"Atividades culturais" ou de recrutamento?

por Thiago de Almeida 


Sou o pai de duas meninas. Uma de 10 e outra de 7 anos de idade. Posso confirmar o que este blog afirma sobre as atividades de recrutamento de adeptos que os Arautos do Evangelho realizam nas escolas do Brasil. A meu ver, é um modelo que também se usa em outros países. Estas atividades são feitas de forma pública, e encontram-se promovidas nas próprias publicações da instituição (envio uma das muitas fotos que podem ser encontradas na internet deste tipo de atividade).


Lamentavelmente, os diretores, coordenadores e professores não conhecem as táticas destas “seitas católicas”, e expõem nossos filhos à propaganda realizada por elas. No meu caso particular, dou fé de que uma parte da “atividade cultural” dos Arautos no colégio das minhas filhas foi a de fazer propaganda do clube “Futuro e Vida”, divulgando também material de marketing da sua organização.

Ao ficar sabendo do acontecimento quando fui buscar minhas filhas na escola, fui à escola para fazer uma queixa formal, que continuei com uma carta à Diretora do Colégio e que compartilho com os leitores deste Blog, para que possa ser usada como modelo em situações parecidas.




Não podemos permitir que crianças, algumas em sua tenra infância, sejam expostas a qualquer apresentação de marketing religioso ou ideológico, sem o consentimento prévio dos seus pais. É totalmente inadmissível que uma escola permita que qualquer organização (e não somente os Arautos do Evangelho) pergunte dados pessoais das crianças ou distribua propaganda de marketing sem consentimento dos pais. Sei de casos onde os Arautos conseguem das crianças mais dados, como endereço, telefone, etc.

Se Você é pai de um menor, sugiro que atue de forma responsável e vá à diretoria do seu colégio, perguntando se este tipo de atividade está proibida nessa instituição educativa. Se não estiver, sugiro que anuncie por escrito que não contam com a sua autorização para expor os seus filhos a este tipo de propaganda oculta por parte dos Arautos ou qualquer outra instituição. 

* * * 

À Srª Diretora do Colegio X,

Minha cidade, 11 de maio de 2017

No dia de ontem, 10 de maio de 2017, encaminhei por meio da ouvidoria do Colegio, uma queixa relacionada à atividade de um grupo religioso, chamado Arautos do Evangelho, ocorrida no mesmo dia de ontem nas dependências da sua instituição.

Sou pai de duas menininhas, uma com 10 anos e outra com 7 anos. Ambas alunas do Colegio. 

A questão que passei para a ouvidoria é a seguinte: por mais que a escola teve boas intenções em trazer uma atividade "cultural" para as crianças, o fato é que o objetivo da suposta atividade "cultural" era somente promover o próprio clubinho de crianças que tal organização tem em minha cidade. 

É compreensível que a Sra. Diretora não tenha conhecimento e nem suspeite que os Arautos do Evangelho ativamente recrutem seguidores de 10 ou 12 anos de idade. Mas, isso é o que acontece. 

Se prestar atenção, poderá notar que nenhuma empresa que a escola contrata, cultural ou não – penso nas empresas que levam as crianças para os passeios – se mostram interessadas em perguntar absolutamente nada pessoal para as crianças: nem nome, nem turma, e muito menos entregam material de marketing para as mesmas.

No entanto, os Arautos do Evangelho perguntaram os nomes, a turma e onde moravam e entregaram material de marketing para as crianças. 

Esse tipo de material ou apresentação deveria ser feita primeiro aos adultos responsáveis das crianças e não diretamente às crianças. Isso porque as crianças não têm barreiras, não têm malícias, enquanto que adultos sempre podem ter segundas, terceiras, quartas intenções.

O fato é que os Arautos do Evangelho não estão promovendo só uma atividade cultural na escola. Eles estão levando a cabo uma atividade de captação de contatos, de divulgação do trabalho deles, e de convite às atividades deles na casa deles na minha cidade, a cidade de minhas filhas.

Esse tipo de apresentação naturalmente encanta as crianças porque é marketing. No entanto, eu, como pai, não dei autorização nenhuma para que as minhas crianças sejam expostas a nenhum tipo de marketing, nem sequer de grupos católicos propriamente falando. 

Há grupos dentro da Igreja católica que, aparentemente são bons, mas só aparentemente. E, a meu ver, os Arautos são um deles. Parecem bons, mas não são. Eles escravizam psicologicamente as crianças, fazendo-as acreditar que Deus as chamou, submetendo-as aos maiores sacrifícios de ficarem longe da própria família, destroem toda resistência pessoal da criança afastando-a dos amigos e familiares, enfim, podem investigar um pouco e conhecerão histórias de pessoas que passaram por lá. 

Em suma, eu não fiquei satisfeito com a atuação da escola ontem, mas estou satisfeito com a forma como me acolheram para expressar minha indignação. Isso mostra o quão abertos vocês realmente são para ouvirem os pais.

Portanto, fiquem atentos na hora de convidar outros grupos e não recebam mais esses Arautos. 

O errado de ontem foi ter submetido minhas filhas a uma atividade de promoção e marketing de um grupo. Independente do grupo em si, não é correto expor crianças a nenhum marketing sem a autorização dos pais. O correto e o caminho a ser seguido é fazer o que vocês sempre fizeram: enviar uma ficha aos pais primeiro, pedir a autorização dos pais, e depois levar só as crianças que obtiveram a autorização para serem submetidas a esse tipo de marketing ou atividade. 

Mais uma vez, obrigado pela atenção.

Thiago de Almeida

Comentarios

  1. Lastimósamente, algunos padres consienten o apoyan el acercamiento de sus hijos menores a ese grupo porque solo conocen las aparentes bondades de la organización y no su verdadera doctrina y costumbres internas, ni sus fines reales.
    Si los Heraldos hablan con la verdad, ¡qué convenzan a los adultos! Sin embargo, todo apunta a que los Heraldos prefieren reclutar niños, tal vez porque éstos suelen ser más moldeables y dóciles.

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