Joao Cla Dias habla sobre El Fundador muerto
por Alfonso
Abajo texto completo de una reunión donde el que habla es Joao Clá Dias.
Plinio había muerto hace dos años. Joao Cla todavía lo considera El Fundador, sin el cual, para sus seguidores, Dios no es visible en la tierra. El texto es una muestra de las reuniones que usaba Joao Cla para controlar y manipular el grupo, primero en vida de Plinio y después posterior a su muerte.
La "Saúde" era una casa de la TFP en el barrio paulista de ese nombre. Era una casa dedicada el reclutamiento de los más jóvenes.
Este texto abre una pequeña ventana a como funcionaba el control mental y el flujo de teorías e información dentro del grupo del que surgieron (sin nunca rechazar sus creencias previas) los Heraldos del Evangelio.
Es bueno saber también que, con el pasar de los años, Joao Clá logró que sus seguidores le otorguen el mismo culto personal que él fomentara en el pasado a Plinio Correa de Oliveira. Joao Clá es, para los Heraldos del Evangelio, el Fundador sin el cual Dios no es visible en la tierra.
Créase o no...
(Agradezco a las personas que han proporcionado este y otros textos para que se conozcan las teorías ocultas del Fundador de los Heraldos del Evangelio).
(Agradezco a las personas que han proporcionado este y otros textos para que se conozcan las teorías ocultas del Fundador de los Heraldos del Evangelio).
Reunião Saúde — 16/10/97 — 5ª feira
Certeza de que a obra de nosso Pai e
Fundador não acabará, pelo contrário, irá vencer * Uma pergunta que tem todo o
seu cabimento: “Devemos ver a nosso Pai e Fundador sob o prisma do holocausto
ou da ressurreição?” * Para ver a nosso Pai e Fundador com profundidade, é
necessário contemplar as duas coisas: a dor e a ressurreição * Se não for
através do Fundador que Nossa Senhora nos deu, não nos é possível ver Deus *
Relação da frase de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a vinda do Paráclito com a
ida de nosso Pai e Fundador para o Céu * Razão da escravidão a alguém que é
muito mais do que nós, e que está na nossa origem, que é nosso mestre, modelo,
guia e regente * Nosso Pai e Fundador é um perfeitíssimo escravo de Nossa
Senhora, que deu provas disso até a hora derradeira do 3 de outubro * A pior
tentação que existe para nós é a de abaixar as vistas * Idéia extraordinária da
composição de um “Tratado da Verdadeira Devoção a Nosso Pai e Fundador”
Antes de os senhores fazerem
perguntas, eu queria justificar o atraso enorme com que cheguei. É que esse
atraso traz como conseqüência, que nós ficamos com pouco tempo de reunião.
Claro, porque nós não podemos levar a reunião muito longe. Mas primeiro foi um
telefonema longo, com a Itália, com notícias muito interessantes. Porque eu
espero podê‑las dar ou na sexta feira, se...
Não, hoje eu não as tenho aqui. Ele
vai me passar por fax as notícias todas. Ou na sexta feira, ou, então, no
domingo cedo. Contam os... enfim, os técnicos em abalos sísmicos, os
sismógrafos, e os sismólogos, contam que de 26 de Setembro até o dia de hoje,
foram nada mais nada menos, do que mais de dois mil tremores de terra! E que
não é real de que o terreno esteja se acomodando, que tudo esteja entrando numa
suavidade, normalidade, tranqüilidade. Pelo contrário, é bem possível que ainda
venham abalos muito superiores aos que já houve. De maneira que nós estamos
numa situação bem interessante no que diz respeito à acomodação de terra na
Itália.
Bem, depois disso eu tive que
atender o Grupo de tal lugar, Grupo de tal outro, Grupo de não sei quanto. Viu
senhor (...)
* Certeza de que a obra de nosso Pai
e Fundador não acabará, pelo contrário, irá vencer
... com eles o seguinte — porque eles me
perguntavam como conduzir‑se nessa situação. Nosso Senhor, em determinado
momento, vira‑se para São Pedro — está no Evangelho, passou para a História — e
diz: “Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra Eu edificarei a minha Igreja. E as
portas do Inferno não prevalecerão contra ela.” Ou seja, Ele estaria com a
Igreja até o fim dos séculos. E não permitiria que a Igreja fosse morta pelo
demônio, ou fosse morta por qualquer outra razão. Ele estaria protegendo a
Igreja, a Igreja é imortal.
Ele, Nosso Senhor, é o Fundador dos
fundadores; e os fundadores são modelos, são reflexos de Nosso Senhor para os
seus seguidores. E há fundadores que têm previsões a respeito da duração de sua
fundação. E o Senhor Doutor Plinio é um deles. Ele dizia: “Eu tenho um
discernimento de que os últimos fiéis no fim do mundo que não vão morrer, e que
são tidos por uma boa corrente teológica, que passarão desta vida para a
eternidade, em corpo glorioso, que estes serão membros da TFP.”
Depois, em outra ocasião ele diz:
“Eu tenho um pressentimento de que Elias e Enoc virão como membros da TFP.”
Então, vê‑se aí a afirmação de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a Santa Igreja,
de que a Santa Igreja é imortal. E na frase: “Minha obra é imortal”, vemos essa
afirmação refletida na alma do Fundador. Então, aconteça o que acontecer, façam
o que quiserem; pois ela é indestrutível de fora para dentro; ela é
indestrutível de dento para fora. Ela viverá até o fim do mundo.
De maneira que isso tudo me atrasou
muitíssimo, mas os senhores vêem que vale a pena, vale a pena chegar atrasado,
porque era preciso, enfim, tocar essas coisas todas, sem falar de outras.
(Todos: Hã, hã?)
Não, coincidências, coincidências realmente... Nós estamos vivendo no regime da paulada preternatural e do balão sobrenatural, entende? [Exclamações]
Eu estava lendo um (...)
(Vários: Pugnemus pro Domina!)
Espere, eu vou responder perguntas — eu posso fazer o seguinte: dar uma respostinha rápida para cada um, ou então, eu vou respondendo um, vou respondendo outro, com calma, etc., até nós chegarmos às onze e meia. Chegados às onze e meia...
(Vários: Pugnemus pro Domina.)
Espere, espere, espere. O que os senhores preferem?
(A segunda!)
(Todos: A segunda.)
Segunda. Então, vamos respondendo.
(Sr. ‑: Pugnemus pro Domina.)
Calma, não é pelo grito que o senhor
vai vencer. [Risos] Então, nós vamos respondendo uma pergunta, outra,
etc., até chegarmos às onze e meia, e aí nós deixamos os outros todos — quinta‑feira
que vem eu prometo chegar cedo — para quinta‑feira que vem, se não houver
nenhuma interrupção.
Os senhores colocaram um quadro ali,
está muito bem, está ótimo, pode ser, não há problema nenhum que os senhores
coloquem, mas só que os senhores colocaram um quadro fora do esquadro, e está
muito alto o quadro, e eu tenho às vezes vertigem, de olhar um quadro que está
fora do... Os senhores precisariam colocá‑lo de uma forma mais proporcionada.
Mas enfim, vê‑se depois.
Vamos começar de trás para frente. O
senhor.
(Sr. Mauro Isabel: Salve Maria!)
Salve Maria!
(Sr. Mauro Isabel: O senhor disse uma vez, quando o senhor estava explicando as missas lá no Auditório, que tinha vindo da Idade Média. Disse que a decadência da Idade Média deu‑se porque eles deixaram de ver Nosso Senhor crucificado, e começaram a olhar Nosso Senhor ressurecto.)
Agora, eu estou me lembrando. Eu não estava explicando as missas, mas estava explicando a parte fixa da missa, cantada. Eu sei que até essa precisão o senhor não vai chegar, mas enfim, agora eu entendi bem. Eu disse que a Idade Média tinha decaído porque não contemplava mais Nosso Senhor Jesus Cristo — não fui eu quem disse — é o Senhor Doutor Plinio. Eu repeti isso dele.
* Uma pergunta que tem todo o seu cabimento: “Devemos ver a nosso Pai e Fundador sob o prisma do holocausto ou da ressurreição?”
(Sr. Mauro Isabel: Agora, eu perguntaria assim,
no nosso caso, no Reino de Maria ou agora, como será? Nós devemos ver o Senhor Doutor Plinio
enquanto o holocausto dele, ou a ressurreição?...)
Sim, porque... o senhor tem razão. A pergunta mais detalhada ainda, é a seguinte: A Idade Média decaiu porque ela deixou de considerar, o homem medieval deixou de considerar a Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado, e passou a considerar a Nosso Senhor Jesus Cristo ressurecto. Ora, nós se deixarmos de considerar o Senhor Doutor Plinio, morto, nós decaímos na vida espiritual? Se nós passarmos a considerar a ressurreição dele, nós decaímos na vida espiritual?
A pergunta tem seu cabimento, tem
seu propósito, porque faz uma aproximação entre a nossa situação e a situação
da Idade Média. Agora, nós estamos portanto diante de um problema: o que mais
contemplar? O sofrimento do Senhor Doutor Plinio ou a ressurreição dele? De
repente eu começo a contemplar a ressurreição, esperar a ressurreição, eu
começo a decair na vida espiritual. Por quê? Porque eu não considerei os
aspectos da dor dele, do sofrimento dele. E está bem posta a pergunta. Eu até
já pensei, inclusive, de começar a tratar com os senhores em alguma ocasião —
eu já nem sei mais, porque não tenho mais tempo para enfiar mais reunião, e
mais doutrina em cima dos senhores — mas nós precisamos ir nos preparando para
o sofrimento que vem, mas também para pregar algo, a respeito do sofrimento.
Nós precisamos ter dentro da alma um cabedal de conhecimentos sobre a dor, para
que aquilo possa sair do fundo da nossa alma, de maneira espontânea, e muito
clara e muito convincente.
Eu me lembro que eu estava no Hospital Oswaldo Cruz, sofrendo, com um problema sério, com risco de morrer inclusive. Estava o Dr. Ramón León ao meu lado, e nós estávamos esperando a ocasião, a vez, para liberar um aparelho que se chamava sintilografia, ou um sintilogreia, para tirar um título sintilograma, não sei quanto. E nisto chegou uma acidentada, ou coisa que o valha, uma senhora de seus 75 anos, ou coisa que o valha, e a gente via que ela estava sofrendo, e gemia. Mas gemia de uma forma um pouquinho desesperada. Ela estava assim meio... [O Sr. João imita o modo de como estava a senhora.] E eu... nós não nascemos para estar assim, enfrentando a dor dessa forma desequilibrada.
E eu não agüentei, então, disse a ela — sim, se está sofrendo, vamos sofrer como valentes, não como... —: “Escute senhora, a senhora está sofrendo, eu também estou. É muito provável de que a senhora esteja sofrendo mais do que eu, mas eu queria dizer para a senhora o seguinte: de que Nosso Senhor Jesus Cristo sofreu mais do que nós dois juntos!”.
E aí comecei a falar do sofrimento de Nosso Senhor na Cruz, etc., agonia e... A mulher foi ficando quieta, foi ficando quieta, e eu disse: “A senhora tem a possibilidade de sofrer junto com Nosso Senhor. O sofrimento da senhora e o meu sofrimento, unidos a Nosso Senhor Jesus Cristo, têm um valor extraordinário, tem um mérito extraordinário. Nós podemos pagar nossas faltas passadas, nós podemos economizar purgatório. Já pensou o que é ir para o Purgatório, o fogo do Purgatório, ou pior ainda, ir para o Inferno? Não sei mais quanto... A senhora sofra com resignação; a senhora ofereça isso. Transforme o seu sofrimento numa oração, parapapapapa”. A mulher: “Hã, hã...” [Aplausos]
* Nós devemos preparar a nossa alma
para o sofrimento, para a dor
Bem, então, nós vamos entrar nos tormentos da Bagarre, nós vamos entrar nos sofrimentos da Bagarre. E nós vamos precisar pregar a resignação, pregar o bom espírito, o equilíbrio, pregar... enfim, tudo o que diz respeito ao sofrimento, a dor, ao sacrifício, etc., ao holocausto, e depois fazer com que as pessoas tomem isso como penitência, que se penitenciem da sua vida passada, de seus pecados, etc., etc., e nós precisamos conhecer isso, mas, vejam bem, o Senhor Doutor Plinio dizia isso: “Eu para fazer uma reunião, eu não penso muito naquela reunião que eu vou fazer. Eu quando vou fazer a reunião, eu já pensei antes, muito mais do que aquilo que eu vou dar na reunião. Porque o expositor que se preocupa pura e simplesmente em adaptar sua conferência ao auditório que ele tem diante de si, e estuda a sua conferência para o auditório que ele tem diante de si, ele vai tornando sua inteligência proporcionada ao auditório que ele tem diante de si. E ele não deve fazer isso. Assim também um coro, uma orquestra, um conjunto musical, ele não deve se preocupar com o auditório que ele vai encontrar; se ele entende ou não entende de música, etc. Porque se ele for se preocupar com o auditório pífio que ele tem diante de si, ele nunca vai atingir níveis mais elevados.” Então, nós também devemos fazer a mesma coisa.
Nós devemos preparar a nossa alma
para o sofrimento, para a dor. E a melhor preparação está, justamente, em
contemplar o modo com que ele e ela, e [também] Ela com E maiúsculo, sofriam.
Contemplando esse sofrimento nós vamos preparando nossa alma. O senhor dirá:
“Bom, então não tenho que pensar na ressurreição.” O senhor tem quantos olhos?
(Sr. Mauro Isabel: Dois.)
Dois, ótimo. [Risos]
* Para ver a nosso Pai e Fundador
com profundidade, é necessário contemplar as duas coisas: a dor e a
ressurreição
Mas não bastava um só para o senhor enxergar as
coisas? Bastaria um só, não é? Não é verdade. Por quê? Porque nem se dá carta
de motorista para quem tem um olho só. O senhor sabia disso ou não? Porque ele
não tem idéia de a que distância está o poste. E ele olha e pensa que o poste
está ali, quando o poste está aqui, já. Por quê? Porque ele não tem senso de
perspectiva. Para ter senso de perspectiva é preciso ter dois olhos. Porque os
dois olhos lhe dão a idéia da distância. Dão‑lhe a terceira dimensão. Um olho
lhe dá duas dimensões só; a largura e a altura, mas não lhe dá a profundidade.
E é por isso que a máquina fotográfica para saber a distância, precisa ter dois
olhos.
Então, quando o senhor vai calcular a distância por um máquina fotográfica, é preciso ser feito através dos dois olhos, caso contrário ela não lhe dá a distância. Assim também os olhos, para ter a idéia da profundidade... — não é doutor? — pronto, está confirmado por um... [Risos].
Então, quando o senhor vai calcular a distância por um máquina fotográfica, é preciso ser feito através dos dois olhos, caso contrário ela não lhe dá a distância. Assim também os olhos, para ter a idéia da profundidade... — não é doutor? — pronto, está confirmado por um... [Risos].
Para ter idéia da profundidade
precisa ter dois olhos. Então, o senhor precisa pôr um olho no sofrimento, o
outro olho na ressurreição. Aí o senhor tem a perspectiva. [Aplausos].
Então, não se trata de contemplar um e deixar o outro. Não feche um olho para ver as coisas, nem feche o outro. “Bom, agora eu vou contemplar o sofrimento. Bom, já vi, agora eu vou contemplar a ressurreição.” [Risos] Não, não faça isso. Abra os dois olhos e contemple os dois ao mesmo tempo. E viva na esperança da ressurreição do Senhor Doutor Plinio, mas na contemplação da dor. Aí o senhor prepara a sua alma. Está claro?
(Sr. ‑: Pugnemus pro Domina.)
O último, quem é o último aí?
(Sr. ‑: Praesto Sum.)
Então, vamos ao último. Está dito na Escritura: “Os últimos, serão os primeiros!”
(Sr. ‑: São Luís Maria Grignion de Montfort trata no “Tratado” sobre a mediação. E o senhor poderia tratar assim, como o Senhor Doutor Plinio é o nosso medianeiro junto a Nossa Senhora? E qual o papel dos escravos junto ao Senhor Doutor Plinio e Nossa Senhora?)
O Senhor Doutor Plinio gostava da
palavra mediador. Para não confundir com O Medianeiro, por excelência, que é
Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque Nosso Senhor Jesus Cristo foi‑nos dado como O
Medianeiro. E Nossa Senhora como Medianeira. Para evitar confusão com Nosso
Senhor, Medianeiro, e com Nossa Senhora Medianeira, ele gostava de usar a
palavra mediador. E ele é para nós em relação a Nossa Senhora, em relação a
Nosso Senhor Jesus Cristo, em relação a Deus, ele é um mediador. Ou seja, ele é
um canal necessário. Sem passar por ele não adianta, o senhor não chega até
onde deve. Para nós que temos a nossa vocação, muito ligada à dele, e muito em
conexão com a dele.
* Se não for através do Fundador que
Nossa Senhora nos deu, não nos é possível ver Deus
Ele é mediador, porque a Providência, assim dispôs. Por quê? Porque a Providência — isto eu já disse aqui, em “Saúdes” antigas, quando, pelos menos cinqüenta por cento da “Saúde” não freqüentava aqui — eu dizia o seguinte, mas é que eles não transmitem isso aos senhores, não é Sr. Auro? Eles não... eles não pegam as coisas antigas e transmitem aos senhores.
Eu dizia o seguinte: de que Deus analisa tudo o que há fora dEle, e o que há dentro dEle, de uma forma diferente do que nós. Nós vivemos dentro do cronos. Cronos, palavra grega que significa tempo. E, portanto, nós temos uma inteligência cronológica. Uma logia do tempo. O senhor sabe que o senhor hoje tem tantos anos, que dia tanto o senhor fará não sei quantos. Hoje, por exemplo, nós temos uns aniversariantes aqui na Saúde. Não é isso? Mas tem mais quatro, ainda, lá em “São Bento”. Então, nós estamos cheios de aniversariantes, hoje. Estes que fizeram aniversário hoje, ficaram um ano mais velhos. Ou, portanto, estão com um ano há menos que os separa da eternidade. Fenomenal, hein! A eternidade se aproximou um ano a menos deles. Eles já tem um ano a menos para contar da eternidade.
Eles caminharam. E caminharam dentro do tempo. E nós julgamos todas as coisas dentro do tempo, e uma é conseqüência da outra, em função do tempo. E o tempo para nós é uma criatura indispensável; nós vivemos dentro do tempo. Por isso é que se diz para nós: “o hoje, amanhã será ontem”. Claro. Se nós chegarmos amanhã, nós vamos nos referir ao dia de hoje como tendo sido ontem. E assim por diante.
E para nós existe o passado; que criou, por exemplo, o Senhor Doutor Plinio, que surgiu em determinado momento no tempo: dia 13 de Dezembro de 1908 ele nasceu. E começou uma história que terminou no dia 3 de Outubro de 1995. Essa história é a causa do que está acontecendo neste auditório aqui. Ele é anterior a nós, no tempo. Ele foi quem idealizou a vocação nossa; ele foi quem esquematizou a nossa vocação. Mas para Deus isso não é assim. Para Deus não há tempo. Para Deus, o tempo é uma criatura que saiu das mãos dEle para nós. Para Ele existe a hierarquia. E Ele não pensa, portanto, em antecedente e conseqüente. Ele não pensa, portanto, em causa dentro do tempo, e depois o efeito que se produz dentro do tempo. Para Ele importa a hierarquia.
Deus para criar o universo, o que Ele fez? Ele antes de tudo pensou em Nosso Senhor Jesus Cristo. Depois de ter pensado em Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele pensou, logo em seguida, em Nossa Senhora. Então, se houvesse tempo, a gente diria: “Ele pensou nos dois ao mesmo tempo.” Mas não há tempo. Então é um pensamento hierárquico: Nosso Senhor Jesus Cristo, o Homem Deus, o Homem que tem a natureza humana e a natureza Divina, unidas numa Pessoa: Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ele pensou neste Homem Deus, e a partir deste Homem Deus, Ele tomou o modelo para criar todo o universo. Foi em função de Nosso Senhor, em função de Nossa Senhora.
Mas São Tomás diz que o universo não
é igual! As coisas não são iguais, as criaturas não são todas iguais. Pelo
contrário, todas as criaturas são diferentes. O senhor vai pegar as folhas de
uma árvore, de uma mesma árvore, e passa por uma análise, ali, fixa, e
científica, a respeito de cada folha da árvore, cada folha da árvore é
diferente uma da outra. O senhor não tem duas folhas iguais.
O senhor dirá: “Bom, mas na areia
não. Na areia deve ter dois grãozinhos de areia que são iguaizinhos.” Não há.
Não há dois grãos de areia idênticos. Não há nada no universo que se repita.
São Tomás é quem diz isso. Sabe o que diz o Senhor Doutor Plinio? Deus não é
gago. Então, tudo o que Ele criou, Ele criou diferente. Porque se Ele criasse
duas coisas iguais, seria um defeito de Deus. Seria gago; porque Ele para criar
duas pedras, criou duas pedras iguais para poder dizer alguma coisa que o
representa. Não precisa disso.
Tudo o que há no universo é diferente. Se tudo o que há no universo é diferente, tudo o que há no universo é hierarquizado. Portanto o senhor tem como hierarquia primeira, Nosso Senhor! Nossa Senhora! Depois São José. E depois, o senhor tem o quê? Os Fundadores! Claro! Porque eles dão origem a uma outra penca de gente que vem atrás deles, e é uma outra categoria de gente com a forma deles, mas também todos diferenciados entre si, mas com as mesmas características fundamentais do Fundador. Deus pensou antes de tudo em Nosso Senhor, em Nossa Senhora, São José, e depois nos Fundadores.
O Senhor Doutor Plinio é o nosso fundador, e ele é o nosso mediador! O senhor não pode olhar para Deus, estando aqui, o senhor não pode olhar para Deus, sem olhar o fundador. Porque senão o senhor não vê Deus.
O senhor dirá: “Ah! Por que eu não vejo Deus? Porque Deus deve ser sumamente visível.” Eu diria para o senhor: Claro, o senhor tem razão. Porque é São Tomás de Aquino quem diz isso: “Deus é sumamente visível”. Deus é sumamente visível! Ele é tão visível, tão visível, que nós não o vemos! É São Tomás quem diz isso. E sabe porque que nós não vemos Deus? Porque nós somos morcegos em relação a Deus. Nós não temos olhos suficientes para ver a Deus. Nós não conseguimos ver Deus por quê? Porque nossa vista é insuficiente. Ele é tão visível, tão visível que os Anjos na sua natureza não o vêem. Se não for um empréstimo da própria luz de Deus, os Anjos, mesmos, não vêem a Deus!
Como é que nós vamos ver Deus aqui,
estando aqui, se nós precisamos ver Deus? Vemos a Deus olhando para o Fundador!
E é por isso que os jesuítas diziam: “Santo Inácio é o nosso Deus na Terra.”
Era o Deus deles na Terra. E é verdade. Ninguém nunca fez “máfia” contra eles a
esse respeito. Por quê? Porque é puramente teológico. Era um reflexo de Deus, e
era um modo de eles verem Deus olhar para Santo Inácio! E o modo de nós vermos
a Deus na Terra é olharmos para ele Senhor Doutor Plinio. Então, ele é o nosso
mediador, junto a Nossa Senhora, junto a Deus.
Então, para o senhor conhecer melhor
a Nossa Senhora, o senhor precisa conhecer o Fundador. O senhor para conhecer
melhor a Deus, precisa conhecer o Fundador. E ele, portanto, é o seu mediador.
E por isso, então — aí vem a segunda parte da sua pergunta — e por isso então,
que em relação a ele nós devemos ser escravos. Porque a melhor forma de eu ser
escravo de Deus, a melhor forma de eu ser escravo de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Sabedoria Eterna e Encarnada, é ser escravo através das mãos de Nossa Senhora,
mas não me basta [isso]! É preciso ser escravo através das mãos dele. Aí está o
porquê ele é mediador, e o porquê que nós devemos nos entregar a ele como
escravos.
Último!
(Sr. Gleison: Pugnemus pro Domina.)
Olhe, que está chegando a hora, hein. Eu acho que vai dar para responder a todo mundo; pelo menos os de dentro.
* Relação da frase de Nosso Senhor
Jesus Cristo sobre a vinda do Paráclito com a ida de nosso Pai e Fundador para
o Céu
(Sr. Gleison: Sr. João, certa vez Nosso Senhor Jesus
Cristo disse: “É preciso que Eu vá para que o Espírito venha.” Não é? Como se dá isso com o Senhor Doutor Plinio? Porque ele em vida esperava o “Grand‑Retour”, e depois da ida dele para a
eternidade, ficou claro que o “Grand‑Retour” para nós seria a volta do Senhor Doutor Plinio. Como se dá isso?)
Que aproximação se pode fazer com a frase de Nosso Senhor e a ida do Senhor Doutor Plinio? Está muito bem.
Nós nunca contávamos com a ida do Senhor Doutor Plinio. Se bem que os Apóstolos contassem com a ida de Nosso Senhor. Por incrível que pareça. E Nosso Senhor disse a eles de que ia mesmo. De modo que eles tinham de contar com a ida de Nosso Senhor. Mas nós não contávamos... E o Senhor Doutor Plinio não dizia para nós: “Eu vou, eu vou, eu vou...” Agora, a gente encontra uma ou outra frase aqui, lá e acolá, mas ele não dizia assim, porque tinha receio que nós ficássemos aflitos.
Mas, o Senhor Doutor Plinio foi‑se. Foi‑se ao
Céu e já estamos caminhando para o terceiro ano. Já agora, dia 3 de Novembro,
fará dois anos e um mês que ele se foi para a eternidade. Que aproximação possa
haver entre o que dizia Nosso Senhor para os Apóstolos e essa ida do Senhor
Doutor Plinio tão longa, tão mais longa do que a ida de Nosso Senhor? O Senhor
Doutor Plinio sempre teve curiosidade de saber por que é que Nosso Senhor dizia
isso: “É preciso que Eu vá.” Por que era necessário que Ele fosse? Por que Ele
não podia ficar? “É necessário que Eu vá para que vos envie o Espírito.” E eu
lendo a “Catena Aurea” de São Tomás de Aquino... Catena, em latim, é cadeia,
corrente: corrente de ouro.
Ele tinha uma memória de ouro, uma memória extraordinária, e ele então o que fez? Pegou os quatro Evangelhos, e pegou um por um dos Evangelhos, e foi fazendo um encadeamento de todos os Evangelhos, primeiro um, depois outro, depois outro, depois outro. E foi se lembrando de tudo o que ele tinha lido na vida a respeito das explicações sobre cada trecho dos Evangelhos. E, lembrando‑se, foi citando de memória; então: “Cícero diz tal coisa, Pacômio não sei quanto, Agostinho não sei o quê, taratata...” e ia se lembrando das frases todas de memória. Hoje o que os senhores têm como uma espécie de semideus, chamado computador. Na mente de São Tomás, isso existia como natureza. Deus tinha dado a ele um reforço de memória tão extraordinário, que ele se lembrava de tudo, e concatenava tudo com toda facilidade.
Então ele foi pegando os trechos
todos, e foi citando este autor, aquele autor, aquele outro. Às vezes são
quinze autores para um trecho. Ele se lembrava tudo de cor. E quando chega esse
trecho: “É preciso que eu vá para que vos envie o espírito.”, ele comenta,
então: “Agostinho diz isso, tátá diz aquilo, taratata.” Ele diz que — na
concatenação dos autores — ele diz uma coisa muito interessante, que explica; e
o Senhor Doutor Plinio achou a explicação muito válida, de muito peso.
* Visão naturalista, humana que os
Apóstolos tinham da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo
Os Apóstolos tinham em relação a Nosso Senhor uma visão humana. Eles sabiam que Nosso Senhor era filho de São José. Não tinham idéia de que era Filho de Deus. Eles tinham noção de que Nosso Senhor era filho de Nossa Senhora, e o era mesmo. Mas eles julgavam que Nossa Senhora e São José constituíam um lar como um qualquer; e julgavam Nosso Senhor de carne e osso, mas não tinham a idéia da união que existia, hipostática, entre Ele Nosso Senhor e a natureza Divina. Não tinham idéia.
Tinham formado uma idéia humana de
Nosso Senhor. Uma idéia de carne e osso, só. É verdade que algumas em ocasiões
eles se punham o problema: “Quem é esse Homem que ressuscita gente? Que poder
tem esse Homem? Bom, é um grande profeta!” Ou então, de repente Ele vai e cura
um leproso. “Curou um leproso!” Mas, aí, Nosso Senhor ensina uma fórmula para
eles. Eles saem e usam a fórmula, e começam a curar leprosos também. Voltam e
dizem: “Curamos leprosos também. Então, se curamos leprosos, nós que somos de
carne e osso, Aquele que nós vemos que cura leprosos é de carne e osso também,
como eu. E não passa disso!”
Então, eles tinham uma idéia humana de Nosso Senhor. E eles queriam um governo de Nosso Senhor que fosse um governo humano. Eles estavam com a idéia de que Nosso Senhor ia dar um golpe político naqueles romanos todos, ia derrubar o Império Romano, ia fazer o império judaico; e eles já estavam com o problema da carreira, porque o senhor compreende que se Nosso Senhor dá um golpe bem dado, e derruba o poder político e toma conta daquele império inteiro, e os judeus ficam por cima, eles ficam como os ministros. Os ministros do rei. Do rei? Do imperador! Imperador de toda aquela parte que os romanos tinham tomado conta. Era uma coisa impressionante! O Império Romano tinha se estendido muitíssimo. E eles imaginavam que iam ficar ministros de um império monumental! Discutiam entre si quem deveria ser o primeiro ministro. Pois está no Evangelho! A mãe de São João e São Tiago, parentes de Nosso Senhor a certa distância, chega a dizer para Nosso Senhor: “Olhe, quando subirdes ao trono, ponha um [filho meu] à direita e outro à esquerda, hein. Porque, afinal de contas temos um parentesco. Como é que fica isso, promova minha família!”
(Todos: Que horror!)
Está no Evangelho. Nosso Senhor em duas circunstâncias diferentes, quando eles estavam discutindo quem seria o maior, quem seria o primeiro ministro, etc., etc., Nosso Senhor põe a mão na cabeça de uma criança, era um menino, e diz: “Quem não se fizer como um desses pequeninos, não entrará no Reino dos Céus.” Mas eles não estavam discutindo sobre o Reino dos Céus, eles estavam discutindo sobre o reino na Terra. E Nosso Senhor tira a questão do reino da Terra e fala do Reino dos Céus.
O primeiro deles era Santo Estevão,
foi o primeiro mártir. E o segundo deles era Santo Inácio de Antioquia, que foi
mártir, também. São dois episódios no Evangelho, em que ele põe a mão sobre a
cabeça de uma criança que era inocente. E que ambos, um e outro, mantiveram a
inocência, e foram inocentes para o Céu. E isto eu creio que foi por uma força
de Nosso Senhor, pelo fato de ter posto a mão, etc., etc.
* Era impossível o Espírito Santo
operar maravilhas na alma de pessoas que tinham uma visão humana de Nosso
Senhor — Figura do slide duplo
Que relação há entre essa situação [dos Apóstolos com Nosso Senhor e a nossa, com o Sr. Dr. Plinio]? Eles vêem Nosso Senhor como um homem, e é preciso que Nosso Senhor vá. Por quê? Porque era impossível que o Espírito Santo operasse neles a maravilha do Pentecostes dentro de uma visão humana. Não cabe.
O senhor pegue um projetor, ponha um slide, e projete um castelo. Digamos que o senhor quer ver também uma catedral; e enfia a catedral na mesma moldura, apertando o slide do castelo. O que ele lhe dá na tela? Uma borradela. O senhor olha e diz: “Ih, ficou tudo confuso. Eu não sei o que é teto da catedral, o que é torre do castelo. Misturou tudo, ficou... Na linguagem dos senhores, virou uma pizza. Não é isso? É isso mesmo, não é? Sobretudo na Itália. [Risos]
Vira uma confusão. [Risos]
Não, a palavra pizza, surgiu daí, justamente. Eram os napolitanos que... Na corte de Nápoles eram feitas as festas no Sábado e no Domingo. E eram comidas!... Naquele tempo não se fazia economia em matéria de comida, eram comidas para o dia inteiro; era o Sábado de manhã, à tarde e à noite. Era o Domingo de manhã, à tarde e à noite. E os empregados, todos — segunda‑feira tinham que almoçar —, o que eles faziam? Faziam uma massa, e faziam, portanto, massa de pizza, e pegavam o que tinha sobrado, e punham em cima da massa, punham no forno, tiravam e comiam. E daí surgiu a pizza. Fenomenal, hein. [Risos]
Mas, voltando ao slide, a gente coloca um slide de um castelo, e depois coloca um slide de uma catedral e projeta os dois juntos, dá uma confusão. Para o senhor entender bem a catedral, é preciso o senhor tirar o castelo. Quando o senhor tirou o castelo, o senhor enfia o slide da catedral, projeta, e o senhor diz: “Uhh! que catedral maravilhosa!” Mas é preciso o senhor esquecer do castelo. Se o senhor põe as duas imagens juntas, elas lhe fazem uma confusão.
Então, era preciso que eles [os Apóstolos] perdessem a imagem humana [de Nosso Senhor Jesus Cristo]. Para que o Espírito Santo viesse com a imagem Divina.
Então, é uma tese peregrina, é uma
opinião pessoal. Pode ser que de repente alguém surja com uma opinião mais bela
do que essa. Eu admito. Não tem problema nenhum, não tenho apego nenhum a
nenhuma tese que possa me surgir pela cabeça. Passa‑me pela cabeça agora, pela
sua pergunta, dizer o seguinte: vários de nós, para não dizer quase todos,
tínhamos em relação ao Senhor Doutor Plinio uma visão muito humana. Então,
diplomata, político, homem muito jeitoso, um bom conferencista, um homem
inteligente, um homem sagaz, um homem taratata. Tudo isto são aspectos humanos.
E é possível que nós tivéssemos uma visão muito humana dele. E era preciso que
ele se afastasse um tanto. E afastando‑se um tanto, para que quando ele
voltasse nós compreendêssemos a visão da grandeza vocacional, profética dele. E
aí nós o entendêssemos como um grão‑mestre, mas mais do que um grão‑mestre de
ordem de cavalaria, nós o entendêssemos como o Fundador de uma era histórica.
O senhor dirá: “E para aqueles que não o conheceram?” Mais razão ainda. Porque aqueles que não o conheceram, vão ficando com uma idéia cada vez mais aprofundada a respeito dos aspectos todos da grandiosidade da missão de Fundador, da missão de vencedor da Revolução, de intercessor do Grand‑Retour; e, portanto, de homem que combate a Revolução, da Contra‑Revolução personificada. Aí, quando ele aparecer, será um “Flash”. Aí a imagem anterior já não atrapalha a que vem. Pode ser que não seja isso. Se não for, responda alguém que conheça bem a matéria: “Não, não é assim, é de outra forma...” Diga, que eu aceito.
Mas é o que me passa pela cabeça para lhe responder.
(Pugnemus pro Domina!)
Bem, agora nós vamos responder um da frente. Oh! Sim, está chegando a hora. Nós temos que chegar na frente, aqui. Diga o senhor.
(Sr. Rogério Huang: Salve Maria, Sr. João.)
Salve Maria!
(Sr. Rogério Huang: O Sr. Douglas e eu, estamos muito entusiasmados para receber a capa hoje, não é?)
Ah, o senhor vai receber a capa hoje... [Risos] Eu não sabia disso, não. [Risos]
(Sr. Rogério Huang: Eu queria perguntar ao senhor, como o Senhor Doutor Plinio era um perfeito escravo de Maria, e como nós devemos praticar de modo perfeito essa escravidão, e também qual a tentação mais perigosa que o demônio lança...)
Espere. Aí são cinqüenta perguntas ao mesmo tempo. Então, primeira pergunta qual é? [Risos]
(Sr. Rogério Huang: Como o Senhor Doutor Plinio era um perfeito escravo? Como nós devemos ser...)
Semelhantes a ele?
(Sr. Rogério Huang: Sim.)
Certo.
* Razão da escravidão a alguém que é
muito mais do que nós, e que está na nossa origem, que é nosso mestre, modelo,
guia e regente
Escravo é aquele que entrega tudo,
absolutamente tudo o que é seu. Bem, o escravo é aquele que compreende
perfeitamente que, havendo um senhor muito mais do que ele, havendo um senhor
que é a causa da existência dele, havendo um senhor que é inclusive a própria
origem dele, que é o mestre dele, que é o guia, que é o modelo, que é o
regente, que é tudo, e do qual ele depende completamente, ele então percebe o
seguinte: de que a melhor forma de ele ser ele, é ele entregar‑se a... Por quê?
Porque, se ele quiser realizar‑se fora de... ou seja, fora dessa escravidão,
ele, na melhor das hipóteses, vai chegar ao extremo limite de si mesmo. O
limite de si mesmo é pequeno. Agora, acontece que como ele foi chamado para
seguir a um homem grande, ele foi chamado a servir, ele foi chamado a se
entregar, ele foi chamado a depender de um homem que é muitissíssimo mais do
que ele, na hora em que ele se entrega, ele toma o tamanho — guardada as
devidas proporções — deste outro homem.
* MSS, guarda e protetor de nossos
méritos
Ele faz um otimíssimo negócio, se ele toma tudo
aquilo que é dele e põe nas mãos desse senhor, como escravo. Mas, leve em
consideração o seguinte também: o demônio que é um anjo espertíssimo, o demônio
tem um ódio tremendo da nossa salvação, e tem um ódio tremendo da nossa
perfeição. Ele não quer nossa perfeição, não quer nossa salvação. Então, ele
vive dando volta em nós, para nos pegar distraído e roubar alguma coisa. Então,
a melhor forma que a gente tem de não ser roubado é tomar tudo o que a gente
tem e pôr nas mãos dele. Porque pondo nas mãos dele, quando o demônio dá a
volta na gente e procura, ele diz: “Ué, esse tipo não tem nada. Onde é que
estão as coisas dele?” Dá uma volta, dá outra volta e diz: “Puxa, não tem nada
para roubar? Não tem nada para tirar? Onde é que ele pôs essas coisas?” Aí, de
repente ele percebe que nós praticamos um ato de virtude, e na hora em que
praticamos o ato de virtude, quando o mérito ia penetrar na nossa alma, o
mérito voa. Ele fica prestando atenção no mérito... Onde é que vai parar o
mérito [que voa para o Sr. Dr. Plinio]... O Sr. João imita um grito de ódio
do demônio.] [Aplausos]
Primeiro, portanto, nós ficamos do tamanho dele, guardadas as devidas proporções. Segundo, tudo aquilo que nós temos fica nas mãos dele e o demônio não pode roubar nada. Não pode roubar nada. Não tem jeito de roubar porque está tudo nas mãos dele. Terceiro, nós acabamos tendo os nossos méritos — um ato de virtude que a gente pratica, que é isso aqui — quando cai nas mãos dele, participa da grandeza dele. Então, o mérito que a gente tinha que era desse tamanho, cresce. E quando ele vai dar a Nossa Senhora, ele dá com as características dele, Senhor Doutor Plinio. Diz: “Está aqui mais uma coisa de um filho meu.” Mas como é ele que dá a Nossa Senhora, Nossa Senhora olha aquilo com outros olhos. Diz: “Não, isto aqui tem valor, porque vem das suas mãos.” Então, o que que acontece? O senhor consegue um mérito que é uma maçã. Uma maçã, o senhor dá nas mãos dele, ele diz: “Está muito bem, meu filho”. Passa as mãos sobre a maçã, e a maçã vira de ouro. Aí ele dá para Nossa Senhora. Nossa Senhora fica contente ...
[Vira a fita]...
...veio daquele rapaz que recebeu capa hoje.
— Foi isso? Mas está extraordinário. Pois olhe aqui, vou dar a ele uma graça toda especial.
Então volta uma graça proporcionada
ao ouro, ao rubi, à... Bom, imagine o senhor pegar uma maçã e diz: “Meu Deus,
aqui está uma maçã.” Deus olha a maçã e diz: “Está muito bem. Tome um grãozinho
de arroz.” [Risos]
* Nosso Pai e Fundador é um
perfeitíssimo escravo de Nossa Senhora, que deu provas disso até a hora
derradeira do 3 de outubro
É uma caminho necessário para nós. E o senhor
tem o Senhor Doutor Plinio, antes de tudo, como um perfeitíssimo escravo de
Nossa Senhora. Porque, ele dizia — ainda outra noite nós contemplávamos isto no
auditório — ele dizia que ele não se cansa de falar em Nossa Senhora, que tudo
depende de Nossa Senhora, e que ele quer morrer falando de Nossa Senhora. E foi
o que aconteceu. Ele morreu olhando para a estampa de Nossa Senhora do Bom
Conselho de Genazzano, o tempo inteiro, o tempo inteiro, o tempo inteiro.
E ele foi em relação a Nossa Senhora, perfeito, perfeitíssimo; porque ele deu tudo a Ela. Tudo o que ele tinha, tudo o que ele tinha recebido — fossem dons sobrenaturais, fossem dons naturais, fosse o que fosse — estava tudo nas mãos de Nossa Senhora, tudo entregue a Ela.
E por isso, ele adquiriu um valor extraordinário. Porque ele adquiriu o valor dos méritos de Nossa Senhora. E nós, o que devemos fazer em relação a ele? Devemos ser escravos. Devemos entregar tudo nas mãos dele. E entregando nas mãos dele, nós estamos adquirindo a força dos méritos dele; estamos fugindo dos saques todos, dos assaltos todos do demônio, e estamos fazendo chegar às mãos de Deus de uma forma magnífica. Porque passa pelas mãos dele, e ele, às vezes, até comenta com a Senhora Dona Lucilia. E os dois vão, e oferecem a Nossa Senhora. Nossa Senhora vai e oferece a Deus. Então, não existe coisa mais bonita do que isso. Caminho mais extraordinário para as coisas todas nossas. Está claro isto, ou não?
(Pugnemus pro Domina.)
Esperem! Ele tem duzentas perguntas, ainda para fazer...
Mais uma só, porque senão os outros vão ficar...
(Sr. Rogério Huang: Esse escravo de Maria tem...)
Escolha uma das mais...
(Sr. Rogério Huang: Quando nós nos consagramos, o demônio aí nos tenta mais especialmente. Qual a pior tentação que o demônio pode fazer a um consagrado, e como devemos lutar?)
Está muito bem. Sedeas.
* A pior tentação que existe para
nós é a de abaixar as vistas
A pior das tentações que existe — os senhores pensam que eu vou dizer: “A pior tentação que existe é a tentação contra a virtude da pureza”. Não, a virtude da pureza é assim: a pessoa pode ter uma queda, como caiu agora uma cadeira, cai e até pode quebrar uma perna. Depois vai num marceneiro e conserta. O problema maior não é a pureza; é também! Mas o problema maior é abaixar as vistas. É perder o senso do maravilhoso.
Quando nós perdemos o senso do
maravilhoso, nós baixamos as vistas e ficamos preocupados com o casinho, com a
coisinha, com o fatinho minúsculo que nos cerca, nós estamos em má situação.
Porque aí nós fazemos com que todas as guardas de nossa fortaleza, de nosso
castelo, baixem. A ponte elevadiça baixa, todas as janelas se abrem, e o
demônio entra por dentro dessa fortaleza com toda a facilidade.
Quando a gente tem a ponte elevadiça fechada e todas as janelas guardadas, arqueiros em tudo quanto é ameias lá em cima, é quando nossa alma está olhando. Olhando e admirando, contemplando, querendo subir mais, e encantada; e achando isto maravilhoso, aquilo maravilhoso, tátá. E tendo ódio em relação à Revolução.
Pior tentação, portanto, é a tentação da microlice. Nem é a megalice. Os senhores dirão: “Não é a megalice?” Não, não, não. A megalice ainda a gente cura. Porque megalice é só empurrar o sujeito da megalice para dentro da vocação, que ele aí começa a considerar a grandeza da vocação e sobe um pouco mais. Mas microlice não dá. Quando o sujeito gosta de considerar as coisas pequeninhas, e viver em torno dos probleminhas dele, das preocupaçõezinhas dele; então, disto, daquilo, daquilo outro. Como é que é isto? Como que é tal coisa? Depois a escolinha, a liçãozinha da escola, a ponta do lápis e não sei mais o quê. E passa o tempo inteiro girando em torno de coisinhas pequenas, pronto: ele perdeu o senso do maravilhoso. É a pior tentação que existe.
O escravo é aquele que não tem nada. Não tendo nada, ele está na melhor das situações. Porque não tendo nada ele tem tudo. Porque é só mesmo não tendo nada, que a gente pode contemplar o que há de mais elevado, o que há de mais belo, o que há de mais “pulchrum” criado por Deus. Ou então, às vezes, com uma graça que a gente recebe e que a gente vê o panorama que gente a não estava vendo antes. Mas é preciso não ter nada. E a tentação do escravo é de ter alguma coisa. E tendo alguma coisa, ele se apegar àquilo que tem, por pequeno que seja.
* O exemplo do monge que se apegou à
fechadura da porta de sua cela e apostatou
O senhor conhece a história celebre do monge que tinha entregado tudo. Entrou para o mosteiro e entregou tudo. E vivia girando de cela. Vai para uma cela, vai para outra. Vai para uma cela, vai para outra. Um dia ele entra numa cela e passa ali... O superior dele o esqueceu dentro da cela, e ele começou a arrumar a cela. A primeira coisa que ele pensou é: arrumar uma fechadura extraordinária.
Então, ele foi, limou, limou... na
hora do labora, do trabalho, ele foi e fez uma fechadura que não tinha
em nenhuma cela. Aquela fechadura era... era só ele empurrar a porta e fechava.
Ele ficava contente, porque a porta fechava inteiramente. Chega o superior para
ele, um dia, bate na cela e diz: “Frei fulano de tal, precisa mudar de cela.”
Ele diz:
— Ah, está muito bem. Posso levar a
fechadura?
— Não, não, não. Não pode levar a
fechadura. Tem que deixar a fechadura.
Ele entrou numa depressão e disse:
— Eu preciso levar a fechadura.
— Não pode levar; tem que deixar a
fechadura aqui.
Foi uma discussão entre ele e o
superior, e ele apostatou. Ele de frade, entusiasmado pela vocação dele, acabou
se entregando a uma fechadura. Então, essa é a pior tentação das grandes
vocações. As grandes vocações têm como tentação, o preocupar‑se com as pequenas
coisas. E uma pequena coisa é o relógio. Acabou, acabou o tempo.
(Todos: Pugnemus pro Domina!)
(Sr. José Agilson: Poderia ler uma coisa?)
O que o senhor tem aí?
(Sr. José Agilson: Uma frase do Senhor Doutor Plinio.)
Sim.
(Sr. José Agilson: Diz assim: “Se algum apóstolo quisesse saber como será julgada a sua vida no Tribunal Eterno, não indague tanto pelos caminhos que palmilhou, ou as gotas de suor que da sua face gotejaram. Indague, sim, das horas passadas de rosário em punho, aos pés do Tabernáculo”.)
Muito bonito. Muito bonito.
(Sr. José Agilson: Alguns dias atrás o senhor tratou sobre a devoção ao Senhor Doutor Plinio. O senhor dizia: “A devoção que nós temos ao Senhor Doutor Plinio é uma prefigura do que nós devemos ser”.
É isto. Eu acho que nós vamos crescer muito na devoção a ele. É isso.
(Sr. José Agilson: E essa frase é em função das orações. Da parte espiritual. E para conseguir essa devoção ao Senhor Doutor Plinio, essa união, qual o meio mais fácil? Seria de que maneira?)
Sim. Deu para os senhores ouvirem?
(Todos: Sim.)
Aí no fundo?
(Todos: Sim.)
Mais ou menos... Ouviram? Sim.
* Idéia extraordinária da composição
de um “Tratado da Verdadeira Devoção a Nosso Pai e Fundador”
Quase que nós poderíamos, se tivéssemos oportunidade, se tivéssemos pessoas com cabeça, com tempo, e que pudessem consultar bem os arquivos todos de explicitações feitas pelo Senhor Doutor Plinio, quase que valeria a pena escrever um tratado da verdadeira devoção ao Senhor Doutor Plinio. Isso faria um bem enorme para nós. Mas um bem extraordinário. E traria como conseqüência, que o senhores teriam de uma forma plena a resposta à pergunta que o senhor faz. De fato nós não devemos pensar nos momentos em que nós nos esforçamos, nas lágrimas que derramamos, no sangue que ficou pelo caminho, mas, para ser bom apóstolo, nós devemos pensar nos momentos em que nós estivemos com o rosário em punho junto à Nossa Senhora, e também no dia em que nós formos julgados, nós devemos olhar para trás, e analisar os momentos em que nós passamos com o rosário em punho, [O Sr. João faz um gesto.] junto ao Senhor Doutor Plinio.
Bem, eu creio, foi assim que eu
recebi a graça da “Sagrada Escravidão”, eu creio que o que valeria a pena, era,
guardadas as devidas proporções e tudo o mais, ressalvados todos os princípios
que são atinentes a esta comparação que vai ser feita por mim, agora, valeria a
pena pegar o “Tratado da Verdadeira Devoção”, ir lendo e quando, sempre que
possível, ir aplicando ao Senhor Doutor Plinio que é o seu Fundador.
* Comentário da foto
E aí, então, o senhor encontrará o meio de estar unido ao Senhor Doutor Plinio da forma mais intensa possível. E que é, justamente, tomar os princípios do “Tratado” e aplicá‑los ao Senhor Doutor Plinio. Está claro, ou não? Por isso é que é indispensável que a gente tenha — para fazer uma aplicação dessas — uma fotografia do Senhor Doutor Plinio ao nosso alcance! Porque sem isso... E se for da Senhora Dona Lucilia? Deve ser muito boa a foto, porque fecharam bem o pacote. Nossa!
Hum... Década de sessenta. Eu creio que já foi depois da doença de 67. Isso deve ser 68, ou 69, quando muito. Fundo da sala da “Martim Francisco.” O Senhor Doutor Plinio está fazendo uma palestra, certamente, está sendo gravada, porque tem um microfone bem volumoso aqui na frente, e ele está olhando para alguém, e dando uma resposta para alguém, e como que dizendo: “Mas isto tem que ser assim.” É o tom categórico dele. E esta é [uma] ótima fotografia para enjolras, porque o enjolras às vezes fica sem rumo, fica sem decisão, fica... não sabe se vai, não vai. Para onde é que vai... E aqui ele está como que dizendo: “Que é isso! Firmeza na sua vocação!” E está dizendo: “Olhe aqui: força, ênfase, energia e resolução. Para frente! Vorwerts!” Como ele gostava de dizer em alemão: Vorwerts! Ou seja, para frente!
É extraordinária! Fotografia muito, muito boa para os senhores.
[O Sr. João mostra a fotografia. Exclamações e Aplausos]
Nos cum prole pia...
(Todos: Benedicat Virgo Maria.)
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