o dourado dão qualquer coisa de sombrio, isto tem como efeito um jogo de equilíbrio que por uma razão metafísica me agrada.

As pessoas que sentem que até lá eu levo a metafísica, ficam muito indignadas porque então se eu opero no campo metafísico, eu opero no que a realidade tem de mais profundo.

O Sr. Dr. Plinio amando assim este vitral, produz um efeito na Revolução que é destroçante. E é o que é preciso nós fazermos no nosso ambiente entre nós.


* A esperança do Fundador de que o Profeta Elias quebre em nós a crosta de indiferença em relação a ele

Tenho a esperança de que Elias quebraria essa crosta maldita que produz a frieza para esse modo de ser.
Tenho a impressão de que ele diria coisas severíssimas. Não seria ele se não dissesse.
Imagine Elias entrando num êremo e encontrando relativizações de disciplina, de obediência, de amor ao ordo, de amor ao cerimonial. O que ele não diria?
E outra coisa, acho que ele apontaria: “O senhor ali tem tal coisa assim, o senhor fez isto. O senhor saia, porque o senhor não está ouvindo nas condições devidas”.Porque é preciso compreender que nós temos que crescer de mentalidade e de estatura a ponto de acontecerem coisas dessas,...

Ou seja, aparecer Elias.

... e nós naturalmente nos tocarmos até ao fundo de nossas almas, mas crescermos de alma como gente que convive dignamente com essas coisas soberbas.

Com intervenções violentas.


* A advertência do Fundador: “Nós estamos esbanjando os primeiros dias do que se poderia chamar a era Eliática da TFP”

Dos primeiros dias do que se poderia chamar a era Eliática da TFP nós estamos esbanjando... Segundo a boa tradição do costume, estamos esbanjando.

Eu passei demais da hora.

(Sr. Pedro Morazzani: Esse dom de integridade nós temos que ver no senhor...)

Eu gostaria de tê-lo.

(Sr. Pedro Morazzani: Nós temos que ver no senhor porque é um ato de fé.)

Eu agradeço muito suas palavras, sua intervenção, mas eu sou obrigado a dizer isso:

Não olhem para mim. Se os senhores olharem para mim, os senhores estão embaçando as vistas. Olhem para o Sr. Dr. Plinio.

(Sr. Pedro Morazzani: É que olhando para o senhor, nós estamos olhando para o Sr. Dr. Plinio.) [Aplausos]


* Coloquemos todo o nosso empenho para sermos íntegros como nosso Pai é íntegro — Um episódio na Casa Mappin

Eu acredito que um caquinho de vidro, um pedacinho de espelho possa espelhar o sol, isso é perfeitamente possível. Mas se, de fato, os senhores julgam — aqueles que julgam — que neste caquinho, neste toquinho de espelho se contempla o sol, esse toquinho de espelho lhes diz:

Cuidado, nós somos os responsáveis pela manutenção, pelo desenvolvimento e pela concretização da ordem de cavalaria do Sr. Dr. Plinio. Sobre os nossos ombros pesa essa imensa responsabilidade. Aquilo que ele desejou desde menino e que ele morreu tendo visto apenas a semente, ele não viu a árvore, mas desejou essa árvore, desejou o desenvolvimento dessa semente. Não pisem nessa semente! Cuidado, porque está sobre as costas de cada um que foi chamado a pertencer a esta semente, a constituir esta semente, a responsabilidade. Portanto, nós deveremos ser cada um individualmente e coletivamente julgados pela consecução final deste objetivo.

Então, vamos pôr todo o nosso empenho, cada um dos que está aqui, em sermos íntegros como nosso Pai celeste é íntegro.

Ele sempre foi íntegro, sempre desejou a perfeição, e sempre que percebia alguma coisa que pudesse levá-lo a uma imperfeição, ele cortava

Foi assim que estando num chá na Casa Mappin, naqueles idos tempos de 30, ele com o Patu estavam tomando chá, no meio do chá ele pôs a xícara no pires e disse:

— Paulo, esta é a última vez que nós entramos aqui!

— Por quê, por quê?

— Porque isto aqui era feito com o objetivo de um certo apostolado de presença, mas eu noto que entra uma ponta de gosto por isto aqui. Isto nós não podemos concordar e nunca mais vamos entrar aqui — e nunca mais entrou. [Exclamações]


* Cortar com tudo aquilo que pareça que nos leva a um certo relativismo

Cortem com tudo aquilo que pareça aos senhores que leve a um certo relativismo. Os relativismos têm que ser cortados, falta de seriedade entre nós não se admite, brincadeiradas, ditos violentos, ditos não sei quanto, estocadas... isso não pode ser.

Nós temos de apertar as nossas cravelhas para sermos íntegros. Sendo íntegros, sim, aí nós faremos o apostolado que devemos e não perderemos o espírito.

Caso contrário, nós tomamos a atitude de David, fazemos o papel de bobo, mas detrás percebem: “Não, isso aqui é puro teatro. Vem cá...”.

Ou seja, nós vamos perder a nossa cabeça, ao invés de levar a de Holofernes.

Não sei se nossas contas estão claras.

(Todos: Fenomenal!)

Então, ajam em conseqüência. Porque uma vez compreendido, os senhores têm a responsabilidade de.

Alguma pergunta?

Então, vamos encerrar. [Aplausos]

* * *

Comentarios

  1. Es un EXCELENTE y MAGNÍFICO documento histórico-interno desclasificado. Muchísimas gracias, un millón de gracias al proveedor ,y a vd. amigo Alfonso por colgarlo. Nunca mejor dicho el adjetivo sustantivo: “desclassified document” al más puro estilo de la CIA en Langley.
    Esta reunión JxJ Jour le jour , para su difusión y comunicación en el resto de “grupos” fuera de Brasil (4 o 5 países vaya), -- nada de los 78 como presumían y presumen, --creo que se olvidan y siguen olvidándose de la coma en mitad del guarismo: 7,8; -- tuvo la peculiaridad de que no prescribía su destrucción a los 15/30 días, ni era de libre circulación como el restante material s. Pio V (material confidencial interno). Hubo varias antes o después, inclusive estando en vida Plinio Corrêa de Oliveira. Bueno prosigo, pues esta reunión fue transmitida por los encargados no sólo de “sede” sino del grupo general del país en cuestión, en reunión multitudinaria convocatoria. De ahí mi alegría en poder leerla, y no haberme enterado posteriormente por versiones apócrifas indirectas. No recuerdo bien dónde me pilló, si en Valencia o en Zaragoza, pero lo que sí sé y recuerdo es que no fui a Madrid o Toledo (ya tenía en mente largarme del grupo); aparte de estar hastiado de las estúpidas batallas internas de la “división” (y ésta, la Misa, era asunto crucial), donde nos taladraban la cabeza inmisericordemente, y donde los buenos éramos nosotros porque seguíamos al bueno por excelencia (sic.), con el canal intermediario lugarteniente del Señor. de los Anillos y su santidad hierática a modo de las figuras del Románico palentino entremezclado con toques de estilo Minero colonial (sic.), y a quién –personalmente-- hacía tiempo que había dejado de “tragar”. A día de hoy, y después de casi más de 15 año de haber salido, puedo decir que no éramos mejores a quienes llamábamos de “fumaça”, pero TAMPOCO peores ¡vaya!. A las pruebas me remito sobre el post de “Domine ut videam”; es de tratamiento URGENTE por un profesional. Lo digo sincera y seriamente, sin ironía ni ánimo de gracieta alguna. Los mismos “perros con distinto collar” que se dice en España. No se sabe quién es peor.
    Ya puestos, y no sin cierta malicia reconozco, - despejando “actores” cuan incógnitas en un sistema de ecuaciones de esta historia:
    ¿el pueblo judío? = ¿¿?? ¿ será el grupo?
    ¿el asirio…? =¿la fumaça o el sector progresista eclesiástico? ¿ambos a la vez?
    ¿Holofernes, … el Papa Francisco?
    ¡¡¿Judith???!!!, hombreeee!, ¿quién si no???!¡¡¡ qué preguntas por Dios!!!

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